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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

Alguém disparou para cima de um pavilhão no Algarve onde Sócrates perorou meia hora antes para os seus camaradas do PS de Portimão. A jantarada continuou, imperturbável, sem dar pelos "impactos". Ao Tomás Vasques - cujo talento para ficcionista posso testemunhar através do seu "O General de todas as Estrelas foi-se Embora sem Ter Bebido um Trago de Havana Club", das Edições ASA - deu-lhe para a "teoria da conspiração" ou, para emprestar algum "realismo" à coisa, para o "terrorismo". Se alguém quisesse atacar o primeiro-ministro dificilmente se ia por a dar tiros para o telhado de um pavilhão meia hora depois da "vítima" ter saído. Há demasiado armamento espalhado pelas mãos erradas e que a "autoridade", que Sócrates representa, não consegue "recolher". Esta é a questão fundamental. O resto é com a investigação criminal e não com a ficção política.

DA DIGNIDADE

João Gonçalves 29 Jun 08

«Nelson Mandela tresanda a respeitabilidade e possui aqueles traços de fineza aristocrática, segurança e equilibrio que só os homens superiores conseguem preservar. »

Miguel Castelo-Branco, in Combustões

OS NEOCON

João Gonçalves 29 Jun 08


Segundo o Público, «a organização da marcha [gay pride "à portuguesa" que costuma juntar umas centenas de "activistas" e de compagnons de route "correctos" em concorrência com os "arraiais populares"] não se fez sem alguma controvérsia. A adesão ao desfile do recente grupo Poliamor - que defende o direito a formas diversificadas de relacionamento, incluindo as não monogâmicas, desde que assentes no respeito e na sinceridade - não foi bem acolhida por todos, revelando algum conservadorismo de um movimento que combate a discriminação.» Quem diria. Esta maricagem associativa mistura pseudo-intelectuais "chiques" com o "Lumpen" dos subúrbios. Ao pretender institucionalizar, impor e "folclorizar" relações que não possuem a menor relevância social ou cósmica, como são as que ocorrem entre "samesexers" ou outras quaisquer, emerge apenas como uma ridícula caricatura. E é, afinal, um produto neocon. Con de parvos, naturalmente.

UMA HUMANIDADE CADA VEZ MAIS UNIDIMENSIONAL

João Gonçalves 29 Jun 08


«O desporto condiciona hoje em todo o planeta o imaginário dos povos, impondo-lhes um conjunto uniforme de representações a partir das quais eles concebem quase toda a sua existência. Como diz um dos mais finos intérpretes deste fenómeno, Robert Redeker, é no desporto que se concentram em mais alto grau os factores de uma tal uniformização: consumo desenfreado, fetichismo das marcas, pressão publicitária, culto dos ídolos, submissão aos média, sloganização da linguagem, histerização das multidões, fanatismo da performance. E aqui, nesta convergência, começa mesmo talvez uma nova era, em que o desporto se torna no catalizador de uma humanidade cada vez mais unidimensional – a do homo sportivus

Manuel Maria Carrilho, in Contingências

OS MENINOS DE OURO

João Gonçalves 29 Jun 08


A jornalista da Antena 1, Eduarda Maio, escreveu a "biografia autorizada" do secretário-geral do PS e primeiro-ministro, intitulada Sócrates, o Menino de Ouro do PS (Esfera dos Livros). Quem consegue arrancar uma "biografia" a este homem sem qualidades de maior - ou seja, Sócrates é apenas mais um dirigente mediano na política do século XXI cheia de dirigentes medianos espalhados por todo o mundo -, merece, só por isso, aplauso. Se me der na telha - e se alguém me oferecer - lerei o livro com a maior atenção e darei aqui conta dele. Para já, apenas registo que a obra já propiciou um "momento centrão" a seguir com interesse. Apresentam a obra os drs. Vitorino, do PS, e Dias Loureiro, do PSD. Este último, para variar, não apareceu no congresso do partido nem foi visto ou ouvido a apoiar alguém. Politicamente é uma eminência cinzenta que Cavaco colocou no Conselho de Estado. De resto, é um puro homem de negócios. Amigo íntimo de Jorge Coelho - outro ex-membro do CE e outro grande homem de negócios -, Loureiro de certeza que não participa nesta "charla" por gostar de ler. Num momento de afirmação de uma liderança "nova" no seu partido, Dias Loureiro estaria a tomar por parvos aqueles que vissem nesta apresentação conjunta um gesto inocente. Como aqui tem sido repetido à exaustão, o regime tem manhas que a razão desconhece. Apresentar uma biografia de Sócrates não é um acto de cultura. É uma atitude política reveladora. De quê? De que o regime sobrevive fora do púlpito dos congressos e dos jantares com entusiasmos partidários ensaiados. À falta de uma elite digna desse nome, existem homenzinhos que, ao longo deste trinta e tal anos, foram tratando da vida dos partidos a que aderiram e, por essa via, tratando da vida deles. O que Vitorino e Loureiro celebram em conjunto (menos do que Sócrates, naturalmente, que a prazo deixará de contar) é essa cumplicidade "regimental" que os une. Muito depois de Sócrates ou Ferreira Leite desaparecerem de cena, eles continuarão por aí, com estes ou outros nomes. Porque são eles os verdadeiros meninos de ouro do regime. Ao pé deles, Sócrates é um mero menino de coro.

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