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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

O JAZIGO DE FAMÍLIA

João Gonçalves 15 Set 08

Aquilo que está a dar na RTP1 (são 23 horas e mais alguns minutos) é o quê? A Fátima Campos Ferreira de visita ao jazigo de família?

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LOVE STREAMS

João Gonçalves 15 Set 08


Afinal era num tribunal. Ao saber que a filha fica "confiada" ao pai, Gena Rowlands colapsa sem qualquer colapso. Deita-se apenas no chão. Pura impotência. Mais adiante - revi o filme graças à amizade e à habilidade "tecnológica" do Zé Maria e do Nuno Fonseca - Rowlands está no psiquiatra (em 1984 dificilmente estaria com um psicólogo) e ambos fumam (vejam lá). Rowlands explica que o amor é uma corrente ("love streams") e, como tal, é contínuo. Não pára. Tudo o que lhe acontece - a família esfarelada, a vida absurda - resulta de essa corrente poder ser interrompida, o que ela recusa. Aí entra o psiquiatra. Diz-lhe que, contrariamente ao que ela pensa, o amor pára ("it stops"). E pára mesmo. Se calhar, o papel do psiquiatra é precisamente o de nos dizer que o amor pára. Ele é necessário porque não existe qualquer corrente de amor em regime de continuidade. É ele que devolve "realismo" ao absurdo gerado pela não compreensão do fim da corrente. Talvez o essencial se resuma, afinal, ao meu querer que haja uma corrente infinita e ela não estar lá. Nunca. Daí o álcool, os comprimidos, os amantes furtivos. Deus? A Duras tinha uma "fórmula" cruel para dizer isto. O álcool tomou o papel de Deus. Substituiu-O. Será verdade? Os personagens de Cassavetes começam a beber logo de manhã. E porquê este arrazoado? No 2º volume de Tudo o que não escrevi, Eduardo Prado Coelho está a dada altura numa retrospectiva de filmes de John Cassavetes em Paris. E acerta. «Cassavetes filma o dentro dela, com as suas convulsões e precipitações, as suas cores afectivas, filma o medo da respiração, filma o prazer, o espasmo, a angústia, o último reduto do corpo (...). Tem a capacidade de mostrar a degradação, sem se atribuir, ou nos atribuir, um lugar de arrogância, filma tudo, filma-se em tudo (...). Cassavetes embate contra os muros, investe, insiste, relança-se, fere-se na ressaca das imagens, esfrangalha-se contra a sua própria impotência, e vence, em última instância, por um lance improvável.» O cinema de Cassavetes - a corrente, "love streams" - «é sempre o grito interminável da solidão». Ámen.

A ILUSÃO ANTES DA REALIDADE

João Gonçalves 15 Set 08



Hoje é mais um dia dedicado ao ilusionismo. Abrem as escolas e algumas têm direito a visita do Estado, desde o PR ao primeiro-ministro. É evidente que as escolas com direito a visita foram escolhidas a dedo. Decerto ninguém estará disponível para mostrar a Cavaco ou a Sócrates escolas sem auxiliares, sem paredes ou desprovidas do elementar papel higiénico. As escolas que vamos ver nos telejornais serão "exemplos" seguros de "progresso" e de "modernidade". Lavadas e recauchutadas para nos fazer crer que estamos num país a sério. A natureza das coisas encarregar-se-á, uma vez encerrado o espectáculo, de devolver a realidade.

HUMILDADE DO HOMEM, HUMILDADE DE DEUS

João Gonçalves 15 Set 08


«Paul n’annonce pas des dieux inconnus. Il annonce Celui que les hommes ignorent et pourtant connaissent : l’Inconnu-Connu. C’est Celui qu’ils cherchent, et dont, au fond, ils ont connaissance et qui est cependant l’Inconnu et l’Inconnaissable. Au plus profond, la pensée et le sentiment humains savent de quelque manière que Dieu doit exister et qu’à l’origine de toutes choses, il doit y avoir non pas l’irrationalité, mais la Raison créatrice, non pas le hasard aveugle, mais la liberté. Toutefois, bien que tous les hommes le sachent d’une certaine façon – comme Paul le souligne dans la Lettre aux Romains (1, 21) – cette connaissance demeure ambigüe : un Dieu seulement pensé et élaboré par l’esprit humain n’est pas le vrai Dieu. Si Lui ne se montre pas, quoi que nous fassions, nous ne parvenons pas pleinement jusqu’à Lui. La nouveauté de l’annonce chrétienne c’est la possibilité de dire maintenant à tous les peuples : Il s’est montré, Lui personnellement. Et à présent, le chemin qui mène à Lui est ouvert. La nouveauté de l’annonce chrétienne ne réside pas dans une pensée, mais dans un fait : Dieu s’est révélé. Ce n’est pas un fait nu mais un fait qui, lui-même, est Logos – présence de la Raison éternelle dans notre chair. Verbum caro factum est (Jn 1, 14) : il en est vraiment ainsi en réalité, à présent, le Logos est là, le Logos est présent au milieu de nous. C’est un fait rationnel. Cependant, l’humilité de la raison sera toujours nécessaire pour pouvoir l’accueillir. Il faut l’humilité de l’homme pour répondre à l’humilité de Dieu.»

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