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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

O QUE PARECE É

João Gonçalves 8 Out 08


Mesmo que a realidade o atrapalhe, Sócrates prepara-se para chegar a 2009 como o "homem do leme". Aquele que, se for preciso, até "nacionaliza" bancos para nos "defender". A crise está para ele como, nos EUA, está para Obama. Parece que ambos "podem". E em política, como dizia o outro, o que parece é.

VACA SAGRADA?

João Gonçalves 8 Out 08

Confesso que não me interessa nada a matéria dos aviões da CIA que passaram por aí ou que deixaram de passar. O que não me passa pela cabeça, sem ser a título de fina ironia, é que um homem normalmente sensato como o MNE Luís Amado tivesse afirmado que «seria totalmente irresponsável o actual Executivo português ter levantado essa questão quando em causa estava o próprio presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, que à data dos factos era primeiro-ministro português.» Estará ainda em vigor aquele conceito bacoco do dr. Sampaio acerca do fugitivo Barroso - uma "honra nacional" - ou será o presidente da CE uma espécie de vaca sagrada?

OS RELAÇÕES PÚBLICAS

João Gonçalves 8 Out 08


A versão "oficial" é que o Estado não "contratou" com a empresa que "fabrica" os "Magalhães". Só as "operadoras" de internet é que trataram com a JP Sá Couto. Muito bem. Assim sendo, significa que vinte e tal membros do governo de Portugal, desde o primeiro-ministro ao mais remoto secretário de Estado, fazem part-time como "relações públicas" das referidas operadoras e do sr. Sá Couto. Um luxo. Talvez asiático. Talvez latino-americano.

CUSPIR PARA O AR

João Gonçalves 8 Out 08

Baptista-Bastos, sem se rir, escreve sobre a eventual recandidatura de Santana Lopes à CML.«A dr.ª Manuela cedeu às instigações da "visibilidade" e ilustrou a tese de que a política desconhece a ética e a função próprias. Como muito jornalismo circundante.» Baptista-Bastos: pelos vistos não é só a política nem "muito jornalismo circundante" que desconhecem "a ética". Não cuspa tanto para o ar que ainda se salpica.

WELTLITERATUR

João Gonçalves 8 Out 08

Eduardo Lourenço, mais logo, no auditório 3 da Gulbenkian: "Uma conversa sobre Pessoa e outros". Por volta das 18 horas.

PORREIRISMO MUNICIPAL

João Gonçalves 8 Out 08


«Esta história lisboeta é curiosa. Primeiro, pelo modo como surgiu. Ao princípio, se bem se lembram, ia ser apenas outra "trapalhada" para fazer escorregar mais uma candidatura de Santana Lopes. Mas a maré cresceu, e de repente as águas estavam a molhar inquilinos inesperados. Há aqui uma lição para os jardineiros de notícias: cuidado com o que plantam, porque estas ervas são traiçoeiras. Entretanto, toda a gente teve de meter as pedras no saco e deixar Santana passar. Quanto aos inquilinos, forçados pela inundação noticiosa a trocar os apartamentos da câmara pela berlinda da imprensa, imagino que a maioria esteja a regressar ao conforto municipal dos seus lares. Tudo acabará bem. Já em 1989, segundo lembrou Mário Crespo, a história correu e ninguém se aleijou. Há países onde estas coisas têm consequências, mesmo que temporárias. De uma das vezes que foi forçado a demitir-se, Peter Mandelson não tinha feito mais do que aceitar confidencialmente um empréstimo particular de um seu colega no Governo (para comprar uma casa, essa fatalidade). Note-se: o dinheiro não era do Estado, mas do ministro que o emprestou. No entanto, pareceu impróprio que o detentor de um cargo público dependesse, sem declarar, do favor pessoal de outro. Em Lisboa, o usufruto de um bem público foi cedido por um presidente da câmara a uma vereadora da oposição, eleita pelos cidadãos para criticar e escrutinar os seus actos. Mandelson regressou: aqui, ninguém chegou a ter de sair (...) Qual é então o segredo de consciências tão brancas e limpas como as que vimos estendidas na corda de secar da imprensa? Que detergente produziu tais maravilhas de inocência? Quais os seus ingredientes? Dois, pelo menos. O primeiro é este: antes de se meter nestas coisas, o cidadão precisa de adquirir previamente, nos saldos da vida, o perfil "moral" apropriado. Os personagens da história, como lembraram os próprios ou o seu clube de fãs, são "referências", sobrecarregadas de virtudes, méritos, talentos e opções políticas correctas. Tornaram-se predestinados, cuja cotação moral já não depende dos seus actos. Criticá-los só deixa mal quem critica. O segundo ingrediente é este: convém ter o cuidado, como tiveram neste caso sucessivas gerações de presidentes, vereadores e funcionários, de criar hábitos e precedentes, sem deixar que se estabeleçam regulamentos e controle. Estamos aqui perante o ovo de Colombo da irregularidade: onde não há regras, ninguém pode violar regras. Eis por que, neste caso, nenhuma legalidade foi de facto beliscada, e nada de "anormal" se fez. Com estes passes de mágica, qualquer de nós pode pôr tranquilamente a consciência a dormir em qualquer casa: todas as acusações parecerão mesquinhas, nenhuma terá base legal, e a descida de Portugal no índice da Transparency International continuará a ser um mistério. Valerá a pena notar que muitos casos de "envelopes pardos" também começam assim, com vazios legais e pessoas insuspeitas, prontas para se justificar pelas suas "circunstâncias"? O Inferno não está apenas cheio de boas intenções, mas também de boas consciências.


Rui Ramos, Público

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João Gonçalves 8 Out 08

Vital Moreira sobre as "habitações municipais", aqui e aqui. «Mesmo que não houvesse o inaceitável regime de favor agora conhecido, considero a gestão municipal de um património habitacional (...) como legalmente infundada e politicamente descabida.(...) Mesmo os amigos e admiradores deveriam saber reconhecer e existência de situações de favor, quando elas são indesmentíveis. E no caso da esquerda, ainda menos se torna compreensível a indulgência ou complacência com tais situações.»

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