Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

É FÁCIL DIZER BEM MAL

João Gonçalves 22 Jun 08



O António Valdemar, no suplemento "cultural" do Expresso, escreve sobre o livro da foto. Vergílio Ferreira era uma verdadeira "língua de prata" ainda por cima talentosa e ferozmente independente. Deu-me muito gozo, em pleno curso de direito, ler os dois primeiros e fresquinhos Conta-Corrente, emprestados pela minha saudosa professora de inglês do liceu. Nessa altura, algumas das "personagens" visadas ainda me eram estranhas. Este Diário Inédito (Bertrand Editora) data de quase quarenta anos antes da saída da Conta-Corrente. A "catilinária" do Valdemar, contra o que ela pretende, é um convite subreptício a ir já comprar o livro. Por duas razões. Valdemar acha que V. Ferreira, ao dar conta do "ambiente" cultural e literário que contribuiu para a sua formação, entre 44 e 49, também devia ter derramado sobre a "angústia" anti-fascista e anti-salazarista que perpassava - ou que deveria obrigatoriamente perpassar - pelos "intelectuais" da época. «Graves omissões» ou passagens de «gato sobre brasas», eis como Valdemar qualifica tamanha desvergonha, digamos assim, não traduzida em letra de forma pelo autor de Aparição. O perfeito intelectual anti-fascista, segundo Valdemar, tinha forçosamente de escrever, por exemplo, sobre a «constituição e expansão do MUD» ou a maravilhosa «candidatura de Norton de Matos». Ou seja, este Diário Inédito poupa-nos, pelos vistos, aos lugares-comuns que conhecemos - e que V. Ferreira conhecia porque nunca foi suspeito de "colaboracionismo" - acerca da vulgata neo-realista inspirada pelo fim da guerra em tantos intelectuais "orgânicos" que andaram anos a fio a prometer-nos o "futuro" e o "progresso". Depois, e ainda segundo o crítico, Ferreira comete o sacrilégio de «investir» contra Régio e de «arrasar» Torga, dois monumentos à chatice literária nacional. Quem define Torga como «mixórdia de pederneira, bruteza e casebres da Beira ou Trás-os-Montes» faz mais pela história da literatura portuguesa que dezenas de babugens "correctas" que constam dos manuais tradicionais. O António, desde que promoveu a transladação do "mestre" Aquilino para o Panteão Nacional, tomou as dores de uma "escola de pensamento" dedicada a revolver as ossadas de alguns ex-campeões nacionais em maçada literária e em anti-fascismo "orgânico". Alterna, nesta meritória tarefa, com o dr. Soares quando este não está virado para os seus novos amigos latino-americanos. Por isso, e só por isso, devolvo-lhe a bola preta que destinou ao livro de Vergílio Ferreira. No hard feelings.

O REGIME CONTINUA

João Gonçalves 22 Jun 08


A blogosfera está agora bem representada na direcção do PSD. Lá se sentam Sofia Galvão e Paulo Marcelo. Quanto ao "conquistar a confiança do país" avançado pela dra. Manuela no seu discurso final de Guimarães, menos "cortante" que o primeiro, dá perfeitamente para uma de duas coisas. Liderar meritoriamente a oposição ou, a bem da nação, ser vice-primeiro-ministro de Sócrates. O regime continua.

Adenda: Ler este post do Pedro Correia que sintetiza bem a coisa. Não esquecer, do jazigo de família e para além de Machete, o "nº 1" do conselho nacional em nome da líder, António Capucho, uma "herança" do "bloco central" político de 83/85 que, no congresso da Figueira da Foz, hesitou até ao fim entre João Salgueiro (pelo "bloco") e Cavaco (contra o "bloco"). Esta gente tem um medo de ser de direita que até mete dó. Não é por acaso que sobrevivem e são "respeitáveis". Numa fundação, numa câmara, num governo, não interessa. Sobrevivem.

MALEDICÊNCIA

João Gonçalves 22 Jun 08


Sócrates fala em maledicência a propósito de oposição. Na voz deste insigne dirigente do absolutismo democrático em vigor, deixar as SCUT para depois das eleições, é maledicência. Não ter dinheiro para a intendência das universidades e para a investigação científica, é maledicência. Não ter mais postos de trabalho (eram 150 mil...) mas mais desemprego, é maledicência. Não ter economia, mas fantasia e especulação, é maledicência. Não exercer a autoridade do Estado oportunamente mas apenas por oportunismo, é maledicência. Em suma, Sócrates redescobriu no registo dengoso de Guterres, o bonzinho, a justificação para tudo o que o espera daqui para diante. Numa coisa tem razão. A melhor oposição é a realidade, algo a que ele é indemne porque só está atento à semântica. E isto sou só eu a falar. Como irreprimível maledicente.

Pesquisar

Pesquisar no Blog

Últimos comentários

  • Gabriel Pedro

    Meu Caro,Bons olhos o leiam.O ensaio de Henrique R...

  • Maria Petronilho

    Encontrei um oásis neste dia, que ficará marcado p...

  • André

    Gosto muito da sua posição. Também gosto de ami...

  • Maria

    Não. O Prof. Marcelo tem percorrido este tempo co...

  • Fernando Ferreira

    Caríssimo João, no meio da abundante desregulação ...

Os livros

Sobre o autor

foto do autor