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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

HISTÓRIA DE UM DESENCONTRO

João Gonçalves 3 Dez 08


Entre domingo e segunda, por causa do frio, li o livro da foto. Todo. Freitas escreve mal. Nada que se compare com os seus livros de direito. Todavia, interessava-me o período descrito porque abrange a formação, ascensão e queda da Aliança Democrática na qual, com dezanove anos, modestamente me empenhei ao lado dos Reformadores liderados por Medeiros Ferreira e António Barreto. Quem viveu os anos políticos de 1979 e 1980 não pode deixar de ler esta obra. Apenas decorridos cinco anos sobre o "25 de Abril", a "direita" chegou ao poder, em maioria absoluta, contra a "situação" político-militar da época. E contra os "situacionistas" do PSD, cindidos na altura em grupo parlamentar autónomo, cuja parte ainda viva integra o vigoroso "bloco central" que manda no regime. Freitas do Amaral era indiscutivelmente o "número dois" desse novo poder e dessa estratégia. Era ele quem devia ter sucedido a Sá Carneiro na liderança do governo e da AD, apesar de ser chefe do segundo partido da coligação, um CDS, ao tempo, com mais de quarenta deputados. Percebe-se, lendo o livro, que talvez as relações com o então PR Eanes pudessem ter sido diferentes. Como diferente poderia ter sido o destino da Aliança, nos anos seguintes à morte brutal do então 1º ministro e presidente do PSD, se este não tivesse sido substituído pelo improvável Balsemão. Tudo se precipitou no final de 1982 e, como Cunha Rego escreveu na altura, a AD acabou estatelada aos pés do General PR. E Soares voltou logo em 1983 para não mais nos deixar. Foi, pois, no princípio dos anos 80 que Freitas perdeu a oportunidade definitiva da sua vida política. Não foi sequer quando ficou a escassos metros de Belém ou quando entrou na transumância dos últimos anos. Ter permanecido no lugar de Sá Carneiro configuraria a "vitória pessoal" que, com mágoa, Freitas nota que as seis eleições em que participou nunca lhe deram. A vida é quase sempre madrasta. A história também.

(Diogo Freitas do Amaral, A Transição para a Democracia, Memórias Políticas II (1976-1982), Círculo de Leitores, 2008)

HORNE

João Gonçalves 3 Dez 08



Marilyn Horne: Rossini, Canzonetta Spagnuola, Versailles, 1985

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NEOLOGISMO BRONCO

João Gonçalves 3 Dez 08

Manuel Pinho, o verdadeiro ministro da cultura de Sócrates, usou o termo "alavancar" a propósito de umas tretas que o governo prometeu ao sector automóvel. É daquelas expressões em relação às quais apetece puxar imediatamente da pistola.

OS PROFESSORES E O REBANHO

João Gonçalves 3 Dez 08


Continua o folhetim mexicano cujos principais protagonistas são a dra. Lurdes Rodrigues , os seus improváveis secretários de Estado e os professores. Tudo gira em torno da famosa avaliação. Nos seus lúgubres gabinetes, os restantes funcionários públicos preparam-se mansamente para "sofrer" a avaliação que lhes está destinada. Sem um pio. Sem um murmúrio de protesto a não ser à saída daquelas reuniões surrealistas entre os sindicatos e o governo. Estes "negociadores" usam invariavelmente uma língua de pau comum que nada diz aos indiferentes destinatários das negociações. Aliás, a maioria dos funcionários são os pais das criancinhas que ficam sem aulas e que aparecem nas televisões a protestar porque as crias não têm com quem ficar. É muito bem feito para o rebanho. A "força" dos professores, traduzida na sua visibilidade social, é como se fosse um outro mundo dentro do nosso pequenino Portugal. Chamam, porém, "educação" a esta estranha realidade. Será?

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