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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

O "IMBECIL COLECTIVO"

João Gonçalves 9 Out 08

O PS votará disciplinadamente contra os projectos dos "Verdes" e do "BE" sobre casamentos entre same sexers. Só um deputado da JS, por causa do "emblema", está "autorizado" a votar "sim". A seguir, o sr. Martins entrega uma "declaração" em nome do rebanho favorável... aos casamentos entre same sexers. Tenho pena que alguns deputados da maioria, que respeito, se prestem a esta figura ridícula ditada tanto pelo mero oportunismo eleitoral como pela má consciência. Isto nada tem a ver com ser a favor ou contra o assunto, ou a considerá-lo ou não como prioritário (na minha opinião nem sequer é). Tem a ver com carácter, uma coisa que, pelos vistos, não abunda naquele "imbecil colectivo"*.

*Título de uma obra do brasileiro Olavo de Carvalho

ENSIMESMAMENTO

João Gonçalves 9 Out 08


Jacques Julliard escreveu uma vez que a democracia é a arte de nos livrarmos dos homens indispensáveis. Todavia, cada vez que abro a televisão, uma rádio ou um jornal, eles estão sempre lá. Das duas uma. Ou não nos conseguimos livrar deles ou isto não é bem uma democracia.

PLURALIDADES

João Gonçalves 9 Out 08

«Igualdade é tratamento igual de realidades iguais e tratamento desigual de realidades desiguais. Por isso, diferenciar não é discriminar. Não diferenciar é que é (ou pode ser) discriminar. Reduzir o casamento à finalidade de procriação, como alguns sustentam, não se afigura correcto. Simplesmente, apenas o casamento de pessoas de sexos diferentes comporta a potencialidade de procriação, com tudo quanto isto envolve de direitos e deveres em relação aos filhos e à função de assegurar a subsistência (quer biológica, quer no plano da sustentabilidade da segurança social) e a renovação da comunidade. Não por acaso a Constituição qualifica a maternidade e a paternidade como "valores sociais eminentes" (art. 68.º, n.º 2). Não admitir o casamento de dois homens ou de duas mulheres não viola o princípio da igualdade. O que o infringiria seria, sim, admiti-lo, por colocar em paridade realidade inconfundíveis. A Lei Fundamental distingue o direito de constituir família e o direito de casar (art. 36.º, n.º 1) e hoje aparece à vista desarmada a pluralidade de formações familiares, designadamente, as uniões de facto, tanto heterossexuais como homossexuais (com direitos consagrados na Lei n.º 7/2001, de 11 de Maio, e que bem poderão vir a ser alargados). Em contrapartida, é não menos patente, na Constituição, o enlace incindível entre filiação e casamento, necessariamente heterossexual. "Os cônjuges têm iguais direitos e deveres quanto à capacidade civil e à manutenção e educação de filhos (art. 36.º, n.º 3)." "Os filhos nascidos fora do casamento não podem ser objecto de qualquer discriminação" (art. 36.º, n.º 4). "Os pais têm o direito e o dever de educação e manutenção dos filhos" (art. 36.º, n.º 5). "Os filhos não podem ser separados dos pais, salvo quando estes não cumpram os seus deveres fundamentais para com eles e sempre mediante decisão judicial (art. 36.º, n.º 6). À pluralidade de formações familiares hão-de corresponder adequados regimes jurídicos. Ainda mais claro se mostra a Declaração Universal dos Direitos do Homem: "A partir da idade núbil, o homem e a mulher têm o direito de casar e de constituir família, sem restrição alguma de raça ou religião (art. 16.º, n.º 1). Ora, os preceitos constitucionais e legais relativos aos direitos fundamentais devem ser interpretados e integrados de harmonia com a Declaração Universal dos Direitos do Homem" (art. 16.º, n.º 2 da Constituição). Logo, em face do nosso ordenamento constitucional, não só não se faz discriminação por se estabelecer diferenças entre o regime do casamento e o regime (ou qualquer regime) da união homossexual como o casamento é concebido exclusivamente como união heterossexual. Logo, uma lei que permitisse casamentos entre pessoas do mesmo sexo seria inconstitucional.»

Jorge Miranda, Público


Nota: Mário Crespo escreveu outro dia um artigo que revela uma concepção estranhamente "spengleriana" sobre o casamento e a família. Como alguém me dizia, talvez Crespo tenha ainda a cabeça no liceu de Lourenço Marques no princípio dos anos 60.

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