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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

LEONTYNE PRICE, VERDI, ERNANI

João Gonçalves 28 Ago 08

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"O QUE É QUE SENTIU?"

João Gonçalves 28 Ago 08


O senhor conselheiro Pinto Monteiro anunciou a criação de umas "unidades especiais" dentro de quatro DIAP's, salvo erro, para "combater" a criminalidade violenta. O senhor dr. Rui Pereira, o MAI, anunciou uma alteração à chamada "lei das armas" no sentido de "facilitar" a detenção, seguida de prisão preventiva, dos malandrins apanhados em delitos com recurso a armas de fogo. Estes melancólicos gestos burocráticos raramente resolvem alguma coisa. A PGR habituou-se a "responder" aos apertos com papéis e "grupos de trabalho". E o governo legisla sempre mais um bocadinho. Não é por acaso que, ao perguntarem na televisão a um cidadão de Odivelas "o que é que sentiu" quando teve uma pistola apontada à pinha num café perto de casa, ele tenha respondido que só lhe ocorreram duas "ideias". A primeira, que dava jeito haver polícias por perto. A segunda, porventura consequência da primeira, a pena que sentiu por não ter uma arma na mão como o assaltante. É aquela coisa chata da vida ser sempre mais rica do que a nossa imaginação. A nossa, a do PGR ou a de um ministro.

ENCARNAÇÕES

João Gonçalves 28 Ago 08

A propósito disto, só queria recordar ao Eduardo duas coisas. O PS, na encarnação Guterres e quando Costa, o actual e irrelevante presidente da CML, era ministro da Justiça, "reformou" o processo penal no sentido de agravar as medidas de coacção. As cadeias encheram-se a seguir de presos preventivos desde - ironias do destino - deputados da nação até vulgares ladrões de bicicletas. Na dúvida, prisão preventiva. O PS, na encarnação Sócrates e com outro Costa na Justiça, voltou a "reformar" o processo penal para o "aliviar" da "dureza" da medida máxima de coacção. O resultado imediato foi a soltura de muitos presos preventivos, rapaziada que, de certeza, é mais dada a entrar numa gasolineira aos tiros do que nas "novas oportunidades". O problema é dos criminosos, de quem aplica a lei ou de quem, consoante a "encarnação" e os "tempos", a faz e desfaz?

O ERRO NO PLANO DE DEUS

João Gonçalves 28 Ago 08


Escreve o Baptista-Bastos, um dos poucos "autênticos" que sobrevive mesmo quando não concordamos com ele: «Henri Michaux, poeta de que gosto muito, autor, aliás, de um pequeno livro, Equador, este, sim, maior, escreveu: "Só lutamos bem por causas que nós próprios modelamos e com as quais nos queimamos ao identificar-mo-nos com elas.» Pois é. O mesmo Michaux também nos ensina que «sempre que a gente esquece o que são os homens, caímos na facilidade de lhes querer bem.» Ou, na versão "dura" de Marguerite Duras, o erro no plano de Deus. O homem, naturalmente.

BOA NOITE E BOA SORTE

João Gonçalves 28 Ago 08

Um dos comensais do post anterior - um rapaz que agrada à esquerda caviar porque «defendeu a legalização do aborto até às 10 semanas, defende o casamento das pessoas do mesmo sexo, é ateu» - diz-se de direita da mesma forma que os "verdes" do PC são "verdes". Faz parte daquela vasta trupe dita de direita que nutre, afinal, um constante temor reverencial pela "esquerda" enquanto ópio para pseudo-intelectuais. Repare-se, aliás, como ele segue o cânone à risca. Depois dos "costumes", vem Cavaco que o rapaz - o novo engraçadinho do Eixo da dra. Clara - compara a um "certo beirão" , não vá perder a oportunidade para o Daniel Oliveira ou para o próprio dr. Louçã. Como ensinava o velho Séneca, não há bom vento para quem não conhece o seu porto. Não admira que, com mabecos desta estirpe, a "direita" não vá longe. Eles vão. A direita, não. Boa noite e boa sorte.

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Guia para a construção de pequenos Obamas portugueses ou apenas dois portugueses deslumbrados ao constatarem que Catherine Deneuve frequenta casas de banho de restaurante? Seja lá o que for, é imperdível para perceber como os "novos valores" nacionais são substancialmente mais velhos do que os sessenta e cinco anos apontados com dedo malcriado à Deneuve. Como se ela tivesse idade.

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DEITADOS NO CHÃO

João Gonçalves 27 Ago 08


Há esta cena admirável em Love Streams, de John Cassavetes, um filme de 1984. Gena Rowlands - na vida a mulher de Cassavetes, no filme, a irmã, na verdade, uma grande actriz - entra num departamento qualquer (uma seguradora? o IRS?) com uma criança (a filha? o sobrinho?) para resolver qualquer coisa. Não chega ao que pretende. Deita-se no chão do escritório, em protesto pela vida que está a passar por cima dela, como se nada mais a perturbasse, indiferente ao movimento burocrático à volta, com a criança (a filha? o sobrinho?) a "puxar" por ela. Existe um "ponto" na nossa vida - aquele imperceptível quando a impotência pode mais do que a vontade - em que é isto mesmo que apetece fazer. Ficar apenas no chão e deixar que tudo nos passe literalmente por cima como, na realidade, acaba sempre por passar.

POUCA SORTE

João Gonçalves 27 Ago 08

Os EUA e o mundo perderam uma boa ocasião e uma excelente presidente. Agora vão ter de escolher entre o aprumadinho Obama e o inócuo pseudo-herói de guerra "republicano". As tretas retóricas de Obama acabarão no dia em que ele, por acaso, for eleito. Aliás, aquela festança permanente que tem sido a sua campanha está esgotada de tão foleira e óbvia que é. O outro, nem retórico consegue ser porque é demasiado pobre de verbo e conteúdo, um pouco na linha do seu antecessor. Não gabo a sorte da América.

(IN)SEGURANÇA INTERNA

João Gonçalves 26 Ago 08

Fora o PS, o resto do regime manifestou a sua perplexidade acerca das novas leis da segurança interna e da investigação penal. Os juízes até acham que foi violado o princípio da separação de poderes e que o futuro secretário-geral da coisa será um mero delegado político ao serviço da maioria de circunstância. Apesar de tonto, o PS não irá certamente indicar para o cargo um dos seus eternos "disponíveis". Deverá ficar por conta de um magistrado disposto ao "sacrifício", independentemente da magistratura (MP ou judicial) a que pertença. A esquerda - o PS, em particular, porque já leva, entre Guterres e Sócrates, uns bons anos disto, para não falar dos "idos de 80", com Soares, onde foi concebido o "sistema" em vigor na dependência do premier -, com os seus "observatórios", não se dá bem com a segurança interna. Os resquícios ideológicos e os preconceitos "culturais" tolhem-na. E existe uma retórica "apaziguadora" que passa a vida a esbarrar com a realidade. Legislar infinitamente não resolve um átomo dos problemas. Nunca se legislou tanto em matéria de justiça e segurança interna e vejam onde (não) chegámos. Este episódio é apenas mais um capítulo na triste biografia do legislador anónimo. A realidade segue, impiedosa, esta noite.

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