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portugal dos pequeninos

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CAPACIDADE DE PREVISÃO

João Gonçalves 23 Nov 08


«Isto é só para safados.»

Salazar a Franco Nogueira, 1966

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DO FINGIMENTO

João Gonçalves 23 Nov 08


Com a mesma displicência irresponsável e cara de pau com que há uma semana recusou uma comissão de inquérito parlamentar ao "caso BPN", Alberto Martins veio agora "desblindá-lo" com o argumento - já válido há oito dias quando usou o contrário - de que não prejudica a investigação criminal em curso. Há muita gente, por sinal respeitável, que acha que não devia existir inquérito parlamentar. Sucede que o PS, através do governo, nacionalizou o BPN e "injectou", via CGD, uma pipa de massa na casa falida que foi de Oliveira e Costa. Ninguém ignora de onde é que vem parte substancial dessa massa. Dinheiro por que, pelos vistos, praticamente todo o sistema bancário nacional já suspira. Seja em cash, seja em forma de aval. Nestes termos, o BPN passou a ser um assunto que interessa aos contribuintes, sobretudo àqueles que nunca tiveram dinheiro para abrir "contas a prazo" num "banco de negócios" que remunerava como a falecida D. Branca. Enquanto criação político-financeira do regime, o BPN ultrapassou a peripécia do amiguismo circular que une pessoal de diversos partidos, a começar pelo PSD e pelo PS. Eles criam uma comissão parlamentar, nem que seja para fingir que é a sério, e nós podemos perfeitamente fingir que acreditamos nela. Da mesma forma que temos de fingir que acreditamos na "supervisão" bancária do dr. Constâncio e ele finge que a realiza. E antes que a lama comece a ser atirada pelas ventoínhas do costume (como já está a ser pelo zoo mediático), ficava bem ao dr. Dias Loureiro abandonar o Conselho de Estado pelo seu próprio pé. A filha de putice - a mesma que manchou a honra de uma data de gente quando "lançaram" o "caso Casa Pia" - não perde uma linha ou uma fala onde Cavaco não apareça a propósito desta história. Até Loureiro teve o mau gosto de invocar na televisão os vinte e três anos de amizade com o Chefe de Estado como se isso tivesse a ver com o tema da entrevista. Para começar -e como no "caso Casa Pia" - já há um detido para consolo dos aflitos. Oxalá não seja só para imolar como um cordeiro na Páscoa.

Adenda: Esta idiotice não é digna do João Miranda. É só o que me ocorre para não ser malcriado.

HOMENS EM TEMPOS SOMBRIOS*

João Gonçalves 23 Nov 08

«Uma pessoa abre o jornal ou liga a televisão e revê, pasmado, a velha propaganda antidemocrática de 1930. Umas vezes, subtil; outras vezes, muito taxativa e franca. Umas vezes, melancólica, outras vezes, quase triunfante. A miséria geral e perspectiva de uma miséria maior, a fraqueza do regime e uma irritação crescente anunciam o caos. Manifestamente, a bota deixou de rimar com a perdigota.»

Vasco Pulido Valente, Público


«Em tempos de crise, mais do que nunca é preciso não desistir de olhar as coisas com um olhar crítico, até porque proliferam nesta altura as piores das "soluções", os piores dos aproveitamentos, e cresce a mediocridade. E nós estamos a ser governados tão mediocremente que todo o pessimismo é pouco. Os tempos estão difíceis, mas os que nos vêm outra vez com o Marx deles, e com o Estado e com o "diálogo", estão-nos a vender produtos tão tóxicos como o subprime. Parece uma Alemanha de Weimar cansada e ainda mais triste.»

José Pacheco Pereira, idem

*Título de um livro de Hannah Arendt traduzido na Relógio D'Água
.

ÓPERA VIVA

João Gonçalves 23 Nov 08



Ainda há lugares neste mundo - e a coisa é apenas do mês passado, em Parma - onde a ópera é uma festa e não um imenso velório cheio de ignorantes presunçosos. Cantam Leo Nucci e Desirée Rancatore, Verdi, Rigoletto.

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