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portugal dos pequeninos

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ÂNGELO, UM PROFETA DO REGIME

João Gonçalves 1 Jul 08

Apanhado em zapping em entrevista a Ana Lourenço, Ângelo Correia parece-me um outro excelente potencial apresentador da biografia de Sócrates. Aproveitem as feiras de verão e convidem-no que ele vai de certeza.

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PALAVRA MALDITA

João Gonçalves 1 Jul 08


Se repararmos bem, o primeiro-ministro raramente ou nunca pronunciou a palavra "cultura". Possui um ministério com essa designação no governo e, consta, mesmo um ministro. E também tem um assessor cultural oficial - o rapaz da foto - sobre cujas actividades Augusto M. Seabra reflecte aqui. Chamou a minha atenção apenas por isto: «para além das funções que presentemente exerce junto do primeiro-ministro, continua “apresentável”, como curador de colecções privadas, e a esse nível interveniente também em instâncias que são ao mesmo tempo de “consagração” e de “mercado”.»

A MINISTRA DESFOCADA

João Gonçalves 1 Jul 08


Como o homem desfocado de um célebre filme de Woody Allen, Ana Jorge, a ministra da saúde, é uma pessoa desfasada no tempo e no espaço. Jorge teria dado um excelente chefe de gabinete de um militar qualquer que fosse ministro no PREC. Ana Jorge é uma ministra desfocada.

A MOSCA DE WITTGENSTEIN

João Gonçalves 1 Jul 08

A conversa entre a Constança Cunha e Sá e a dra. Ferreira Leite devolveu-me uma metáfora de Wittgenstein, recordada por Manuel Maria Carrilho no seu livro Crónicas Intempestivas, noutro contexto. Há uma mosca dentro de um frasco de vidro. A mosca quer, naturalmente, sair o que a faz chocar, com persistência e método, contra a parede de vidro que constitui o frasco o qual, apesar de transparente, resiste. A diferença entre a conversa na TVI e a mosca de Wittgenstein é que ambas as participantes - Constança e Manuela - sabem que o vidro está lá e que resiste. Constança não "largou" os investimentos que Manuela não aceita sem os "estudos". Manuela não se cansou de afirmar que, enquanto não lhe derem os "estudos", não se cala. Quanto ao resto, e sem abandonar o filósofo do Tratactus, vale mais guardar silêncio em relação ao que não se sabe.

A FALTA DE VERGONHA

João Gonçalves 1 Jul 08


Parece que o dr. Dias Loureiro não defraudou as expectativas. Na apresentação da "biografia" do homem que corre "para conhecer as cidades", o conselheiro de Estado e eminente guru do PSD «declarou-se "emocionado" com o "lado dos afectos" retratado na biografia» e «elogiou também as características políticas de Sócrates» tais como «a atenção aos detalhes» porque, acha Loureiro, «só quem está atento aos detalhes pode fazer grandes coisas», «uma característica dos grandes homens.» Loureiro vê em Sócrates um modelo de «sensatez», de «prudência» e de «optimismo». «O optimismo de Sócrates faz muito bem a Portugal», concluiu. Tenho a certeza que Jorge Coelho ou Gilberto Madaíl não diriam melhor. Por isso, é conveniente que Constança Cunha e Sá, no seu Cartas na Mesa, pergunte a Manuela Ferreira Leite se também entende, como a sumidade citada, que "Sócrates faz bem a Portugal". É que, pelos vistos, o que verdadeiramente faz mal a Portugal é a falta de vergonha.

A EUROPA CONTINUA

João Gonçalves 1 Jul 08


Logo no primeiro dia da "presidência francesa", Sarkozy - que se tinha "oferecido" para ir até à Irlanda dar lições de "europês" e que a pretendia "isolar" por causa do resultado do referendo - "levou" com a recusa do presidente conservador polaco Lech Kaczynski em assinar o "tratado de Lisboa" previamente ratificado pelo Parlamento. «A afirmação de que não há união sem o tratado não é séria», disse o homem dando assim razão a quem acha que a Europa não deve ficar "acantonada" na burocracia consagrada em Lisboa que prejudica os países "médios" como Portugal, a Irlanda ou a Polónia. A República Checa, pela voz do presidente Klaus, também já contrariou o "optimismo" unanimista da nomenclatura europeia e dos seus papagaios. Ou seja, boas notícias. A Europa continua.

DESTE MUNDO

João Gonçalves 1 Jul 08


Há oásis felizes, famílias não endividadas e um pequeno "socraquistão" no Hotel Tivoli: «uma refeição com entrada a dividir por dois, prato, sobremesa, vinho (pode ser francês) e café, fica por 120 euros para duas bocas.» De certeza que estas "duas bocas" não se levantam às seis da manhã em Mem-Martins para às oito estarem a depositar a cria na creche, paga por um dos ordenados da casa e, para às oito e meia, entrarem no banco, em Sintra. Estas "duas bocas" apenas lêem, quando lêem, os jornais de borla que apanham no café da esquina. Estas "duas bocas" precisam dos cento e vinte euros para a prestação da casa ou para o aviamento mensal no Lidl. Estas "duas bocas" vivem no país chamado "real" que não consta do "powerpoint" que impressiona o dr. Dias Loureiro e os que podem pagar vinte e quatro contos por uma refeição. O Eduardo não é definitivamente deste mundo.

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