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portugal dos pequeninos

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O GLORIOSO TITANIC

João Gonçalves 30 Nov 08

António Barreto: «O Governo continua a distribuir Magalhães, na convicção, fingida ou não, de que com tal gesto está a estimular a alfabetização, a cultura, a curiosidade intelectual, o espírito profissional, a capacidade científica e a criatividade nacional. Será que nas áreas do Governo e do partido não há ninguém que explique que isso não acontece assim?» Todavia, o sr. Canas, ontem, depois de uma reunião do politburo do PS, com aquela boquinha de cu de galinha, garantiu que tudo está como devia estar na "socralândia" e que não passa pela cabeça de nenhum "camarada" - sobretudo dos poucos a quem sobra uma cabeça - concorrer com o "camarada secretário-geral". Também assegurou que Maria de Lurdes Rodrigues está no caminho adequado. Só não explicou em que direcção. Têm, porém, sorte o sr. Canas e a fantasia eucaliptal de que ele é porta-voz (por favor, nunca o removam). Como escreve Pulido Valente, «a força de Sócrates vem da eficácia com que conseguiu meter o PS na ordem, da autoridade prussiana com que trata o Governo e do grande zelo com que policia os portugueses. Numa época ameaçadora e turva, o país prefere, como sempre preferiu, um "homem de pulso", mesmo gasto e pouco amado, a qualquer herói de circunstância, com um exército em revolta atrás de si. E é por isso que o PSD paradoxalmente mais se afunda quanto mais procura a salvação.» Este é, em suma, o glorioso "Titanic" em que navegamos. Sem salva-vidas que salve seja quem for.

A VIDA A DOIS ANOS DOS CINQUENTA

João Gonçalves 29 Nov 08




«Não há transição. A infalibilidade e a confiança perdem-se de repente. Ontem corria tudo bem, hoje corre tudo mal. Ontem não se fazia um erro, hoje só se fazem erros. A pessoa é a mesma: o corpo e a cabeça. As circunstâncias são as mesmas, os outros são os mesmos. Por mais que se procure, nada mudou. Só mudou o efeito que se produz no mundo. Um homem deita-se com o mundo aos pés e acorda com ele às costas. As mulheres fogem, os amigos desaparecem, os telefones desligam-se. Dantes andava-se e esquecia-se. Agora, a vida pára. Repete-se. Um mês é igual ao anterior e ao próximo e ao seguinte. Não acontece nenhuma coisa diferente, só acontecem coisas indiferentes. Por qualquer razão obscura, não se consegue descobrir o sítio onde as coisas acontecem; e elas já não acontecem onde aconteciam.(...) Um pequeno pânico instala-se. Ao princípio pensou-se que era um estado passageiro, uma época de azar ou de mau jeito. Mas depois o estado não passa, a sorte não vem e o mau jeito continua. Conta-se com angústia o tempo para trás e, a certa altura, conta-se com terror o tempo que sobra. Deixa-se de ter quarenta e três ou quarenta e sete anos e têm-se treze anos até aos sessenta ou dezoito até aos sessenta e cinco. E não será optimismo os sessenta e cinco? E vale a pena? Acontecem coisas aos sessenta e cinco? Não com certeza as que acontecem aos trinta.(...) Eu penetrei na impropriamente chamada meia idade desta maneira: ou seja, aflito. O céu caiu-me em cima sem aviso. Nestas crises, segundo o costume, as pessoas agarram-se: à família, ao trabalho, às ambições. Reparei que os meus amigos se agarravam. Um a um, consoante a sua natureza, transformaram-se em secretários de Estado, políticos respeitáveis, académicos triunfantes, altos funcionários ou pais extremosos. Vários preferiram a virtude, ideológica ou sexual. Com meritórias excepções, quase todos se encaminharam. Mas precisamente eu não pretendia encaminhar-me. Deus sabe que eu nunca fui assim.»

Vasco Pulido Valente, Retratos e Auto-Retratos, Assírio & Alvim

(Clip: Renato Bruson,Verdi, Macbeth. Ópera de Berlim, 1987)

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O PIONEIRO

João Gonçalves 28 Nov 08


«[Maria de Lurdes Rodrigues] garante, contudo, que também tem tido bons momentos. "Muitos." Pede-se-lhe que partilhe um. "Uma carta que recebi de um menino que recebeu um computador para ter em casa, não sei já em que circunstância, e escreveu-me a dizer: 'Quando for grande, vou inscrever-me no PS. "É tocante."»

Jornal Público

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UM PAÍS DE DULCAMARAS - 4

João Gonçalves 28 Nov 08

"Corno" poderia ser a nova designação de "contribuinte". Se o Estado "avalizar" um banco que se dedica a gerir fortunas privadas, que nome é que quer que lhe chamem?

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UM PAÍS DE DULCAMARAS - 3

João Gonçalves 28 Nov 08

O "jornal" dirigido pelo sr. Tadeu serviu há dias de "mote" para derrames deste género. O mesmo "jornal" fez hoje capa com a mesma conversa, mudando os alegados beneficiados e o montante em causa. Ainda não vi ninguém da matilha comentadeira "comentar" o assunto com a mesma fogosidade com que se atiraram ao Presidente da República. Depois do mel de Santana (para recorrer a uma "ideia" do dr. João Soares), chegou o mel de Sócrates?

