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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

EXPLICAÇÃO TERRENA

João Gonçalves 19 Out 08

Em toda a parlapatice que se tem escrito sobre a eventual recandidatura de Santana Lopes à CML, ainda não vi exposta uma explicação mais terrena. Porventura os "estudos" revelam que a hipótese Lopes não é assim tão absurda. E que a opinião sobre o incumbente Costa não é assim tão favorável como se possa imaginar.

NINGUÉM MORRE CONTENTE CONSIGO

João Gonçalves 19 Out 08


«Somos prisioneiros de uma absoluta misericórdia, tanto mais inexpugnável quanto mais a supusermos anónima. Isto nos devia tornar humildes, não como cães da vida, por temor do castigo ou avidez de alimento, mas por fidelidade ao silêncio terrestre que de todos os lados nos excede. Quem se olhou a fundo sabe que coisa alguma da sua vida, o pior ou o melhor, dependeu totalmente da sua vontade. Colaborámos, bem ou mal, mas fomos excedidos. Talvez por isso, espécie alguma de homem me é mais estranha que os contentes de si, ricos do espírito e fátuos do coração. Mas é-me necessário compreendê-los para não ficar prisioneiro de um contentamento próprio ainda mais profundo. De resto, tal propósito é igualmente fátuo. A mesma mão que nos cega levantando a sua pressão nos libertará. Ninguém morre contente consigo.»

Eduardo Lourenço, Fragmentos de um diário inédito, Prelo, Maio, 1984

DINOSSAURO EXCELENTÍSSIMO

João Gonçalves 19 Out 08

«Saramago é uma relíquia. A relíquia de um mundo que nos custa a acreditar que tivesse existido. Mas, mesmo assim, tal é a força do delírio que ainda nos consegue arrepiar. Sem saber que a personagem é hoje inócua e está num rochedo qualquer do Atlântico ninguém conseguia chegar ao fim [de uma «prosa reminiscente dos bons tempos do genial Estaline, quando o Avante! descrevia os camaradas desviacionistas ("titistas", se não me engano) a jogar fortunas no Casino do Estoril, enquanto as mulheres, cobertas de jóias, andavam em orgias por palacetes, espezinhando o povo trabalhador com a sua imoralidade e a sua soberba.»] O fanatismo excede o tolerável.»

Vasco Pulido Valente, Público

RIVE DROITE

João Gonçalves 19 Out 08

Por sua vez, o Corta-Fitas teve uma "cisão" monárquica. Duarte Calvão, João Távora e Cunha Porto debandaram. Em compensação, o blogue ganhou uma "escritora" portuguesa contemporânea. Era mesmo, aliás, o que o país estava a precisar. De mais uma "escritora". E dada a "aforismos". É de esperar o pior.

RIVE GAUCHE

João Gonçalves 19 Out 08

A "esquerdalhada" blogosférica - a "montes de bem" e "correcta", naturalmente - tem novo colectivo que ainda não percebi se acumula com este ou se se zangaram uns com os outros. Por este andar (e pelo andar dele), ainda correm o risco de ter o prof. Freitas do Amaral como colaborador.

Adenda: Bonita homenagem ao Variações, um rapaz do meu tempo.

A NOMENCLATURA DO CÍRCULO -3

João Gonçalves 19 Out 08

«No fundo, Manuela Ferreira Leite sabe que Santana faria melhor figura que os Searas e os Negrões, como também sabe que não tem generais para esta guerra.»

Eduardo Pitta, Da Literatura

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UM AÇORIANO

João Gonçalves 19 Out 08


Nesse "jogo de expectativas e de decepções" que é a política - ouço-o da boca de Manuel Maria Carrilho - constato (quem é que nunca constatou?) que dela também não faz parte a gratidão. Fernando Madaíl, no Diário de Notícias, dedicou um artigo a "uma dúzia de açorianos que mudaram Portugal". Dos políticos, digamos assim, contemporâneos, Madaíl seleccionou apenas dois e monótonos: Mota Amaral e Jaime Gama. Isto no meio do Antero, de Nemésio, de Natália Correia, do futebolista Pauleta ou do músico Nuno Bettencourt. Com o devido respeito, creio que o jornalista se esqueceu de outro português nascido nos Açores a quem o país deve, no cargo então desempenhado de ministro dos negócios estrangeiros, o pedido formal de adesão à CEE. Chama-se José Medeiros Ferreira e apesar de ser um "homem de partido", como os outros dois, ao contrário deles manteve sempre uma liberdade de acção que lhe facultou um registo muito próprio e independente nos últimos trinta e quatro anos de vida pública. O que verdadeiramente obrigou a "mudar" Portugal foi esse gesto fundador "europeísta", inscrito no "código genético" do actual regime, independentemente dos juízos que se façam da evolução posterior, cá dentro e na Europa. Sem ela, no entanto, seríamos hoje seguramente ainda mais periféricos e absurdos do que já somos. Neste sentido, Medeiros Ferreira também é um açoriano que "mudou" Portugal.

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