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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

O ESCRITOR CONFESSA-SE

João Gonçalves 23 Out 08

«Os meus romances são muito meus. Não conheço nenhum autor que escreva os romances como eu os escrevo. (...) Sinto-me à vontade com qualquer género, o que importa é que eu e o leitor tenhamos prazer.(...) Construo o livro na minha cabeça e o problema é os meus dedos serem suficientemente rápidos para acompanhar as ideias que fluem da minha mente.» Não, não é Hugo, Flaubert, Dostoievsky, Roth, Clezio, Coetzee ou mesmo Rosa Lobato Faria. É apenas Rodrigues dos Santos em delirante auto-retrato. A avaliar por esta fantástica "percepção" de si mesmo - do seu "prazer", da sua "cabeça" e dos seus "dedos" - JRS ainda um dia fará literatura a partir do leite derramado nos calhamaços que deposita periodicamente nos supermercados. Por enquanto não.

DE OLHO NA CAIXA FORTE

João Gonçalves 23 Out 08

É preciso colocar em letras garrafais o nome dos senhores ex - administradores da Gebalis, em Lisboa, não vá dar-se o caso de os "reciclarem" um dia destes. Francisco Ribeiro, Mário Peças e Clara Costa usaram dinheiro público para propósitos que nada tinham a ver com o propósito da Gebalis. «O prejuízo causado totaliza 200 mil euros, gastos em viagens, refeições (no Gambrinus, Bica do Sapato, Porto de Santa Maria, etc.) e artigos de luxo. Sublinhar que 200 mil euros corresponde a 40% do subsídio anual atribuído pela Câmara de Lisboa à Gebalis. Um dos arguidos comprou duas canetas Mont Blanc, uma no valor de 1700 euros, outra no valor de 990. A única mulher do trio fez quinze viagens ao estrangeiro, num período de 20 meses, gastando nelas 34 mil euros (2267 euros por viagem). O senhor das canetas só fez três, nas quais gastou 6600 euros (2200 cada). O outro fez quatro, tendo gasto 1900 euros nos passeios, o que não deixa de ser um extraordinário exemplo de contenção de despesas.» Há gente presa, ameaçada de prisão ou com "medidas de coacção" por um mil avos disto. Ora isto, para usar a linguagem de Reinaldo, é "pretralhismo" à portuguesa. No caso doméstico, é a fusão de um português com um "metralha", "dos Irmãos Metralha, sempre de olho na caixa forte do Tio Patinhas", o cofre público. Se vasculharem com método, verão que o que não deve faltar por cá é destes. Os de olho, mão e o resto na caixa forte.

O OE

João Gonçalves 23 Out 08

O orçamento é um falso tema. Porque, a cada dia que passa, o orçamento altera-se. Ainda agora houve um "retrocesso" em matéria de financiamento dos partidos - aliás, o OE era mesmo o documento indicado para abordar o "problema" - no sentido de "deixar estar como estava" por causa das confusões e do engº Cravinho ao telefone, nas televisões, a a debitar sobre corrupção. Isto é, o orçamento desactualiza-se a cada dia que passa e ainda nem sequer passa de uma proposta. Quando entrar em vigor, já não é nada daquilo que provoca hoje tanta tagarelice. Só que, nessa altura, quando interessar, ninguém falará dele.

O "CONTEXTO" DO REGIME

João Gonçalves 23 Out 08



«Só entre nós é que um político como Pedro Passos Coelho, com anos de tácticas e habilidades, à frente de uma juventude partidária, aparece, de repente, como um "renovador" encartado, capaz de refrescar a imagem do PSD.» A frase é da minha amiga Constança Cunha e Sá e sim, escusam de o notar, é retirada de um "contexto". O "contexto" é, no caso, o PSD mas pode aplicar-se a todo o regime. A "tese" da autora - e a realidade não a desmente - é que temos isto entregue aos mesmos há mais de trinta anos. Reciclado por "estágios" vários, cá ou lá fora, o regime pertence a uma pequena nomenclatura que só, pelos vistos, a morte natural afastará da tentação permanente de nos pastorear ou de nos indicar o "caminho". O raciocínio da Constança, aliás, serve para todas as "elites" nacionais. Um país de anões morais em praticamente todos os sectores só pode gerar... mais anões. Por isso, e ao contrário de quase toda a gente, não vejo mal na andança de Santana Lopes "por aí". Ele não caiu do céu. Caiu directamente do regime para onde entrou mal lhe apareceu a barba. No dia em que a história contar e não apenas o folclore da circunstância, ver-se-á o que é que fez mais mal ao país. Se os seis meses de Lopes mais a sua intermitência camarária, ou os dez anos (já descontei a "direita") do PS de Guterres e de Sócrates. Os de Cavaco "mudaram" forçosamente um país com décadas de atraso. Fez-se, com a Europa, o básico. Os do PS, com o devido respeito pela excelente imprensa e pela propaganda, mudaram exactamente o quê?

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