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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

BEM FEITO

João Gonçalves 29 Dez 08


O governo prepara-se para sonegar aos jornais os "anúncios" dos actos da administração pública. Remete tudo para um "site" adequado e poupa uns milhões com o exercício. Já os jornais deverão perder com isto cerca de quarenta por cento de receita publicitária. Nunca um governo nos últimos anos (a excepção é o bonzinho Guterres que esteve em "estado de graça" durante praticamente todo o seu primeiro mandato) mereceu tanta sabujice e complacência por parte da maior parte da "opinião que se publica". Lambuzaram o mais que puderam (e continuam a lambuzar) o senhor engenheiro. Só que, com esta legislação, o senhor engenheiro fez aquilo que se costuma fazer aos capachos. Serviu-se deles e lava as mãos quanto ao resto. É bem feito.

A LEALDADE

João Gonçalves 29 Dez 08


Além de lorpa, a Assembleia da República está povoada por juristas que devem tirado o curso em fascículos da Farinha Amparo. E apenas acolhe uma imensa massa bovino-obediente que responde a impulsos que lhe chegam por telemóvel ou através de ordens perpetradas na secção do partido. Entristece-me, pois, ver pessoas minimamente qualificadas como António Filipe ou Paulo Rangel a fazerem a figura que têm vindo a fazer a propósito de uma lei ordinária inconstitucional. De Canas, do PS, nem vale a pena falar. Não se comenta a miserável "voz do dono". Dito isto, talvez Cavaco tenha finalmente percebido o tipo de gente com quem tem de conviver institucionalmente. Deu sinais disso. Do Bloco ao PP, passando pela pusilanimidade do seu antigo partido, todos se comportaram vergonhosamente na questão dos Açores. "Absurdos" é pouco. Daqui para diante Cavaco deve-lhes o mesmo respeito que eles manifestaram pelo Chefe de Estado. Ou seja, nenhum. A lealdade aprende-se com os cães e jamais com os homens, sobretudo com homens "feitos" nos vãos de escada dos partidos. Esses, como disse um dia Mitterrand de parecidos doutra profissão, são mais de atirar a honra aos cães como quem lhes atira um osso. Cavaco não precisa dissolver a inutilidade conhecida por "casa da democracia" por causa disto. Seria manifesto disparate. Não. Basta-lhe assistir à lenta dissolução deste simulacro de democracia entregue a uma mão cheia de idiotas úteis. A lealdade, a verdadeira, é fantasticamente cruel. E como outra coisa, deve servir-se gelada.

TUDO BONS RAPAZES

João Gonçalves 29 Dez 08


«Para acontecerem os tumultos gregos, mais que descontentamento ocasional, são necessários dois elementos principais. O primeiro é uma desilusão profunda e recalcada, desconfiança latente e generalizada, raiva surda e intensa. Se ouvirmos as conversas de café e comentários de blogs parece que tal estado de espírito já domina em Portugal. Muito disso é a tradicional resmunguice nacional. Mas algo começa a despontar. O início foi o sonho guterrista de uma prosperidade sem custos. Lançou-se então o endividamento nacional e a bola de neve orçamental que já fez fugir dois primeiros-ministros, cair um terceiro e oprime o actual. Os protestos de professores e os medos dos jovens, bem como as esperanças de PCP e BE, clivagens no PS, crise do PSD e oportunismo do PP nascem daqui. Mas é crucial notar as diferenças entre a tempestade lusitana e o furacão helénico. Na Grécia a desilusão, desconfiança e raiva são muito mais antigas e profundas, num país muito mais difícil de governar. Teríamos de descer alguns degraus de decadência para chegar a esse estado, que atingimos em 1580, 1839, 1908 e 1925. O segundo elemento, indispensável para passar dos sentimentos e palavras aos actos, é uma liderança clara. O que começa espontaneamente só permanece se for planeado. Tal orientação, conseguida na Grécia pelo antigo e poderoso movimento anarquista, ainda falta por cá. Em Portugal até os extremistas são boas pessoas.»

João César das Neves, Diário de Notícias

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