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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

IMPROVÁVEIS E PERIGOSOS

João Gonçalves 13 Jul 08

Sarkozy promoveu duas inutilidades quase simultaneamente. Pela enésima vez, desta vez em Paris, juntaram-se o chefe do governo israelita em exercício e o senhor que supostamente manda na Palestina. Agora é que sim. Agora é que não. É só esperar mais uns dias. Depois, reuniu a Europa com meia África e chamou-lhe "união para o Mediterrâneo". A presença do israelita foi suficiente para este "sucesso" não ter tido direito a "foto de família". Durão Barroso, com a sua habitual desfaçatez, até falou num "estaleiro" não sei de quê mas deve ser, seguramente, de qualquer coisa que lhe interessa. Sócrates esteve lá e deixou aos jornalistas a "cartilha" aprendida como ministro do ambiente e como recente "presidente em exercício" da Europa. Apenas vulgaridades num mundo improvável governado por tanta gente improvável. E perigosa.

O PACTO COM DEUS

João Gonçalves 13 Jul 08


«O Papa chamou parte da hierarquia a Roma e, talvez devidamente esclarecido, o próprio cardeal-patriarca de Lisboa resolveu reconhecer uma certa "negatividade" na catolicismo indígena. Que espécie de negatividade? Inadaptação da Igreja ao tempo, deficiências na formação dos padres, má proclamação da "Palavra de Deus". Sem cânticos, nem homilias de "qualidade", por exemplo, a juventude acha a missa uma "seca" - como se o fim da missa consistisse em a divertir. De qualquer maneira, nada disto conta. Uma fracção importante dos fiéis pensa (e sempre pensou) que o problema é a natureza "retrógrada" da Igreja em matéria de género e de sexo. Por outras palavras, na doutrina sobre a homossexualidade e nos limites que o Papa põe e reitera ao papel institucional da mulher. Os "reformadores" exigem que a Igreja acompanhe o século (sem perder, evidentemente, o "núcleo da sua mensagem") e sonham com uma Igreja democrática e conciliar. Quem leu Ratzinger, como cardeal e como Papa, sabe que ele nunca aceitará essa aventura. Para ele, qualquer cedência diluirá a "mensagem" (e não só o seu "núcleo") e, tarde ou cedo, provocará um cisma.» Isto escreve Vasco Pulido Valente hoje e eu assino por baixo. Há mais de trinta anos que Ratzinger advertiu a Igreja para se preparar para viver em minoria, para maus tempos, para as "aflições" de que fala João (16:33). Por isso, valorizo mais o "pacto com Deus" (mencionado nas palavras seguintes de Alexandre O' Neill) do quaisquer manifestações de "vulgarização" da "mensagem " que a diluem, como espuma, na futilidade e na inutilidade do quotidiano da transigência videirinha. «O exílio interior pressupõe um corte total com os meandros por onde se movimentam os chamados carreiristas, sempre prontos à transigência. O exílio interior pede uma grande força de ânimo (e um nojo não menor), a alimentação constante de um ideal, um amor sem limites à verdade, o afrontar corajoso de uma envolvente solidão, um elevado espírito de sacrifício. O exílio interior tem algo parecido com a atitude mental dos místicos: o abandono dos pactos com este mundo mundanal para a preservação de um único: o pacto com Deus.»

FOGO REAL EM LOURES

João Gonçalves 13 Jul 08


Um comentador pergunta por que não escrevi sobre os tiros de Loures. Aquilo não aconteceu só anteontem. Aquilo "aconteceu" porque foi filmado e passou nas televisões, particularmente nas SIC's que, como sempre, ficaram lá como que à espera de mais tiros e mais folclore. Quem não tem um Afeganistão por perto, caça com Loures. A periferia - cada vez menos periferia e mais Lisboa - sempre existiu e, pelos vistos, com armamento "legal". Pena não ter havido uma demonstração de fogo real para o ar em vez de umas pretitas a dar ao rabo quando o dr. Pereira, o MAI, foi lá fazer "fogo de vista". Nem sequer enxergo qualquer vantagem em chamar a criatura ao Parlamento para "prestar esclarecimentos". Ele não é de cá, deste mundo. Como é que ele pode esclarecer o que quer que seja?

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