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portugal dos pequeninos

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João Gonçalves 21 Dez 08



Vives, Doña Francisquita. Barcelona, 1988




Donizetti, La fille du regiment

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João Gonçalves 21 Dez 08


«Portugal parece um barco mal estivado com a carga quase toda a estibordo. Ainda não adornou porque o mar esteve calmo estes anos. Mas pressente-se a tempestade no horizonte. Movimenta-se a tripulação por estibordo. Manuel Alegre apareceu acompanhado na Reitoria e sozinho nas televisões.Colocaram-lhe a hamletiana questão sobre formar, ou não, um partido. Ora o que Alegre disse foi que o crescimento dos votos à esquerda deve ter tradução no governo da nação. Neste ponto tem razão. Quanto a um novo partido, a procissão ainda vai no adro e não depende da intenção de uma só pessoa. Quase tudo está assim em aberto, embora haja a sensação de que o objectivo de curto prazo se resume ao possível apoio do BE à candidatura de Helena Roseta. Visto de Cascais pode parecer histórico…»

Medeiros Ferreira, Correio da Manhã


Eduardo Pitta quando lhe puxa o pé para a ficção política é um péssimo escritor. Com que então «daqui a dez dias, os funcionários públicos vão ter um aumento de 2,9% — o maior dos últimos dez anos»? E o que é que eles ganham objectivamente com isso, depois de anos e anos a perder poder de aquisição, quando o aumento é "comido" pela inflação (mesmo optimisticamente a 1%) e pelo incremento negativo de uma economia periférica sem produção própria? O mesmo se diga das «almofadas suficientes para facilitar a vida de grande parte da população.» Quais almofadas? Isto é conversa fiada que não lembra ao mais diligente serventuário do admirável Sócrates que Pitta - sabe-se lá porquê - acha sublime e insubstituível. Finalmente e «sem a intervenção do Estado, uma fatia (pequena que seja) da classe média estaria agora na miséria.» Presume-se, pelo contexto, que Pitta se refere à intervenção em dois bancos onde essa "pequena fatia" da classe média estava "almofadada". Engana-se. Apesar da "intervenção", o nosso sistema financeiro está descredibilizado internacionalmente. E as "classes médias" são as primeiras a pagar esse descrédito como, se formos todos vivos, se constatará amplamente em 2009. Aliás, o seu querido líder, depois de ter andado a papaguear que a crise não nos tocava (ou que tocava em menor escala), já foi avisando que o ano que Pitta prevê «longe do desastre anunciado» vai ser o "cabo das tormentas". Ainda bem que há "navegadores" como Pitta que conseguem enxergar bons portos no meio das tempestades. Pode ser que, à falta de outras coisas, alguém aprecie mais o palavreado reconfortante de Pitta (que segue ao milímetro a cartilha oficial) do que a realidade. Quando ela lhes entrar pela casa adentro (em menor escala do que à generalidade dos portugueses porque Pitta ainda é, por assim dizer, um privilegiado), aí falamos. Porque na cabeça já se percebeu que ela nunca entrará.

Nota: Alguns leitores não gostam da foto. Julgo, porém, que ela "retrata" perfeitamente a inebriante leveza do "ser português" perante a realidade e, sobretudo, perante o admirável Sócrates. É horrível, não é? Mas a realidade não é melhor.

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