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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

DISSIMULAÇÃO

João Gonçalves 25 Set 08


O Parlamento aprovou, de novo por unanimidade, um novo estatuto para os Açores. E a unanimidade "deixou" passar um artigo que é inconstitucional. A seguir à votação vieram umas "Madalenas arrependidas" mencionar a ocorrência: Mota Amaral, Paulo Rangel, o sr. Melo do CDS e António Filipe do PC. Não se percebe, contudo, por que é que estas almas votaram a favor. Pelo PS falou o sr. Ricardo Rodrigues que se congratulou (ele pouco mais sabe fazer) e pelo BE apareceu o sr. Fazenda que em todo este processo nunca escondeu a acrimónia contra Cavaco, fazendo a "interpretação autêntica" do sentido da votação. Ou seja, eles sabem que nós sabemos que eles sabem que aprovaram legislação inconstitucional, mesmo que um senhor professor catedrático da FDL - de seu nome Novais e que foi assalariado jurídico de Jorge Sampaio em Belém - siga mais ou menos a cartilha do sr. Fazenda ao apelidar de "ridículas" as questões colocadas pelo Chefe de Estado. Dito isto, esta unanimidade não honra o Parlamento porque configura um acto dissimulado, já que foi imediatamente desmentida a sua "autenticidade" em prosas avulsas. Ou seja, houve votos que corresponderam àquilo a que, no direito, se apelida de declarações não sérias. Alguém quer festa.

AFINAL AINDA HAVIA OUTRA

João Gonçalves 25 Set 08

Ana Sara Brito, a emblemática "Joana D'Arc" de Manuel Alegre nas últimas presidenciais e actual vereadora de Costa em Lisboa, também tinha a sua casinha municipal*. Antes de Costa, Brito já tinha passado por Sampaio com o "pelouro" da habitação social. Santana Lopes está cada vez mais próximo de voltar ser candidato e, quem sabe, do resto. Deus não dorme.

*excelente trabalho de investigação jornalística de Francisco Almeida Leite no Diário de Notícias.


O FIEL JARDINEIRO

João Gonçalves 25 Set 08


O Correio da Manhã faz capa com a indústria farmacêutica e com uma "história" típica. Parece que infelizmente todos, ou quase todos, precisamos de remédios. Ainda outro dia "revelaram", como se isso fosse novidade, que o aumento da compra de anti-depressivos não pára de crescer. A infelicidade também não. Sucede que a felicidade dos pequenos e grandes impérios farmacêuticos varia precisamente na razão inversa à dos respectivos consumidores. Perto da minha casa existe uma farmácia idêntica a uma loja "extra". Está aberta todos os dias até à meia-noite. Tenho observado o seu crescimento e a alegria dos seus jovens proprietários. Talvez mais do que ser cangalheiro - agora "multinacionalizados" - valerá mais a pena ser farmacêutico. Entre nós, existe um organismo oficial, o Infarmed (que supostamente "controla" esse mercado) e a Apifarma que reúne os laboratórios privados e que se encarrega do "lobbying" do "emporio". O CM conta-nos que esta última colocou recentemente como seu director executivo um antigo presidente do Infarmed, o dr. Rui Ivo. Com uma licença sem vencimento concedida pela actual direcção um mês depois de ele estar na Apifarma (ou seja, ainda ligado ao Infarmed), Ivo passou para o outro lado do espelho com a tranquilidade promíscua da gente que costuma servir (e servir-se) do regime. Não será completamente ilegal mas é seguramente pouco ético. Ivo não deixa de ser - é essa a sua carreira originária - um funcionário público, isto é, alguém que jurou defender "com lealdade" o interesse público, um velho conceito em vias de extinção. O livro definitivo sobre os meandros da indústria farmacêutica continua a ser O Fiel Jardineiro de John Le Carré. Brutal e simultaneamente encantadora, a escrita de Le Carré resume o fundamental. É óbvio que o livro retrata um caso levado ao paroxismo pelo "mercado" farmacêutico e da investigação medicamentosa. Por aqui, mais modestos e mais "chicos-espertos", é sempre um problema de lugares, de influência e de, obviamente, dinheiro. Contudo - e a "história" de Rui Ivo só o confirma - permanecem actuais estas palavras de José Pacheco Pereira de há uns meses atrás: «Se há lobby em Portugal, com grande presença na Assembleia e nos partidos, é o das farmácias e da indústria de medicamentos. Se se quiser estudar os lobbies e o poder político em Portugal este é dos mais activos e dos mais antigos.» Haverá, porém, alguém interessado em "estudar" alguma coisa que incomode o discreto fluir da complacência geral que tomou conta deste Portugal de pequeninos?

NOTÍCIAS DO "BLOQUEIO"

João Gonçalves 25 Set 08

«O facto de o Expresso só ter tido acesso ao dossier [sobre o processo de licenciatura do eng. Sócrates] meses depois de a Comissão de Acesso aos Dados Administrativos ter ordenado à Entidade Reguladora para a Comunicação Social para divulgar o conteúdo do "processo Sócrates", levando uma especialista em Direito da Comunicação Social a afirmar que a entidade criada para assegurar "o livre exercício do direito à informação e à liberdade de imprensa" agiu, neste caso, "como instrumento de impedimento da liberdade de informar e de ser informado" é a gota de água num processo que desacredita, de forma irremediável, a qualidade da nossa democracia. E quando um dos conselheiros, favorável à audição do primeiro-ministro, garante que foi alvo de "insultos, ameaças e intimidações" nas reuniões da ERC, só nos ocorre perguntar como é que tudo isto se tornou possível.»

Constança Cunha e Sá, Público


«Os alunos não têm que passar mais tempo nas aulas: basta diminuir a carga, de resto muito ideológica, das áreas curriculares não-disciplinares. A disciplina de Português não tem que ensinar tolerância e multiculturalismo, mas gramática e ortografia. A disciplina de Matemática não tem que ensinar a respeitar a opinião dos outros, mas que 1+1=2 (independentemente das opiniões). Só uma escola onde se ensina que 1+1=2 pode ensinar o respeito pelos outros. Porque respeita o conhecimento, respeita os alunos, respeita as famílias e respeita os contribuintes que a pagam.»

Pedro Picoito, Público

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NÃO FICA NADA

João Gonçalves 25 Set 08



Estou sempre a voltar ao São Carlos pelas piores razões. À beira de iniciar a temporada lírica com uma "herança" de Pinamonti - a segunda "jornada" de O Anel do Nibelungo, Siegfried, encenada por Graham Vick -, a direcção do Teatro tratou com os pés o maestro do coro, o italiano Giovanni Andreoli, que recusou o contrato de trabalho por seis meses proposto pela OPART e pelo director artístico Christoph Dammann, "heranças" de Mário Vieira de Carvalho. «Eu fiquei a conhecer a temporada deste ano pelos maquinistas do teatro. Eu, maestro do coro, não conhecia a programação», disse Andreoli ao Público. Dammann é objectivamente (já deu para ver) um mau director artístico do nosso único teatro lírico. E a OPART é uma péssima "solução" de gestão. O Augusto M. Seabra, aliás, explicou isto perfeitamente. Embora não haja praticamente ministro da Cultura desde Julho de 2000, conviria a José António Pinto Ribeiro colocar um termo a estas aberrações que acabam por custar muito dinheiro aos contribuintes, a maioria dos quais nunca pôs os pés em São Carlos e nem sequer sonha como é que aquilo "funciona". Tudo somado, este mandato da "esquerda moderna" em maioria absoluta é irrecomendável em matéria de cultura. O pouco que "mudou", mudou para pior. Não houve nada. Não fica nada.

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