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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

AS AGÊNCIAS DE SABÕES

João Gonçalves 18 Set 08


«O exercício do poder democrático é que pode - ou não - aproximar o político do cidadão. Essa aproximação será assim mediada pela relação exclusiva do político com o eleitor, e não por uma terceira parte que vende os seus serviços a quem oferecer mais. Esta terceira parte, as agências de sabões, é que verdadeiramente acaba por afastar o cidadão da política. Isto é importante para a saúde da politeia e de caminho evitamos os aldrabões de feira.»

Filipe Nunes Vicente, Mar Salgado

O SR. NOGUEIRA E O PS

João Gonçalves 18 Set 08


A prova de que o PS "usa" as questões de costumes conforme lhe dá mais jeito, está na circunstância de recorrer à disciplina de voto parlamentar para contrariar - e contraria bem, mas isso é outra conversa- um projecto do Bloco destinado a viabilizar os casamentos entre same sexers. Para o PS, a coisa deve ser arremessada para a próxima legislatura. Provavelmente Sócrates acha que o seu partido já deu o suficiente para o peditório "esquerda-caviar" e já mostrou ao mundo que é de esquerda por causa do aborto, do divórcio e de mais duas ou três insignificâncias "simbólicas". Não sei o que é que os same sexers "PS friendly", sempre tão excitados com a "modernidade" evidenciada pelo seu partido de eleição, pensarão disto. Uma coisa é certa. O sr. Nogueira (que me foi revelado, na revista Sábado, pelo José Pacheco Pereira, a partir de um programa da Terese Guilherme), terá afirmado para as câmaras, diante da mãe, da mulher e de dois filhos que, por 250 mil euros , até "aviava" dois homossexuais. Isto depois de não ter negado que batia na mulher, que era mulherengo (muita "saída") e que se fingiu de epiléptico para fugir à tropa. O PS, no fundo, é selectivo nas questões de costumes porque precisa do eleitorado tipo "sr. Nogueira/Teresa Guilherme" e não dos pobres "friendly" minoritários. Não é por acaso (percebo-o agora) que a SIC não se tem poupado em mostrar o sr. Nogueira e a sua meia-hora de fama. Como escreve JPP, o senhor limitou-se a "vender" a sua hipocrisia publicamente e «essa é a vida real lá fora e não é com pessoas como o sr. Nogueira que se deve ser moralista". Porque o que mais há é «os que são como o sr. Nogueira e estão sempre a dizer-nos que não o são.»

A NOVA ACÇÃO NACIONAL POPULAR

João Gonçalves 18 Set 08


Durante mais de trinta anos o PS conviveu bem com a votação dos emigrantes por correspondência. De repente, o PS doméstico e as delegações que possui lá fora desataram a atacar a lei eleitoral para acabar (dizem eles sem risota) com as "fraudes". Isto quer dizer que, durante mais de trinta anos, o PS não se importou nada com as aludidas "fraudes". A maioria absoluta exige muito trabalho de sapa. Não nos tomem é por tolos.

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O ROSTO DEVASTADO

João Gonçalves 18 Set 08


Não, não é a chamada "grande literatura". Aliás, ela não produziu propriamente grande literatura. Escreveu, porém, O Amante. Ganhou prémios e muito dinheiro com ele. Foi, como se costuma dizer, "reconhecida". A Sábado ofereceu-o ontem, na irrepreensível tradução de Luísa Costa Gomes e de Maria da Piedade Ferreira (como é produto espanhol, a Gomes passou a "Gomez" e a capa é uma cena do filme homónimo). Li e reli, vezes sem conta, esta pequena obra-prima, esta "revelação" de Marguerite Duras sobre ela mesma e sobre o que de nós existe naquela "história". Ao contrário do título de Cormac, este livro é para velhos. Só o decurso do tempo - que significa invariavelmente morte e a ruína (o livro não "fala", aliás, de outra coisa) - permite entender o esplendor das palavras sempre cruéis de Duras. Ora um livro que começa assim não pode deixar de ser um grande livro. «Um dia, já eu era velha, um homem dirigiu-se-me à entrada de um lugar público. Deu-se a conhecer e disse-me: - «Conheço-a desde sempre. Toda a gente diz que você era bonita quando era nova, vim dizer-lhe que, para mim, acho-a mais bonita agora do que quando era jovem, gostava menos do seu rosto de mulher jovem do que daquele que tem agora, devastado.»

A FORÇA DO PC

João Gonçalves 18 Set 08


«Jerónimo de Sousa reduziu o debate ideológico aos problemas concretos dos portugueses. Daí à famosa "afectividade" que supostamente o distingue foi um passo que se acelerou com a eleição do eng.º Sócrates e com o "socialismo de mercado" que actualmente nos governa. Pode-se dizer que a necessidade de controlar o défice, o arranque de algumas reformas e o progressivo esvaziamento dos direitos adquiridos é um terreno fértil ao florescimento do PCP e à demagogia de grande parte das suas propostas. Como se pode dizer que o projecto apresentado pelos comunistas não tem viabilidade, nem representa qualquer tipo de alternativa. Mas não se pode ignorar que grande parte da força que o PCP tem, neste momento, ultrapassa um modelo de desenvolvimento que nem sequer existe e se prende com a hipocrisia de um sistema cada vez mais desigual que privilegia os fortes e prejudica os fracos. A sobranceria do Governo e de grande parte da comunicação social em relação às questões sociais revela um arrivismo insuportável e uma total incompreensão da realidade humana e dos problemas dos mais desfavorecidos. Entre o autismo de uns e os êxtases liberais de outros, o triste quotidiano de grande parte dos portugueses fica necessariamente de fora, entregue à afectividade (se é isso que lhe querem chamar) de qualquer Jerónimo de Sousa.»

Constança Cunha e Sá, Público

ALARVIDADES

João Gonçalves 18 Set 08

Acabo de ouvir o Pedro Marques Lopes no programa do Francisco José Viegas na Antena 1. Felizmente só apanhei o final. A mais recente aquisição do "eixo" da dra. Clara Ferreira Alves foi buscar Fátima a pretexto - alarve - da direita religiosa americana. Disse o engraçadinho que não se pode levar a sério essa ideia de uma Senhora que "desce" a uma árvore para falar aos pastorinhos e transformar isso num milagre. E riu-se muito com a gracinha. Fátima é o que é. O que não é de certeza é um "mote" para gozo de quem não percebe nada do que está a falar. As companhias estão a dar cabo da pobre cabeça do Pedro. Isto pressupondo que ele tem uma. É pena que o Francisco ache que tem.

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