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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

LINGUAGEM E SILÊNCIO

João Gonçalves 16 Jul 08

Ferreira Leite tinha esta noite o jantarzinho da praxe com os seus deputados. Talvez lhes fale. Talvez não. Ontem visitou Sócrates para o cumprimentar. Também não falou. Pôs o dr. Borges - uma relíquia que o país conhece perfeitamente e por quem suspira - a "comentar" o dr. Constâncio e as suas previsíveis previsões. Devem ter convencido a dra. Ferreira Leite - e ela mesma deve estar convencida - de que o silêncio é a melhor forma de tratar com o país e com o mundo. Um país e um mundo que manifestamente não concordam com o chamado "país político" ao qual a dra. Leite parece ter nojo de pertencer. Acontece que ela e Sócrates são patrulha de uma mesma embarcação a que apelido de regime. Por mais que isso custe ao louvaminheiro oficioso de todos os líderes do PSD sejam eles quais forem. A alternativa, sem dúvida assustadora, seria mais ou menos esta: e se a dra. Ferreira Leite não tem mesmo nada para dizer?

DIPLOMACIA "FREUDIANA"

João Gonçalves 16 Jul 08


O governo perdoou a São Tomé uma dívida no valor de 35 milhões de dólares (22 milhões de euros). É uma gota? É. Todavia, é uma gota - ia a dizer de sangue português recordando-me de Senghor - que, juntando-se a outras, faz falta. Com Moçambique e a barragem, foi o que se sabe. Sócrates entretanto regressa a Angola para se avistar com a cleptocracia no poder. Carregamos não apenas o nosso fardo como ainda por cima ajudamos a pagar o dos outros. Isto por não termos sabido tratar da história como devia ser. Há trinta e quatro anos que praticamos, com o antigo Ultramar, uma diplomacia "freudiana". Já era tempo de crescermos.

«ALGO VAI TER DE ACONTECER» - 2

João Gonçalves 16 Jul 08

«Hoje já não somos um povo, mas uma tribo; já não somos uma nação, mas um país. Acabámos mal: desprezados pelos europeus, envergonhados do nosso passado, só nos resta um lugar marginal de bantustão no puzzle das pequenas negociatas em que caiu o velho continente. Saudosismo ? Não, vergonha por ver o meu país reduzir-se à condição de uma Sérvia, de uma Croácia ou de uma Macedónia.»

Miguel Castelo-Branco, Combustões

«ALGO VAI TER DE ACONTECER»

João Gonçalves 16 Jul 08

«Para o optimista, não pode haver problema sem a respectiva solução, de preferência sob a forma de uma "medida concreta". E assim vivemos as últimas décadas em Portugal, de "medida" em "medida". Estamos atrasados? Auto-estradas. Continuamos atrasados? Educação. Alguém reparou que as taxas de crescimento económico nunca pararam de descer? Tal como o pessimismo não é sinónimo de lucidez, o optimismo também não é de eficácia.Até agora, os que argumentavam a favor de reformas em Portugal, irritando igualmente pessimistas e optimistas, pouco mais puderam do que fazer exortações. Sim, já quase toda a gente decorou qualquer coisa acerca da nossa natalidade ou endividamento. Nada, porém, chegou para abalar a indiferença nacional. Não apenas por a fé em "salvações" ter decrescido (como notou Vasco Pulido Valente), mas sobretudo porque, no passado, nunca houve alarme que tivesse tido sequência. Em 1985, já se falava da absoluta urgência das "reformas estruturais". Foi até o pretexto para romper o Bloco Central. Mas logo a baixa do preço do petróleo e o dinheiro europeu vieram dispensar complicações. Pouco se fez e tudo correu bem. Só que, entretanto, o mundo mudou, e também neste país onde nada acontece algo vai ter de acontecer. Há quem não queira ver: uns por optimismo, outros por pessimismo.»
Rui Ramos, via Povo

NUNCA NADA DE NINGUÉM

João Gonçalves 16 Jul 08

Cada vez mais ele e só ele. Vê como é bonito aquele título "nunca nada de ninguém", da Luísa Costa Gomes, Paulo Gorjão?

QUESTÕES DE HÁBITO

João Gonçalves 16 Jul 08

Antes de ir de férias, o Pedro Magalhães "explicou" as derradeiras sondagens. Quer a dele - da Católica - quer as da "concorrência". Pormenor interessante consiste em verificar que a da "Eurosondagem", do sr. Rui Oliveira Costa para a "galáxia Balsemão", somadas as "intenções" e as "indecisões", produz uns fantásticos 102,1%. As da "Aximage", pelo contrário, não chegam aos 100% porque, explica o Pedro, "não divulga - pelo menos no site do Correio da Manhã - dados sobre indecisos, outros partidos, brancos ou nulos." Isto dificulta comparações, mas duas ou três observações são verosímeis. O PSD "ganhou" com a eleição de Ferreira Leite, embora a distância entre este partido e o do governo oscile entre o 1 e os 11% conforme a sondagem. O PS mantém-se à frente das "intenções" de voto, sem maioria absoluta. A "esquerda" do PS - PC e BE - "soma" intenções de voto na ordem dos 20, 5%. Moral da história: Sócrates está mais "ameaçado" pela sua "esquerda" e pelo mundo, em geral, do que pelo PSD. É por aí que perderá a maioria absoluta porque o "povo", infelizmente para ele, não distingue. Convém ir-se habituando à ideia.

O BOM BOMBEIRO

João Gonçalves 16 Jul 08


Chego a casa e aparece-me o dr. António Costa, num jantar do PS, a auto-elogiar-se como presidente da CML. Parece que passou um ano sobre a sua original eleição: cerca de 57 mil votos num universo potencial de cerca de 500 mil eleitores. Percebi que o dr. Costa já pagou uns bons milhares aos fornecedores - isso é bom - e que pouco mais fez. E isso é mau. Lisboa perdeu, em 2005, a hipótese de ter tido um excelente edil. Daí para diante, sucedeu-se o desastre e o dr. Costa, com o treino obtido como MAI, apareceu como o possível bombeiro voluntário. Costa é um homem íntegro e, em qualquer circunstância, a CML (ou outra coisa qualquer) estará sempre em boas mãos. Todavia, sabe a pouco. Se Costa se decidir por uma recandidatura, tem de procurar ir além da mercearia e "puxar" pelo seu indiscutível talento político. Sem o insuportável sr. Fernandes, naturalmente.

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