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portugal dos pequeninos

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NÃO SER DEUS

João Gonçalves 20 Jul 08


Eduardo Pitta leu em tradução espanhola a "autobiografia" do filósofo italiano Gianni Vattimo (Non essere Dio - un’ autobiografia a quattro mani , Aliberti, 2006). Em rigor, é mais uma "biografia", escrita por Piergiorgio Paterlini, do que as "confissões" do autor de "O Fim da Modernidade". Vattimo vai falando e o outro vai escrevendo. Existe um "interlocutor" com quem Vattimo "monologa", o seu jovem namorado Stefano, e esse registo - que, aliás, aprecia exibir por vezes de forma desnecessariamente "débil", para usar um termo seu, nas discotecas de Roma - nem sempre o tem favorecido junto da opinião que se publica ou dos seus "pares". Vattimo, no entanto, convive bem com isso. Acaba, aliás, por reconhecer que «riescono - lo ammetto – a farmi sentire sempre un po’ fuori posto. Non c’ è niente da fare. Mi sento e mi sentirò sempre un parvenu.» Exagera, naturalmente. É um dos melhores pensadores do nosso tempo. Um católico "mezzzo credenti" como quase todos nós.

O EMPEDRADO

João Gonçalves 20 Jul 08

Sócrates foi ao Porto ao congresso da sua "juventude". Ferreira Leite foi à Figueira da Foz a uma pinderiquice qualquer da JSD na praia. O chefe do governo aproveita estes momentos light para se fazer de esquerda. Aborto, procriação assistida, alterações no divórcio, etc., etc. são peças recorrentes nestes eventos partidários íntimos. Já Ferreira Leite surgiu preocupada com a necessidade de os jovens serem mais "empreendedores" e não dependeram tanto do subsídio, uma vulgaridade copiada do país "dos roteiros" de Cavaco Silva. Sócrates e Ferreira Leite dirigem os dois maiores partidos nacionais em tempos de "morte assistida" das ideologias. Nenhum tem nada de novo a dizer nesta matéria, embora a vantagem do poder maioritário permita a Sócrates fazer umas "flores". Ferreira Leite nem isso. Limita-se a discorrer na praia como numa aula do ISEG. É um pouco o oposto do Maio de 68. Debaixo da praia, o empedrado. A calçada portuguesa.

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A DIPLOMACIA POSSÍVEL

João Gonçalves 20 Jul 08


Sócrates esteve em Angola. Depois em Tripoli, com Kadhafi. E esta semana recebe Chávez. Isto revela o país de tesos que somos. A diplomacia da "esquerda moderna" - como, no passado, a de Barroso que está onde está não por acaso - precisa mais de dinheiro do que de proclamações em torno dos "valores ocidentais". A democracia não se alimenta de direitos humanos. Muito menos os "negócios". É por isso que os "negócios" estão à frente do resto com a desculpa da "falta de energia". Há dias houve por aí uma corrida qualquer promovida pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e a única delegação estrangeira presente era, significativamente, a da Venezuela com a qual a dra. Maria Barroso se desfez em amabilidades. Um país miserável não se pode dar ao luxo dos "valores". Sócrates limita-se a tratar da casa o melhor que pode e sabe. Daí falar tanto com quem pode e com quem sabe. Eles todos lá sabem porquê.

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