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portugal dos pequeninos

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ELOGIO DO ACASO

João Gonçalves 6 Set 08

«Sempre me espantou o modo como passamos o tempo a fazer cenários com base na experiência do passado, sem nunca aprender que, no que mais conta, é o inesperado que acaba sempre por talhar o futuro. E reincidimos constantemente nisto, como se uma instintiva recusa da contingência do mundo e dos seus acontecimentos estivesse inscrita no nossos genes, com tanta força quanta a da necessidade de previsão. É da ilusão assim criada e alimentada que vivem hoje, por todo o mundo, exércitos de analistas – económicos, políticos entre outros – que em geral só acertam no que é completamente irrelevante e continuam a fazer profecias como se isso pouco contasse.»

Manuel Maria Carrilho, in Contingências

O VERMELHO E O NEGRO

João Gonçalves 6 Set 08


No carro, a caminho de um mergulho, ouço o dr. Fernando Seara, presidente da Câmara de Sintra, entrevistado na "festa do Avante". Seara "queixava-se" de não ter sido convidado para outras "festas", designadamente a do PSD (referia-se, certamente, à "universidade de verão"), razão pela qual preferiu a Atalaia. Seara só é importante no regime porque é do Benfica e porque aparece em público a "comentar" a bola. Foi isso - e uma horrível Edite Estrela - que o elegeu em Sintra e será isso, se calhar, que o poderá tornar no próximo presidente da CML. Não se lhe conhece, todavia, nenhum outro contributo particular para o esplendor da nação. Seara é apenas mais um nesse friso de pendor "stendhaliano" que é a elite do PSD. Pobre Manuela.

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MULHER-FURACÃO

João Gonçalves 6 Set 08

Criou-se uma invulgar tensão em torno do que a dra. Manuela Ferreira Leite vai dizer amanhã, ao meio-dia, em Castelo de Vide. Tal como os furacões e as tempestades tropicais, convém não desiludir os jornalistas, esses novos teólogos da "modernidade" que determinam o que é o bem e o que é o mal.

RUPTURA

João Gonçalves 6 Set 08


Ainda o Eduardo Prado Coelho, numa página aberta no acaso do seu "diário" (o livro da foto corresponde à dissertação de doutoramento sobre as "modalidades da descontinuidade no processo do saber" e trata-se um livro perfeitamente "actual" naquilo que o termo "actual" não contém de patético, de imbecil e de irrelevante): «Tudo ganha coerência aos meus olhos. A fascinação que regularmente sinto de começar tudo de novo, como se o passado não existisse, a imensa sedução pela ideia da ruptura, mudança de lugar, mudança de trabalho, mudança de amor, mudança de horas, mudança de jornais, livros, paisagens e sons, não é apenas o desejo de viver tudo de todas as maneiras, mas algo que tem a ver com o apreço inconsciente por todos os conceitos de corte: mudança de paradigma, corte epistemológico.»

LOURENÇO TRIVIA

João Gonçalves 6 Set 08

Até o mais luminoso ensaísta português vivo - a expressão "luminoso" é do Eduardo Prado Coelho, não vão os leitores pensar que fui acometido de um "momento António Guerreiro" -, Eduardo Lourenço, tem direito ao seu "momento trivia". Via Eduardo Pitta:

«O Equador, como dizia o Vergílio Ferreira a respeito do Mau Tempo no Canal, é um excelente romance do século XIX. É mais interessante do que as pessoas possam imaginar. É muito clássico, até muito queirosiano, a muitos títulos. Queirosiano e aquiliniano. É talvez — não sei se foi essa a intenção dele — o último romance do Império. Do nosso Império em chamas. E aquele final é um achado: pensar que nem o português, nem o inglês — que vem dar a lição do grande imperialismo contra o pequeno imperialismo — conseguem coisa nenhuma, mas que é o africano que leva o morceau. É ele que leva a musa.»

WAGNER, DIE WALKÜRE - PIERRE BOULEZ

João Gonçalves 6 Set 08



Sir Donald McIntyre e Gwyneth Jones, Die Walküre. Direcção musical de Pierre Boulez, encenação de Patrice Chéreau. Festival de Bayreuth, 1980.

«Leb' wohl, du kühnes, herrliches Kind!
Du meines Herzens heiligster Stolz!
Leb' wohl! Leb' wohl! Leb' wohl!
Muß ich dich meiden,
und darf nicht minnig
mein Gruß dich mehr grüßen;
sollst du nun nicht mehr neben mir reiten,
noch Met beim Mahl mir reichen;
muß ich verlieren dich, die ich liebe,
du lachende Lust meines Auges:
ein bräutliches Feuer soll dir nun brennen,
wie nie einer Braut es gebrannt!
Flammende Glut umglühe den Fels;
mit zehrenden Schrecken
scheuch' es den Zagen;
der Feige fliehe Brünnhildes Fels! -
Denn einer nur freie die Braut,
der freier als ich, der Gott!

Der Augen leuchtendes Paar,
das oft ich lächelnd gekost,
wenn Kampfeslust ein Kuß dir lohnte,
wenn kindisch lallend der Helden Lob
von holden Lippen dir floß:
dieser Augen strahlendes Paar,
das oft im Sturm mir geglänzt,
wenn Hoffnungssehnen das Herz mir sengte,
nach Weltenwonne mein Wunsch verlangte
aus wild webendem Bangen:
zum letztenmal
letz' es mich heut'
mit des Lebewohles letztem Kuß!
Dem glücklichen Manne
glänze sein Stern:
dem unseligen Ew'gen
muß es scheidend sich schließen.
Denn so kehrt der Gott sich dir ab,
so küßt er die Gottheit von dir!
»

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