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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

RANGEL

João Gonçalves 26 Jun 08


Paulo Rangel é o novo chefe do PSD na AR. Fora o dr. Feyo, do CDS, as restantes "lideranças parlamentares" são todas de fugir. Por exemplo, não se percebe por que é que o partido maioritário mantém Alberto Martins - pomposo, irrelevante e subserviente ao governo - em vez de optar por uma criatura mais "solta". Não sou adepto do nosso "sistema" dito semi-parlamentar porque, de uma maneira geral, os habitantes da "casa da democracia" não me merecem grande respeito nem me inspiram a menor confiança. Tal como o "sistema" está concebido, o deputado é, na realidade, um anónimo. Por mais afastado que esteja da "nação", como está, o deputado representa-a em abstracto e nunca o lugarejo por que foi eleito. Os "cabeças de lista" deslizam irresponsavelmente pelos distritos consoante os interesses da seita que lá os deposita quinze dias antes do voto. Não sei de onde brotou Rangel nem me interessa. Sei, todavia, que é adequado para o efeito. E isso é uma raridade que o PSD fez bem em não desperdiçar.

O BARRACÃO

João Gonçalves 26 Jun 08

Enquanto almoçava, via ao longe, na televisão do restaurante, as imagens de um barracão. O barracão estava atafulhado de papéis e de secretárias separadas por uns quantos biombos. As câmaras aproximaram-se dos biombos e podia ler-se "tribunal do trabalho", "ministério público", etc. Aí percebi que se tratava de um tribunal. Era em Portugal, na Feira, no ano da graça de 2008, em pleno "progresso" e em pleno "choque tecnológico" promovidos pela "esquerda moderna". O barracão fora pedido emprestado aos bombeiros porque o edifício original, com pouco mais de quinze anos, ameaçava ruir. Foi nos balneários dos bombeiros que, soube-se depois, juízes se esconderam para fugir às agressões das famílias de uns arguidos quaisquer. Não é virgem a situação de violência perpetrada em plena audiência. O que é menos comum, partindo do princípio que isto não é a Somália, é administrar a justiça num barracão. Todavia, se reflectirmos um pouco mais, talvez a imagem não seja, de todo, desproporcionada. A maturidade de uma democracia, como ensinam os "especialistas", mede-se pelo seu sistema de justiça. E o "sistema" reflecte o estado de um regime no fátuo da sua miséria. É, afinal, como estamos de democracia. Enfiados no barracão.

O RETRATO DE UMA SENHORA

João Gonçalves 26 Jun 08


Como se o tempo não tivesse passado, decorre em Lisboa um "congresso feminista". Promove-o uma organização apelidada de "união de mulheres alternativa e resposta". O cortejo de aderentes é notável e é ornamentado por alguns homens como Alexandre Quintanilha. Penso disto o mesmo que penso da ILGA ou de um grupo de forcados. Isto é, mal. Os méritos de um ser humano, e de um ser humano cidadão, em particular, não devem continuar a depender de uma classificação na base do sexo. Nenhuma mulher corre hoje o risco de chegar a uma qualquer universidade, por exemplo, e perguntarem-lhe se não estará equivocada. Um imbecil será sempre um imbecil independentemente de ser homem, mulher ou hermafrodita. O associativismo sexista, para além de elitista, destina-se supostamente a discutir e a impor "especialidades". Não imagino nenhuma mulher da Quinta do Cabrinha ou da Cova da Moura a ser "convidada" a apresentar uma comunicação ao congresso. As participantes - e os participantes - viveram sempre a "humilhação", nas suas cabecinhas pequeno-burguesas, como um fenómeno puramente intelectual. Nunca sujaram as mãos. Porque a história e as "situações" o não permitiam, as bandeiras fizeram o sentido do seu tempo. Agora não fazem sentido algum. "Academizar" o tema - é para isso que existem os "estudos de género" - vulgarizou-se. O lema da "delegada" francesa, arrancado à pré-história do feminismo, é o edificante "ni putes, ni submisses". Sem dúvida, o retrato de uma senhora.

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