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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

TRISTEZAS

João Gonçalves 25 Nov 08

Ignorava que o antigo brigadeiro Pires Veloso sabia escrever. Livros, por exemplo. Para os mais novos (e como a blogosfera é mais infantil do que se julga), Pires Veloso foi comandante da região militar do Norte nos idos do PREC. Gostava de ter ido mais longe do que foi, mas a vida é mesmo assim. Cruel. Todavia, andou devidamente apascentado pelo PS e pelo PSD que, na altura, lhe criaram a ilusão de que tinha importância. Fizeram o mesmo a Pinheiro de Azevedo, aliás. Veloso nunca perdoou a alguns camaradas de armas ter ficado para trás. Sobretudo a Eanes. Parece que agora escreveu o "livro do seu ressentimento". Faz de Eanes - só quem não conhece Eanes é que pode dizer barbaridades destas - um "amigo" do PC e pretende retirar-lhe o papel que aquele efectivamente desempenhou no "25 de Novembro". É pena que Mário Soares empreste a sua Fundação para apresentação da "obra" de Veloso em Lisboa. Só que Soares está cada vez mais Soares "Ferreira Alves" e menos Mário Soares. E, aí, tudo pode acontecer. Até dar guarida a tristezas destas.

BRIGADAS

João Gonçalves 25 Nov 08


Não simpatizo nada com a figura política de Dias Loureiro e não aplaudi a sua escolha para o malfadado Conselho de Estado. Mas ainda consigo simpatizar menos com as diversas brigadas kitsch-policiais dedicadas à eugenia política - colocadas disciplinadamente às ordens do dr. Louçã e que visam mais longe e mais alto, como qualquer analfabeto já percebeu - brigadas essas que, segundo julgo saber, não só não conduzem a acção penal como não estão legalmente habilitados para efectuar uma investigação criminal. Poupem-se ao ridículo.

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SÓCRATES EX MACHINA

João Gonçalves 25 Nov 08

A OCDE reviu em baixa e em alta os indicadores que interessam para 2009, respectivamente, o crescimento e o desemprego. Para todos os países membros. Sócrates veio a correr afirmar que, ao pé de outros, até não estamos mal e que com o mal dos outros podemos nós bem. Foi em Trás-os-Montes onde esteve a lançar betão. Mas podia ter sido na estratosfera onde ele ameaça entrar mais rapidamente do que a velocidade que se há-de alcançar nas auto-estradas do Marão.

TEMPOS DIFÍCEIS E DE AUTORIDADE

João Gonçalves 25 Nov 08



«Só muito tarde na vida fui visitar o Escorial. Durante muitos anos, não tinha curiosidade. Há cerca de trinta anos, depois de a ouvir pela primeira vez, apaixonei-me pela ópera “Don Carlo”, de Verdi. Uma parte passa-se neste palácio, mandado construir por Filipe II, que ali morreu. Não descansei enquanto não fui visitar. É de grande beleza severa e rude. Tem uma estética de tempos difíceis e de autoridade.»

António Barreto, Jacarandá


(Clip: Don Carlo, Verdi, início do III Acto (Auto de Fé). Festival de Salzburgo, 1986. Dirige Herbert von Karajan)

25 DE NOVEMBRO: PRECISA-SE

João Gonçalves 25 Nov 08


«Diz-se que Medina Carreira terá avaliado em dois mil milhões de contos o montante de dinheiros mal parados recebidos da Europa por Portugal ao longo de vinte e cinco anos; ou seja, mais de setenta milhões de contos desaparecidos, dados, esbanjados, mal aplicados e desviados anualmente pelas curibecas agora finalmente postas a descoberto pelas primeiras [e tremendas] revelações do escândalo que abala o país. Compreende-se, assim, o atraso, a impreparação, a falta de competitividade das empresas e dos trabalhadores portugueses. Se a esta soma quase cósmica aduzirmos os milhões de milhões de contos gastos anualmente com a fulanagem inútil que serve os aparelhos partidários - os eurodeputados, os deputados, os presidentes de câmaras, as assessorias (vulgo boys), as aquisições de serviços a familiares, amigos, primos e protegidos - trememos de espanto e indignação. Portugal não pode sobreviver se continuar entregue a tal camarilha devorista. Temos sido, literalmente, sugados até ao tutano por gente que nem para arrumadores de cinema presta. Tempos houve em que o Estado era rico, pagava mal aos seus servidores e dava o exemplo a um país pobre. Hoje, com o Estado pobre, brincamos impudicamente com a pobreza sem esperança de um país definitivamente encostado à berma da história e pagamos regiamente a funcionários de partidos que ainda têm o supino atrevimento de chamar parasitas aos funcionários do Estado. O sistema, como está a funcionar, parece estar a fazer tudo para despertar messianismos.»

Miguel Castelo-Branco, Combustões

JÁ CHEGA

João Gonçalves 25 Nov 08

Por falar em Constâncio. Espera-se (deseja-se) que o governo não "invista" mais dinheiro dos contribuintes em mais um gesto de socialismo serôdio, e que não "nacionalize" um tal de BPP. Quem o criou, que o aguente. Não caia, porém, no nosso colo. Já chega.

COITADINHO

João Gonçalves 25 Nov 08

Parece que Constâncio se queixou de estar a ser "alvo" de um "linchamento público". Tenho tanta pena dele...

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