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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

CANT CULTURAL PORTUGUÊS

João Gonçalves 2 Dez 08

«Se no próximo ano o Museu Mar da Língua Portuguesa na sua versão lisboeta ou Museu da Língua Portuguesa na sua versão bragantina aparecer como Museu Subaquático da Língua Portuguesa e atirado para uma daquelas fossas atlânticas dos Açores, não causará espanto nem indignação. Porque a política cultural tornou-se uma efabulação sobre anúncios. Espero bem que o África.cont não seja, à semelhança dos exemplos anteriores, mais uma bola de sabão nascida nessa vacuidade ignorantíssima que tantas vezes se chama "política cultural" e que, mais grave ainda do que usar irresponsavelmente os dinheiros e os bens públicos, se tem servido deles para sustentar clientelas, no sentido romano do termo. Mas temo ter razão. A informação que o Ministério dos Negócios Estrangeiros e a CML fizeram chegar ao PÚBLICO* confirma, a par das megalomanias lusas do costume, a concepção, tão típica do Governo Sócrates, da cultura enquanto papel de embrulho.»

*"Acontece exactamente um ano depois da cimeira UE-África, e não é por acaso. No próximo dia 9, o primeiro-ministro, José Sócrates, irá anunciar a criação do África.cont, um centro de arte africana contemporânea em Lisboa. Um projecto considerado estratégico para, explicou ao PÚBLICO o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho, "a consolidação de Lisboa como espaço euro-africano". Ou, nas palavras de António Costa, presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), para "perpetuar esta realidade de Lisboa ser a ponte entre a Europa e África."

Helena Matos, Público (via Povo)

Adenda: Sobre isto, o Augusto M. Seabra, aqui e aqui.

A BANCA E O REGIME

João Gonçalves 2 Dez 08

Seis bancos, entre os quais a CGD, vão "ajudar" o BPP, o formoso banco que se dedica a "gerir fortunas". Tal como nos partidos existe o "circuito da carne assada" que define a "solidez" de uma liderança, também na banca portuguesa há um "circuito" de regime que confere aos respectivos gestores, por muitas asneiras que façam, o direito de não se chamuscarem excessivamente. Para além disso, com a teoria do aval o governo assegurou que o "circuito" não seria interrompido por trivialidades como falências, péssimas administrações e crises internacionais. Dizem que é por causa da "imagem" do país. Todavia, o país cuja "imagem" deve ser preservada "segurando" estes beneméritos, é fundamentalmente o país que paga impostos, que usa a banca para o essencial e não propriamente para "negócios" e, muito menos, para tratar da fortuna que não possui. O governo e, por ele, o Estado estão a tornar-se o "caixa-forte" de uma gente que se orgulhava de ser o "exemplo" da "sociedade civil" portuguesa e do seu não menos famoso "empreendedorismo". Os rostos que vimos há dias por trás do dr. José Miguel Júdice, na assembleia geral dos accionistas do BPP, são velhos conhecidos do regime. O que é que a generalidade dos contribuintes tem a ver com isto?

A VELHA ESTUPIDEZ E A ESQUERDA MODERNA

João Gonçalves 2 Dez 08


A nossa "democracia" atingiu, no ano corrente, patamares de estupidez política inusitados. As "reacções" da maioria absolutista a tudo o que mexe, desde posições de outros órgãos de soberania até protestos, ruidosos ou silenciosos, da "sociedade civil", ampliam a coisa e, em certo sentido, explicam-na. A Lei da Paridade ou o Estatuto dos Açores são dois dos mais flagrantes exemplos da estupidez que varreu - se calhar nunca deixou de lá estar - o bando parlamentar dirigido in loco pelo sr. Alberto Martins e, através de "comando à distância", por Sócrates. A primeira, porque revela uma obsessão estalinista pelo "correcto" político que, na prática, menoriza a condição feminina (as quotas "justificam-se" porque o legislador reconhece algum tipo de inferioridade cívica, política e social a um ser humano apenas porque ele é mulher) e introduz um argumentário despropositado e sexista na escolha partidária, aumentando o caciquismo. Com os Açores, o PS pretende, até à revelia da opinião constitucional de alguns "companheiros de estrada", afrontar politicamente o PR pelo simples prazer de o fazer. Chamam a isto "esquerda moderna"? Não será antes sintoma de uma velha, persistente e inominável estupidez que aprecia trocar o fundamental pelo acessório para fazer prova de vida?

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