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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

ENCENAÇÕES

João Gonçalves 25 Jun 08


Num artigo no Público, Luís Miguel Cintra - um misto de Amélia Rey Colaço com Robles Monteiro do regime - saiu em defesa do Gilberto Madaíl da Cinemateca Nacional, o nosso eterno Bénard contra a deputada do PS, Isabel Pires de Lima. O argumentário? O que, de certeza, não utilizou contra aquela no pouco tempo em que foi ministra. Bénard é um "gigante" que está director-geral há dezassete anos e Pires de Lima (e os portuenses, por extensão) não passa de uma pirosa que quer ver os "clássicos" exibidos no Porto. Cintra, cujo umbigo é demasiado para o país que o sustenta através do ministério da Cultura, amesquinha Pires de Lima para defender o enorme Bénard. A antiga ministra da Cultura foi aqui zurzida por muitos motivos, incluindo o que suscitou o artigo nervoso de Cintra: ter cedido à chantagem do milieu para manter Bénard como director-geral, para além de todos os limites legais impostos à correspondente comissão de serviço, tornando-o em mais um "indispensável" com "licença especial". Quem serve o milieu sem perceber que o ministério da Cultura "faz" (ou devia fazer) política e não proselitismo, mais tarde ou mais cedo morre às mãos do milieu. Pires de Lima vai pagar a factura durante muito tempo. Esta gente, quando morde, não larga. É bem feito.

«O CAMINHO PARA O FECHO DE PORTAS»

João Gonçalves 25 Jun 08

«Perdemos todas as corridas. Perdemos a corrida para a Europa, a corrida para a industrialização, a corrida para a emergência de uma sociedade civil não artificial - porque a que por aí existe se vai parecendo cada vez mais com uma indecente barganha de dinheiros, favores e isenções - a corrida para a justiça, para saúde e para a educação. Ficou só o Bloco Central mais os futebóis, essa religião civil que vai lentamente tomando conta dos afectos, dos restos de lucidez e de bom-senso inerentes à espécie humana. Outros fogos surgiram, aqui e ali, como foguetório de entretenimento em momentos em que o comatoso recobrava o espírito. Coisas importantíssimas como os crucifixos nas escolas, as interrupções da gravidez, as drogas duras e moles, as regionalizações, as coincenerações e outras magnas tarefas do razonamento filosófico deixaram de lado coisas insignificantes como a reforma do Estado e da tributação, a reforma da educação, a formação do civismo e a discussão dos futuríveis. Estamos em coma há 10.000 dias. E aí se perfilam mais 10.000. É assim que estamos a calcetar, com paciência de coollie, o caminho para o fecho de portas.»

Miguel Castelo-Branco, in Combustões

MISÉRIA E FARSA

João Gonçalves 25 Jun 08

O "choque tecnológico", afinal, é isto. Miséria. Entretanto, cantando e rindo, o governo lá vai "vender" o seu código laboral aos senhores da "concertação social", normalmente um pequeno grupo de idiotas úteis que fingem que são levados a sério por um governo que finge que os leva a sério. Farsa. Miséria e farsa. É o melhor retrato do regime.

A CULPA É DELE?

João Gonçalves 25 Jun 08


A SIC entrevistou "em directo" o dr. Vale e Azevedo, consultor financeiro em Londres, com a mesma tranquilidade com que passa telenovelas da Globo ou o dr. Balsemão a jogar golfe. Também "passou" os senhores ministro da Justiça e procurador-geral da República a falar de intendência por cá. Quem não soubesse de quem se tratava, podia julgar que Vale e Azevedo era o PGR, ou o próprio ministro da Justiça, e que os outros dois se limitavam a prodigalizar opiniões como meros "comentadores". O dr. Vale, como lhe compete e informou, não tenciona pagar nenhum bilhete de regresso nem abdicar dos carros, casas e iates que tem, em bom, há mais de vinte anos. O "directo" do dr. Vale e Azevedo valeu seguramente por cinquenta colóquios e cem perorações inúteis sobre a justiça portuguesa porque a revelou. Não se viu nos seus olhos nem ressumou da sua boca qualquer sinal de impotência. Pelo contrário, os dois responsáveis pela justiça em Portugal - um político e o outro pela investigação - é que pareciam dois incrédulos amadores postos em sentido pela luxuosa "vítima". A culpa é dele?

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