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UM PAÍS DE DULCAMARAS - 2

João Gonçalves 28 Nov 08



Um lamentável "erro de script" apagou o Dulcamara que aqui estava de manhã. Infelizmente para mim - e para alguma gente que se cruzou comigo ao longo da vida e que eu tinha por amiga - possuo uma "memória de elefante". Repito, pois, a ideia. A vida político-partidária portuguesa está cheia de Dulcamaras. No PS manda o "Dulcamara do Magalhães" o que impede demais candidatos ao papel do famoso "doutor" de aparecer. No PSD, não faltam candidatos ao papel do charlatão da ópera de Donizetti. De jovens "promessas" com quase cinquenta anos a qualificados caciques locais. Une-os o ódio ao "estilo" insosso da dra. Ferreira Leite, por natureza a anti-vendedora de "elixir". Talvez tenham razão. A Dulcamaras responde-se... com Dulcamaras. Avancem.

(Clip: Simón Orfila, L'Elisir d'amore, de Gaetano Donizetti, Teatro Liceu de Barcelona, 2004)

UM PAÍS DE DULCAMARAS

João Gonçalves 28 Nov 08


Ao passar num quiosque, reparo que Ricardo Costa, um dos mais proeminentes "jornalistas" do regime, vai "circular" dentro da galáxia Balsemão. Passa da SIC para adjunto do Expresso onde já lá está outra notabilidade, íntima do poder, o do laço. Talvez por isso seja oportuno recordar as palavras de Ramalho Ortigão em 1873, nas Farpas, enviadas por um leitor amável.


«A Imprensa de Lisboa não tem opinião. Aqueles que dos seus membros que por excepção pressentem as ideias próprias, vivas, originais zumbindo-lhes importunamente no cérebro, enxotam-nas como vespas venenosas. É que a missão do jornalismo português não é ter ideias suas, é transmitir a ideia dos outros. Por tal razão em Lisboa o homem que pensa não é o homem que escreve. O jornalista nunca se concentra, nunca se recolhe com o seu problema para o meditar, para o estudar, para o resolver. Nunca procura a verdade. Procura apenas a solução achada pelo público dele, pelo seu partido político, pelos consócios do seu clube, pelos seus amigos, pelos seus protectores (...). O jornal não é uma fonte de crítica, de análise, de investigação (...) O jornalista é o aguadeiro submisso e fiel da opinião. Não dirige, não a corrige, não a modifica, não a tempera(...). A Imprensa periódica é simplesmente o cano.» Esgoto, acrescento eu.

RÁDIO BLOGGER

João Gonçalves 27 Nov 08

Mais logo, no RCP, a partir das 23h, troco "impressões" com um ilustre militante do PS de Lisboa e membro do Câmara de Comuns. A avaliar por esta prosa, promete.

LELLO, UM IAGO DE PROVÍNCIA

João Gonçalves 27 Nov 08

«Se num primeiro momento houve quem visse no BPN uma espécie de Casa Pia do PSD, há agora quem, através dos Dias Loureiros de serviço, pretenda traçar o epitáfio do cavaquismo, colando o actual Presidente da República a uma "história de polícia" que, em última análise, traria à luz do dia o reverso do seu sucesso como primeiro-ministro. Esta subtil tese esconde, no entanto, objectivos bastante mais comezinhos, ocultando essencialmente a necessidade de fragilizar a única figura de Estado que goza de algum prestígio. Não por acaso, ainda esta semana, o dr. Lello, esse maître à penser do primeiro-ministro, se sentiu obrigado a negar a participação do PS na campanha de rumores e de insinuações que foi criada à volta do prof. Cavaco Silva. E por que haveria o PS de estar envolvido numa campanha destas? Para disfarçar a incompetência do seu governador do Banco de Portugal, que se considera alvo de um "linchamento público" só porque não foi capaz de exercer as suas funções? Para desviar as atenções dos péssimos resultados da sua política? Para que não se saiba que o fabuloso Teixeira dos Santos foi considerado o pior ministro das Finanças da Europa pelo Financial Times? Para silenciar a crise na Educação e os protestos dos professores? Ou, voltando ao princípio, para fragilizar uma das poucas vozes deste país que o Governo não consegue controlar? Se a resposta não fosse óbvia, o dr. Lello não se teria sentido obrigado a desmenti-la. Há desmentidos que se desmentem a si próprios.»

Constança Cunha e Sá, Público

BENGALADAS

João Gonçalves 27 Nov 08

Alfredo Barroso regressou aos tempos em que pretendia desfilar no Chiado à espera de encontrar Manuel Maria Carrilho para lhe enfiar umas bengaladas. Também sou adepto desse saudável "método fin de siècle" apenas divergindo profundamente acerca das cabeças a alvejar. Barroso está, desde os anos Guterres, naquele clássico dilema do filósofo: sempre o mesmo querer e não querer o mesmo. Não vai tão longe como Alegre porque, ao contrário deste, não tem público. De resto, tem sempre o cuidado de terminar as suas bengaladas "virtuais" no PS de Sócrates com uns mimos "correctos" contra o PSD e, agora, contra Cavaco, um hábito que vem dos tempos em que ele, o seu tio e outros cortesãos se passeavam nos jardins do Palácio de Belém em cogitações, meio divertidas, meio sérias, sobre o que é que haviam de arranjar para "chatear o gajo". Dedique-se antes ao Camilo.

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