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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

EM REGIME DE COIRATOS

João Gonçalves 22 Out 08

No dia seguinte à jantarada de leitão "oferecida" aos camaradas pelo Candal Júnior, em Aveiro, apareceu Sócrates. Foi defender o orçamento junto dos seus fiéis deputados. Qual Vasco Gonçalves em Almada, em 1975, o 1º ministro deu a entender que não há "alternativas" nem "terceiras vias". Onde Vasco dizia que, ou se estava com a revolução, ou se estava contra a revolução (isto era, com ele), Sócrates abre os braços do Estado para decretar que estamos todos sob a sua magnânima protecção: "neste momento, todas as famílias precisam da ajuda do Estado". Isto é, dele. Daqui até Outubro de 2009, com ou sem leitão, é o que há. Vai-nos sair do coiro.
«A proposta de Orçamento do Estado para 2009, apresentada pelo Governo, prevê que os partidos recebam donativos em dinheiro, sem ser por cheque nem por transferência bancária, pela primeira vez desde 2005, mudando a actual lei de financiamento dos partidos políticos (...) Na parte que se refere a donativos singulares, o Orçamento de Estado deixa cair a expressão de que “são obrigatoriamente titulados por cheque ou transferência bancária”. A proposta do Governo refere que deverá haver “a obrigatoriedade dos partidos apresentarem os extractos bancários de movimentos e da conta de cartão de crédito”, o que permitirá não revelar a proveniência dos dinheiros que os partidos políticos recebam em numerário. No próximo ano há eleições europeias, autárquicas e legislativas.»

«A tutela assegurou, contudo, que as exigências da lei se mantêm, e que os donativos em dinheiro não vão ser permitidos e que para os cheques e transferências bancárias será sempre necessária a prova escrita do banco em causa. O gabinete de Teixeira dos Santos esclarece que a proposta de Orçamento de Estado prevê apenas uma diminuição relativamente ao valor de referência para os donativos. Até agora, esse valor tinha como base o salário mínimo e o Governo defende que a base deve ser agora o indexante de apoio social que será sempre menor.»

PORTUGAL PEQUENINO

João Gonçalves 22 Out 08

«É sempre assim: há crise no mundo, e logo os portugueses se declaram em situação de "oásis". Com os centros comerciais ainda abertos e o Governo entretido com as casas decimais de uma estagnação subitamente lisonjeira, a tribo inteira tem-se juntado à volta dos seus velhos ídolos para gozar a versão ao contrário da fábula da cigarra e da formiga. Onde estão agora as Irlandas aplicadinhas e trabalhadoras que nos diziam para imitarmos? Esses países que andavam no topo de todas as boas tabelas onde nós aparecíamos em baixo - onde estão eles, esses "modelos", essas formigas, que durante tanto tempo nos fizeram sentir cigarras no Inverno? Estamos vingados. Imagino que no Chade ou no Burkina Faso sintam o mesmo. Porque também eles, na crise actual, são "oásis". Mas não são oásis só agora, nos maus tempos. Também já eram oásis antes, nos bons tempos. Como nós. Se a recessão vier, será certamente menor em Portugal do que na Islândia, na Irlanda ou na Espanha, pela simples razão de que a prosperidade também foi. A economia mundial, nos últimos dez anos, cresceu como nunca. Houve países que apanharam o comboio - talvez de mais. Nós não. Por virtude e sabedoria? Não: porque não pudemos. A nossa pobre bolha estourou muito antes da dos outros, em 2001, e só o euro nos poupou um transe argentino. Não temos bancos em colapso. Mas também nunca tivemos bancos capazes de atrair poupanças de outros países. É verdade que um país pequeno não depende apenas de si próprio. É improvável prosperarmos quando todos estão em dificuldades. Mas o grande facto, nesta última década, foi este: empobrecemos relativamente quando tantos outros enriqueciam. Por isso, não se riam dos islandeses: é que eles, com mais razão, podem rir-se de nós.(...) Em 2005, os actuais ministros explicaram-nos que a solução para a nossa "crise" era o "crescimento". O que é que tem crescido em Portugal? Além do desemprego, o Estado. Bem sei que pelo mundo, durante as últimas semanas, muita gente voltou ao altar do Estado. Em Portugal, foi crença que nunca nenhum missionário liberal nos fez perder. Mantemos um dos Estados que, na Europa, mais gastam em relação à riqueza nacional e mais cobram atendendo ao nível de desenvolvimento do país. É talvez um óptimo mecanismo para tentarmos viver à custa uns dos outros, como dizia Frédéric Bastiat. Mas não se deveria ter notado já, se fosse também bom para criar ou ajudar a criar riqueza? A tragédia seria deixarmos o espectáculo da "crise financeira global" distrair-nos da nossa crise local - a crise de um país onde, nos últimos trinta anos, as pretensões reflectidas no "modelo social" aumentaram, mas as taxas médias de crescimento económico diminuíram. O contraste, como alguns já perceberam e todos já começaram a sentir, é insustentável. Há escolha, claro: ou renunciamos aos "direitos", ou temos de deixar de ser este oásis que só consegue acompanhar os outros a descer.»

Rui Ramos, Público

"TOCADORES DE TUBA" - 2

João Gonçalves 22 Out 08


Um leitor chamou-me a atenção para a SIC- Notícias onde um bando de "comentadores" do regime falava do PSD, de Ferreira Leite e, inevitavelmente, de Santana Lopes. Vale a pena nomeá-los. Rui Tavares, a Avillez, a Sá Lopes, o Monteiro do Expresso e a pivot Lourenço. O Monteiro não sei o que é agora mas já foi PS anos a fio. É pena que a "direita" esteja representada pela Avillez (e um bocadinho pelo "centralão" do Monteiro) que já deu o que tinha a dar há muito tempo. E que a Sá Lopes esteja tão claramente "socratizada". Tinha-a noutra conta. O Tavares é um mero engraçadinho "intelectual" da esquerda patológica, praticamente recém-nascido, a quem a falsa direita do regime dá de mamar. No fundo, esta turma é apenas um upgrade dos costumeiros Delgado e Bettencourt, Bettencourt e Delgado. Patética.

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