Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

D. MARIA ESTEFÂNIA

João Gonçalves 31 Ago 08


O Miguel Castelo-Branco recorda a sua chegada ao Continente, vindo de Moçambique há trinta e quatro anos, com «um nada e nos bolsos nem cotão havia. No aeroporto de Lisboa não havia um Guterres palrador, nem uma enfermeira, nem um padre nem ninguém. Éramos o lixo do Império que a todo o custo queriam atirar para debaixo da carpete vermelha do novo Portugal.» O Miguel provavelmente gostaria de ter assistido à repetição de um notável documentário de Joaquim Vieira, na RTP1, dedicado a Maria Estefânia Anachoreta, a representante do Movimento Nacional Feminino em Santarém, A Voz da Saudade. D. Maria Estefânia foi a Angola, em 1966, com um gravador em punho no qual levava registadas as mensagens dos familiares dos militares portugueses da zona de Santarém. Andou de companhia em companhia a reproduzir essas mensagens. Morreu em Janeiro deste ano, com 89 anos, seguramente com a energia e a lucidez manifestadas no documentário terminado seis meses antes. Uma energia que a levou - sozinha porque não teve a "benção" de "Cilinha" Supico Pinto, a presidente do MNF - aos 47 anos, até Angola, e que manteve indemne, pelos vistos, até ao fim. Quando vemos uma Ana Gomes "completamente rendida" a Obama depois do circo de Denver em que participou, como é que não podemos deixar de manifestar respeito por Senhoras anónimas como D. Maria Estefânia? É como diz o Miguel. «O país gosta dos fulanos e fulanas rabudos, dos doutorecos e doutorecas, da meia tijela, com ou sem peles, dos bajuladores, dos pequenos e grandes poltrões. Está bem, assim, na fila de trás da Europa.» Bom proveito.

A INSUPORTÁVEL VIDA

João Gonçalves 31 Ago 08

O livro da foto é porventura dos mais belos ensaios escritos por Sartre (tradução de Pedro Oom para as Publicações Europa-América, em 1966, com prefácio de Michel Leiris e dedicado a Jean Genet) e prova que a filosofia pode ser a "procura íntima da serenidade", nas palavras do Eduardo Prado Coelho. E que que um filósofo (coisa diferente de um tagarela da filosofia) é, antes de tudo, um escritor. Um bom escritor. Li-o em Tânger no acaso de uma viagem como - vejo-o agora - escrevi numa das primeiras páginas. «Baudelaire voltou-se para o passado, para limitar a liberdade pelo carácter. Mas esta escolha tem outras significações. Baudelaire tem horror à sensação do tempo a correr. Parece-lhe que é o seu sangue que corre: esse tempo que passa é tempo perdido, é o tempo da preguiça e da moleza, o tempo das mil e uma juras feitas a si mesmo e não cumpridas, o tempo das mudanças, das diligências, dessa perpétua busca de dinheiro. Mas é também o tempo do tédio, o jorro sempre recomeçado do presente. E o presente forma um todo com aquele apego insípido e tenaz que o poeta tem a si mesmo, aos limbos translúcidos da vida interior:
Garanto-vos que os segundos são forte e solenemente sublinhados e cada um deles, ao irromper do relógio, diz: «Eu sou a vida, a insuportável, a implacável vida.»

REPRISE

João Gonçalves 31 Ago 08

Juro que este post não se destina a agradar aos "camaradas" algarvios. Nem o José Apolinário, que conheci no MASP-1, nem o Gonçalo Couceiro, director regional do ministério da Cultura, precisam de "agrados". Sucede que, por uma vez, não estou de acordo com Vasco Pulido Valente. VPV critica, no Público de hoje, a directa dependência da figura do secretário-geral da segurança interna da figura do primeiro-ministro, por um lado, e o "controlo" que aquela figura vai exercer sobre todas as polícias, por outro. Também é chamado à colação o "chip" que os automóveis terão de exibir como "prova" de que as liberdades já não são o que eram. Nisto tem razão, embora, como lembra no artigo, todo o "ocidente" dito democrático tenha, depois de Setembro de 2001, preferido viver a liberdade em segurança quando não mesmo sacrificar alguma liberdade em prol da segurança. Por cá é tudo infinitamente mais leve e, sobretudo, repetitivo e inconsequente. Sócrates não inventou a roda. Mário Soares, pai da pátria e insuspeito na matéria, quando presidia ao "bloco central" de 83-85, criou o "serviço de informações da República", o "SIRP" - com dois "ramos", um civil e um militar - na sua (ele era então 1º ministro) dependência. Manifestou-se a indignação habitual, agravada pela proximidade do "25 de Abril". Apenas dez anos separavam a data gloriosa desta ignomínia. Soares, o PS e o PSD foram na altura amplamente zurzidos na praça pública e nos jornais por causa deste inopinado "regresso ao fascismo". Todavia, o "fascismo" não regressou. O "sistema", como uma ou outra nuance, serviu até agora sem grandes protestos. E serviu mais cinco chefes de governo, entre os quais dois socialistas e Cavaco. Mais. O mesmo Soares que sustentou politicamente o "sistema" foi eleito presidente da República - e com votos da mesma gente que exigira a sua cabeça em nome do putativo "regresso ao fascismo" que ele promovera através do "SIRP" - cerca de ano e meio depois do episódio. VPV admira-se com o silêncio de um Mário Soares aparentemente feliz com um Sócrates que "não erra". Queria que ele dissesse o quê?

PEQUENINOS DE PORTUGAL

João Gonçalves 31 Ago 08



Um leitor enviou-me um "mail" onde conta que tentou abrir este blogue na biblioteca de Faro e que lhe "saiu" isto:

O acesso a esta página encontra-se bloqueado por não se considerarem os seus conteúdos adequados à consulta numa Biblioteca Pública.
A Direcção

Informação:
URL = http://portugaldospequeninos.blogspot.com/

Se considerar que, neste caso, os conteúdos são didáctico-informativos, pode fazer um pedido de desbloqueio de página neste formulário

Pesquisar

Pesquisar no Blog

Últimos comentários

  • Gabriel Pedro

    Meu Caro,Bons olhos o leiam.O ensaio de Henrique R...

  • Maria Petronilho

    Encontrei um oásis neste dia, que ficará marcado p...

  • André

    Gosto muito da sua posição. Também gosto de ami...

  • Maria

    Não. O Prof. Marcelo tem percorrido este tempo co...

  • Fernando Ferreira

    Caríssimo João, no meio da abundante desregulação ...

Os livros

Sobre o autor

foto do autor