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portugal dos pequeninos

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OS MILITARES E O REGIME - 2

João Gonçalves 1 Nov 08

Em quatro anos, Sócrates nunca pôs os pés num quartel. Em compensação, mandou vendê-los. O Eduardo, quando se trata de Sócrates, fica como se lhe colocassem um vintage à frente do nariz. Cego. Sucede que Sócrates é efémero - mesmo que obtenha trinta maiorias absolutas e inspire respeitinho à manada - e há duas ou três instituições que não são. É o caso das Forças Armadas que nem este governo "modernaço" se atreveu a retirar das chamadas "funções de soberania". No fundo, estamos sempre a voltar ao velho princípio da igualdade tão "proclamado" nestes quatro anos ditos "fracturantes" e "reformistas". Tratar o igual de forma igual, e o diferente de forma diferente. Ora os militares não são equiparáveis aos directores de serviço, aos técnicos superiores ou aos assistentes administrativos habituados apenas a "sovas de cadeira". Quem não percebe isto, meta explicador.

P.S.: E, já agora, os militares portugueses não conhecem Chávez de lado nenhum. Sócrates, como demonstrou amplamente em El Salvador, é que é íntimo dele.

TERRA QUEIMADA?

João Gonçalves 1 Nov 08


Ricardo Pais, o director do São João do Porto, "descobriu", quase quatro anos depois, aquilo que até um cego já tinha entendido. Ou seja, que o governo de Sócrates não tem "um projecto cultural para o país". Viu-se, aliás, na altura em que Pires de Lima demitiu António Lagarto do Dona Maria e não me recordo de grandes pronunciamentos do Ricardo acerca do assunto. Todavia, agora não se esqueceu de classificar de "ignóbil" o despacho de Pinto Ribeiro que exonerou o "fnateiro" Fragateiro do teatro de Lisboa. Pais também acusou o PS de "fazer sempre a política que permite ao PSD vir a seguir fazer terra queimada das principais conquistas”. Será mesmo assim? O sr. José Sasportes, quando chegou a ministro da cultura de Guterres em 2000, removeu Ricardo Pais para a secretaria-geral do ministério onde ele era assessor sem nunca ter exercido. E em 2002, pela mão da tal "direita" da "terra queimada", Pais regressou à direcção do teatro onde tem estado tranquilamente até hoje. Parece que agora quer sair porque o dinheiro deixou de fluir como fluía (o OE ainda não foi aprovado e as "entidades públicas empresariais" são um mero eufemismo cujo "alimento" é o mesmo de sempre: o contribuinte e um vago mecenato no caso dos teatros, coisa que o Ricardo sabe de ginjeira) porque as suas "ideias" sobre o acesso à direcção dos teatros nacionais (concurso limitado... a ele, porventura?) não colhem vencimento. O Ricardo é um homem de um enorme talento e de grande ego. Nenhum destes atributos é, por si, mau. O pior é quando o segundo se sobrepõe ao primeiro. Aí Ricardo Pais julga-se insubstituível. Vai ver que não é.

«Sinto-me envergonhado ao ver o primeiro-ministro do meu país a desempenhar o papel de vendedor de banha da cobra numa cimeira de chefes de Estado e de Governo. De cada vez que a cena passa na televisão, sinto vontade de me enfiar num buraco. A cena revela falta de sentido de Estado, falta de bom senso e falta de vergonha. Não é verdade que – como ele diz – o computador «Magalhães» seja um produto genuinamente português e, ainda menos, ibero-americano. Mas, mesmo que o fosse, um mínimo de pudor deveria ter impedido o primeiro-ministro de vestir a pele de um vulgar promotor de vendas de um produto comercial que está bem longe da excelência. Para o engenheiro José Sócrates, a ausência de oposição à altura e de alternativa credível, em Portugal, convenceu-o de que tudo lhe é permitido aquém e além-mar – por cá, na Europa e na América Latina – sem medo de que o ridículo dê cabo dele.»

Alfredo Barroso, Sorumbático (Foto: Kaos)

IN VINO VERITAS

João Gonçalves 1 Nov 08



Encerra amanhã o festival de gastronomia de Santarém. É um bom pretexto para rever amigos. Amigos como o Vicente Batalha ou o Virgílio Gomes (um "sábio" destas coisas da comida) que, apesar de me saberem "azedo", nunca viram a cara ou baixam os olhos quando me vêem. Ou o António Valdemar, tão "azedo" como eu, mas muito mais fraterno do que aquilo em que, pelas circunstâncias ocorrentes, me tornei. Bom apetite.

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