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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

PALIN E A MACACA VELHA

João Gonçalves 3 Out 08


Só li um ou dois títulos e consigo imaginar o que a blogosfera do "partido único universal" escreveu ou escreverá sobre o debate Palin/Biden. Um acaso de menos sono permitiu-me ver a coisa no computador. Nada do que eu poderia colocar aqui substitui esta prosa de Reinaldo Azevedo na Veja. É isto mesmo. Sem tirar nem pôr.


«Não duvidem de que todas as pesquisas de opinião dirão que o democrata Joe Biden venceu o debate travado ontem à noite com a republicana Sarah Palin, ambos candidatos à Vice-Presidência dos EUA: ele na chapa de Barack Obama, ela, na de John McCain. Comecemos pelo óbvio: não, não houve desastre. Mesmo os que responderam às enquetes da democratíssima CNN consideraram, com a esmagadora maioria de 84%, que ela foi “melhor do que a expectativa”. Isso é importante e quer dizer, sim, alguma coisa: há 15 dias, insiste-se em caracterizar Sarah como uma estúpida, uma cretina da pior espécie, capaz de declarar guerra à Rússia e de reduzir seu apreço pela ecologia ao batismo de uma das filhas com o nome de uma baía. Num caso, trata-se de uma mentira em sentido clássico: o oposto da verdade. No outro, transformou-se uma nota de bom humor numa resposta técnica.Quem ganhou, de fato, o debate de ontem? Ninguém. Os dois alternaram bons e maus momentos. Poder-se-ia dizer que ela venceu se considerarmos que se imaginava que saísse dali para casa, tendo de ser substituída na chapa. E ela esteve longe disso. Mas ela também perdeu, não é? Afinal, não ter tido uma vitória acachapante para quem está sob tanta pressão pode ser considerado uma espécie de derrota. A questão, no entanto, é saber: havia alguma possibilidade de ela “vencer”, ainda que tivesse quebrado as pernas de Biden? Não. Sua derrota já estava decidida. O debate, como ela mesmo apontou, teve mais passado do que futuro. Biden fez questão, o que foi apontado com propriedade por Palin, de passar o tempo emitindo juízos de valor sobre o governo Bush, o mais impopular da história. Combatia menos a adversária presente do que o atual presidente, tentando atribuir a McCain a condição de mero estafeta de Bush, continuador da sua obra. É mentira! Mas e daí? Se Sarah era mesmo uma besta, vai ver teve o “Estalo de Vieira”. Afinal, conseguiu sustentar um debate com um dos mais experientes senadores democratas e dar-lhe algumas invertidas até muito duras — e sem saber, afinal, o que viria lá da mediadora, que não decepcionou: ajudou muito o democrata. Explico essa questão em particular antes que avance. Gwen Ifil indagou como seria o governo de cada um dos presentes caso viesse a faltar o titular. É evidente que se trata de um foguete atirado contra Sarah Palin. E é fácil entender por quê. Sim, McCain tem uma vice pior do que ele; e Obama, um vice melhor. Entenderam ou preciso desenhar? Obama eleito, caso morresse, seria substituído por um senador experiente. Mas sabemos que, digamos, McCain está mais perto do fim do que o democrata, ao menos por causas naturais. Assim, tenha sido este o intuito ou não, a pergunta funcionava também como um alerta. Sarah saiu-se bem na resposta, afirmando, genericamente, que levaria adiante um governo baseado nos mesmos princípios. A pauta, por mais que se negue, era democrata. Veja-se outra questão: o aquecimento global. Há uma diferença nada sutil entre indagar sobre medidas para conter o problema e fazer como fez Gwen: é ou não o homem que está aquecendo o planeta? O consenso, que não é cientifico, mas apenas político, reza que sim. Ocorre que há gente séria às pencas que sustenta que o fator humano é apenas uma das causas. E foi essa a resposta de Sarah, que lembrou que seu Estado tem um fundo de combate ao aquecimento. Biden entrou com tudo: sim, é inequivocamente o fator humano. É o que o “consenso” quer ouvir. No item sobre questões de comportamento, Gwen deixou, por exemplo, o aborto de lado para discutir o casamento gay. A republicana afirmou que reconhecia, como casal, a união do homem com a mulher, mas que não se opunha à concessão dos direitos civis aos homossexuais. E ambos acabaram dizendo, sem diferenças, que não defendem o “casamento gay”. É evidente que Sarah tinha a grande desvantagem de ser ali a representante do partido de George W. Bush. E Biden, macaca velha, não perdeu a chance de falar menos de futuro do que de passado. Tentou caracterizar McCain como a continuidade da política beligerante de Bush. Embora seja ele, reproduzindo fala de Obama, a sugerir que os EUA podem fazer uma intervenção no Paquistão, ainda que à revelia do governo daquele país. A abordagem dos jornais desta sexta, aposto, mundo afora, parecerá saída de uma mesma máquina de produzir análises — e, de certo modo, isso é mesmo verdade. Vai-se dizer, com contrariada benevolência, que Sarah evitou o vexame ou coisa parecida. Vale dizer: ele era já um dado da equação, que precedia o confronto em si. Tivesse ocorrido, seria exibido com todas as letras. Como não ocorreu, então vai se dizer qualquer coisa como: “É, vexame não houve, mas Biden foi muito melhor”. Convenham: tal análise já estava pronta antes do debate. »

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O DR. COSTA NO SEU SUBMUNDO

João Gonçalves 3 Out 08


Na inimitável "Quadratura do Círculo" o dr. Costa, presidente da CML e ilustre dirigente do PS absolutista, acusou a blogosfera de ser um "submundo" que manifestamente o repugna. Bastou olhar para a cara dele quando começou a falar da coisa para perceber que, se pudesse, vontade não lhe faltava para suprimir o referido "submundo". Pacheco Pereira "salvou" um por cento da blogosfera desse "submundo" e adiantou que esse um por cento valia por muitas das coisas que se publicam e exibem na tranquila "superfície" desejada por Costa. Concordo com isto e também abomino o anonimato. Tal como acho que noventa e nove por cento do que se escreve nos jornais, se ouve na rádio e se vê na televisão é "submundo". Todos os dias , aliás, me deparo com a dificuldade em descobrir na percentagem que resta algo que me ilumine, esclareça e não me meta nojo. Aliás, mais valia ao dr. Costa ter estado calado. Será que ele ainda não reparou que até uma respeitável instituição como a CML possui um anónimo "submundo" que o presidente não domina, não conhece e manifestamente receia?

A LIBERDADE NO QUARTO

João Gonçalves 3 Out 08

«Horta, 02 Out (Lusa) - A líder do PSD acusou, quinta-feira, nos Açores, os socialistas de "quartar a liberdade das pessoas" de forma "subtil" para manter o poder, alertando que nada muda enquanto os eleitores votarem PS.» Nos cursos de "comunicação social e cultural" não ensinam os meninos e as meninas a ler e a escrever? Ou o candidato a jornalista julgava que a senhora queria dizer que a liberdade está metida num "quarto" em vez de estar coarctada?

Adenda: A "rectificação".

UM REGIME REPUGNANTE

João Gonçalves 3 Out 08


«As celebrações do aniversário da República comemoram "um regime que seria repugnante para os dias de hoje".»

Rui Ramos, citado no pnetliteratura

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