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portugal dos pequeninos

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UM QUARTO DE HORA ANTES

João Gonçalves 11 Set 08


«Dominam os bonzos e os seus subprodutos, sejam endireitas ou canhotos, nesta ditadura da incompetência, para utilizarmos terminologia dos últimos tempos da I República, o tal regime que caiu um quarto de hora antes da Grande Depressão.»

José Adelino Maltez, Sobre o tempo que passa


«A Europa, por seu turno, tem muitos problemas de liderança, mas descobriu uma unanimidade: se não há um guerreiro, então todos são uma espécie de sombra do que não existe. Daí a necessidade da renovação contínua das chefias de partidos todos iguais. Estes funcionários parecem grandes maestros que fingem reger orquestras, agitando as mãos; e os músicos, claro, a ignorarem os gestos sem nexo. A cada sósia sucede-se outro sósia, cada um deles imerso na fantasia do poder.»

Luís Naves, Corta-Fitas

MRS. PALIN

João Gonçalves 11 Set 08


«Obama não ganhou um voto com a péssima escolha de Joe Biden, enquanto deixava Hillary Clinton à margem. A qualidade de um político mede-se também por estas escolhas: quem está seguro da sua capacidade de liderar não receia designar um número dois que possa fazer-lhe sombra...»

Pedro Correia, Corta-Fitas

NOTÍCIAS DO "BLOQUEIO"*

João Gonçalves 11 Set 08


Tal como aconteceu a José Medeiros Ferreira na fase da "consolidação" do regime, os meus sentimentos em relação a Mário Soares oscilaram. Já apreciei bastante e já detestei o suficiente. Soares, neste momento, é-me tão indiferente como o museu dos Coches. Foi, todavia, um bom PR até ao dia em que decidiu substituir Guterres na meritória tarefa de expulsar Cavaco de São Bento. Por acaso Cavaco poupou-os ao exercício, protestando, com meses de antecedência, a sua própria saída. São, a meu ver, incomparáveis como chefes de Estado. Apesar da suspeita, não creio que Cavaco esteja a "ajudar" Ferreira Leite no sentido em que Soares "ajudou" o PS a voltar ao poder antes de ele deixar a presidência. Cavaco é demasiado institucionalista para a política de perna traçada com charuto e arrotos. Não aprecia. Sobre os Açores - uma intervenção que é vista como "despropositada" quando Soares, em 86, fez exactamente a mesma coisa e com direito a hino antes e depois do discurso - Cavaco foi institucionalista. Sobre as promulgações, também, embora pudesse ter evitado "comunicados" que só servem para alimentar as mentes doentias e medíocres dos "comentadores". Sobre o divórcio, Cavaco foi ele mesmo (com todo o direito a sê-lo, aliás) sabendo que o regime instalado no parlamento (do BE a franjas "modernaças" do PSD) fará, como já anunciou, orelhas moucas às suas observações. Cavaco é um profissional no sentido mais límpido do termo. É natural que já tenha percebido de que "matéria" é feita esta maioria, este governo, este regime e, sobretudo, este primeiro-ministro. Mas não será dele - ao contrário de Soares - que partirá o tiro de misericórdia. Nem o estou a ver na FIL a promover "congressos" alternativos aos dos partidos para irritar o chefe do governo. Cavaco, porventura por causa das "circunstâncias ocorrentes" (termo tão caro ao Doutor Salazar), poderá vir a ter de desempenhar um papel mais "activo", depois das eleições de 2009, se não existir uma maioria absoluta de nenhum partido. Pessoalmente, desejo-o. É a oportunidade de mudar o regime. De regime. Num "sentido" mais presidencialista, independentemente do PR. Em 2009, os partidos estarão cinquenta vezes mais desacreditados do que já estão. E vai acontecer o que aconteceu em Lisboa, no verão passado: uma eleição com um vencedor precário, escolhido por pouco mais de dez por cento dos que podem votar. Sócrates teve uma maioria absoluta e, fora o circo e a criação de uma reserva natural de papagaios, ficará para a petite histoire como um grande anunciador que corre razoavelmente bem. Deixa, sob o pomposo nome de "reformas", uma fantasia. Talvez seja isto que Cavaco está a pressentir quando, par delicatesse, "chama a atenção". Ele não "bloqueia" ninguém. O que não consente, naturalmente, é que o "bloqueiem" a ele.

*O título do post pertence a um belíssimo poema de Egito Gonçalves que pode ser lido aqui.

TESTE DE POPULARIDADE

João Gonçalves 11 Set 08



Quem é que me convida para ir ver a herege cinquentona a Chelas?

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O ESGOTO

João Gonçalves 11 Set 08


«Em Portugal, no ano de 2008, a comunicação social parece-se cada vez mais com os tablóides rascas dos mais rascas tablóides. Sem apelo nem agravo, a comunicação social atira-se ao que lhe interessa porque sim mas porque está cada vez mais subordinada e portanto esventra, destrói, inventa, tritura, não volta atrás e não pede desculpa. A arrogância dos jornalistas, estranha corporação de autonomeados justiceiros, conduz a profissão para um esgoto muito estreito que desagua aqui aos nossos pés. Basta olhar para um jornal ou abrir o televisor.»

Fátima Rolo Duarte


(Foto: MTV)

FILHOS DE UM DEUS MENOR

João Gonçalves 11 Set 08

Não dei por "o país que se vê", a começar pela máquina comunicacional do governo, festejar as vitórias portuguesas nos "jogos paralímpicos". Pelo menos com o idêntico entusiasmo mediático que dedicaram a Évora e à Fernandes. A alegria daqueles homens e daquelas mulheres é diferente da que convém mostrar sobre o "país das maravilhas"? Eles não contribuem para o famoso "optimismo" que Sócrates descobriu em todas as suas derradeiras intervenções públicas pós-verão? Serão, de facto, filhos de um Deus menor?

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