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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

PROMESSAS

João Gonçalves 1 Dez 08


Comemora-se hoje a "restauração" da independência nacional, supostamente perdida para os espanhóis em 1580. Nessa altura, a Espanha, governada por Filipe, conhecido como o "demónio do meio-dia", senhor de um império "onde o sol nunca se punha", tratou de retirar-nos, a pretexto da sucessão de D. Sebastião, a soberania na ordem externa. Ou seja, o país mantinha as suas instituições políticas, mas quem o representava era Filipe II de Espanha e I de Portugal. Nunca chegámos verdadeiramente a perder a independência enquanto soberania na "ordem interna". Ficámos, antes, diminuídos na nossa capacidade de reacção diplomática, uma vez que a nossa fronteira, a terrestre e a marítima, era espanhola. Esta situação arrastou-se por cerca de sessenta anos e, no tal 1 de Dezembro de 1640, uma rapaziada garbosa, glorificada nos livros de história pátria, defenestrou os "traidores" e recuperou-se a tal soberania externa perdida anos antes, conhecida vulgarmente por independência. O episódio do 1º de Dezembro e respectivas sequelas bem podem ter representado um passo atrás. Já fui mais céptico quanto a ser "iberista". Poderíamos ter construído entretanto um sólido corpo de elites, cuja falta se sente cada vez mais, das universidades a S. Bento e aos partidos, passando pela administração pública e pela falsa "sociedade civil". O desastre de Alcácer Quibir levou-nos as poucas que possuíamos. E daí em diante é a melancolia que se conhece. Julgamo-nos independentes, contentinhos e "europeus". Promessas.

O PARTIDO UNIVERSAL DOS DULCAMARAS

João Gonçalves 1 Dez 08


"O mais curioso é que, embora a imprensa escrita e falada seja intensamente opinativa, nunca se assume em termos políticos. Não existe em Portugal o alinhamento ideológico explícito de jornais e emissoras de referência que existe em todos os países. O público não é informado da orientação do meio que escolheu, porque todos dizem apenas a verdade. Todos os repórteres têm opinião, mas todos são isentos de orientações e partidarismos. Os resultados são caricatos. O actual Governo goza de clara benevolência jornalística. Apesar da contestação e inevitáveis "gafes", o tratamento não se compara com o dos antecessores. Por outro lado a imprensa já decidiu que Manuela Ferreira Leite não tem hipóteses. Não interessa o que pensa ou propõe, apenas que não sabe lidar com os media, o pecado supremo. Suspeita-se de campanhas organizadas, mas talvez não seja manipulação política, até porque o PS já sofreu o mesmo tratamento. A regra da imprensa é que "mais vale cair em graça que ser engraçado". O Bloco de Esquerda é sempre fresco e interessante, por muitos chavões bafientos que repita, enquanto PCP e PP são desprezados, por vezes sem disfarce. A culpa disto é em boa medida dos sujeitos, mas os mensageiros não são neutros. Existe muita gente honesta e bem-intencionada no jornalismo. Mas é evidente (e paradoxal) que a imprensa tem hoje uma má imagem. Também é verdade que existe uma falta de imprensa verdadeira, objectiva, respeitada, idónea. Muitos dos que relatam o jogo participam nas equipas. Quando o jogo se suja, avolumam-se as suspeitas. Isto ainda não afecta o poder da imprensa, mas já degrada a classe."


J. C. das Neves, DN

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