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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

ESTADO (DEMENTE) DA NAÇÃO

João Gonçalves 7 Jul 08

Já sei que os estimáveis "polícias" da blogosfera - e não só - vão mimosear a SEDES com a costumeira adjectivação. Antes destes moralistas terem aparecido, já a SEDES existia como qualquer interessado pode verificar. Sou sócio, embora não lhe ligue demasiado sobretudo porque passou a ser um "centro de reflexão" demasiado "bloco central" para o meu gosto. Os ditos moralistas riram-se muito quando, em Fevereiro, a SEDES chamou a atenção para um "mal-estar difuso" na sociedade portuguesa. Embalados pelo "contagiante" optimismo de Sócrates, fartaram-se de "bater no ceguinho" e de propalar os respectivos "amanhãs" como certezas indesmentíveis. Em menos de seis meses, no entanto, a realidade tomou conta dos referidos "amanhãs". E até alguns que, na altura, se amofinaram com a agremiação por alegadamente colocar em causa o radiante futuro prometido pelo PS, já vêem na dra. Ferreira Leite "a possibilidade de uma ilha". Chefiada por Campos e Cunha desde Abril, a SEDES não poupa nas palavras. A “declaração do fim da crise orçamental”, “a ênfase nos investimentos públicos”, “a cedência à agitação social” e “as recentes baixas de impostos” têm um nome: eleições legislativas de 2009. O "reformismo" de Sócrates mudou de agulha se é que alguma vez uma presidiu a qualquer desígnio. E isto em ambiente de maioria absoluta. Não admira que, contra o que aconteceu com Cavaco, o país não encare com bons olhos a hipótese de repetição. Pensar uma coisa, afirmar outra e, finalmente, não realizar nenhuma das duas não augura auspícios para esta conjuntural maioria. Os dados, porém, ainda não foram todos jogados apesar de muito cambados. A ver vamos, como o cego.

Cada vez que ocorre uma catástrofe, mínima, média ou tenebrosa, aparecem sempre os representantes do poder político central e local, bem como os respectivos apêndices burocráticos, mascarados com um blusão hiper-colorido. Normalmente, como lhes compete, não fazem nada. Passeiam-se por entre os bombeiros e outros agentes da segurança civil sem dispensarem o blusão e, no final, debitam o "sumário" do sucedido. É nestas ocasiões, por exemplo, que nos recordamos dessa inutilidade que é o governador civil. A Avenida da Liberdade, em Lisboa, é um departamento municipal espanhol. Até estranhei a presença, dentro do adequado blusão, do dr. António Costa por causa do incêndio de um prédio devoluto ocorrido esta madrugada. O prédio é de uma imobiliária castelhana que, naturalmente, tanto se lhe dá que arda como não. Seria interessante recensear os nossos pequeninos Champs-Élysées em termos de propriedade. Talvez se percebesse a lógica do blusão. Como que a dizer, "eu sou apenas figurante nesta película espanhola".

Adenda: Afinal, o proprietário do prédio ardido é um fundo de gestão imobiliária do BANIF. Todavia, não se alteram duas coisas. A primeira, o facto de a Avenida da Liberdade estar "dominada" pela Espanha. A segunda, que faltava uma licença camarária para o prédio ter sido alegadamente "tratado".

O LUGAR DO MORTO

João Gonçalves 7 Jul 08


Li, num suplemento do Expresso, que um australiano colocou toda a sua vida em leilão na "net" por causa de um amor funesto. Foi, presumivelmente, "trocado". Leiloou objectos, casa, amigos, enfim, tudo o que lhe fizesse recordar o amor perdido. Com o dinheiro que juntar, parte para outra vida noutro lugar. Por cá, conclui-se, finalmente, que o amor é violento. Bate-se por amor, mata-se por amor, não se vive por amor mas pelo desgosto da sua ilusória felicidade. Moral da história: o amor faz mal e, na melhor das hipóteses, é definitivamente um lugar estranho. O lugar do morto.

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