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portugal dos pequeninos

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LOBO ANTUNES NA JUSTA PRATELEIRA

João Gonçalves 6 Jul 08

«Evito olhar, sob pena de comoção, os romances de António Lobo Antunes. Porquê? Não por causa dos ditos, que aliás li pouco e parcialmente, sem proveito nem rancor. Mas porque Lobo Antunes é o caso de maior desproporção entre a conta em que um escritor se leva e a relativa indiferença das massas. Ano após ano, o homem lança um livro e concede inúmeras entrevistas a afirmar a "evidência" (sic) da sua superioridade: ninguém pode permanecer alheio ao talento com que ele reinventou a narrativa; ninguém lhe chega aos calcanhares; ninguém escreve como ele. Tirando os devotos que qualquer um possui, ano após ano ninguém o ouve, e num ápice as suas inestimáveis obras jazem no indistinto silêncio da estante comum. Imagino que Lobo Antunes sofra. Certo é que não se resigna, e, a troco da sua vital continuidade, já acordou com os novos donos da D. Quixote a remoção do "lixo literário" da editora. Infelizmente, será mais complicado remover o lixo das Fnac e similares, de modo a que estas deixem brilhar o que realmente importa: os "clássicos" da Antiguidade, dois ou três russos, talvez um americano e, em natural destaque, Lobo Antunes. A solução coerente passa por Lobo Antunes retirar as suas obras-primas desses espaços promíscuos. Fora das livrarias e das péssimas companhias, ele sofreria menos. Dentro das livrarias e poupado à lembrança do génio angustiado, eu também.»

Alberto Gonçalves, in Diário de Notícias

O JURAMENTO

João Gonçalves 6 Jul 08



Mário Soares, o presidente-rei, nunca gostou do plebeu Cavaco Silva, primeiro-ministro. Não descansou enquanto, antes de terminar o seu solar mandato, não deu posse a um governo socialista. Para o fim, realizou uma "presidência aberta" em Lisboa e arredores para a qual arrastou a imprensa e as televisões e onde "revelou" ao país e ao mundo que, afinal, o "desenvolvimento" ainda estava cheio de excremento na sola dos sapatos, exactamente, aliás, como está hoje. Depois retirou-se, grave, para Belém onde, com mais dois ou três cortesãos, prosseguiu a "conspiração" para "tramar o gajo". Ao contrário de Soares, Cavaco tem a vantagem de fazer contas, algo que sempre incomodou o amigo de Chávez que, erradamente, trata o actual PR como um vulgar contabilista e nunca como um político. Cavaco, todavia, é mais de "boas contas" do que de intrigas acharutadas até às quatro da tarde entre bajuladores. O que não significa que seja menos "político" do que outro qualquer. Por isso, não me admiro que esteja preocupado com os intentos faraónicos do governo e que, muito justamente, pretenda saber o que é que se passa por detrás do powerpoint e dos sorrisos maliciosos do eng.º Lino. Para além de jurar a Constituição, Cavaco jurou não se resignar. Espero que cumpra o juramento.

PLANOS INCLINADOS

João Gonçalves 6 Jul 08


Como antigo aluno da Católica, também recebi os prospectos coloridos a que alude O Jansenista (via E. Pitta). E, como ele, também me deprime ver a universidade (praticamente todas) entregue à mercearia dos interesses, et pour cause, a «“biscateiros” sem carreira, sem obra, sem qualificações pedagógicas mínimas, sem produção científica (há sempre uma ou duas honrosas excepções). A razão é óbvia: a falta de dinheiro e a necessidade de “apoios institucionais”. Uns nomes sonantes da “nomenklatura” dão aulas gratuitamente e em troca fazem constar dos seus cartões de visita a condição de docentes universitários, e a instituição capitaliza com essa “gratidão curricular”. É a muito notória simbiose entre PS e ISCTE, desgraçadamente a dar o exemplo a outras instituições até agora mais zelosas do seu prestígio. Muito deprimente: não tarda nada temos o corpo docente da Católica ao nível do das demais “universidades” privadas, nas quais, como é sabido, os cadastrados escolares predominam e tendem a pontificar.» Noutro sentido, mas com a mesma preocupação, M.M. Carrilho chama a atenção para as «deprimentes condições terceiro-mundistas» em que funciona a universidade pública, « o que, sendo grave em si, mais grave se torna dado o contraste entre este retrato e o espírito de abastança com que se impulsionaram várias parcerias com Universidades americanas.» Como diria o outro, "ânimo e coragem".

ORWELL, UM REALISTA

João Gonçalves 6 Jul 08


«Um dos aspectos mais interessantes de Orwell é a complexidade do seu temperamento. Além de não acreditar no Progresso, amava a Natureza de forma apaixonada. Possuía um forte sentido patriótico. Preferia o campo à cidade. Desprezava as burocracias. Suspeitava da bondade dos governos. Alimentava a esperança de que os socialistas fossem capazes de dar prioridade à liberdade em detrimento das tendências autoritárias. Para ele, o passado, o presente e o futuro continham coisas boas e más, ou seja, nem o passado era uma noite escura, nem o futuro um paraíso luminoso. No que dizia respeito aos costumes, era um conservador.»

Maria Filomena Mónica no Público a propósito da edição de uma antologia de textos de George Orwell, traduzidos por Desidério Murcho para a Antígona, Por que Escrevo e Outros Ensaios.

A EXECUÇÃO DO PLANO

João Gonçalves 6 Jul 08


Há uma frase no livro de Isaiah Berlin, Rousseau e outros cinco inimigos da liberdade, da Gradiva, que podia perfeitamente aplicar-se ao governo.«O plano é mais forte do que nós e, se lhe desobedecermos em excesso, seremos esmagados pela execução do plano, que nos varrerá do caminho.»

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