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portugal dos pequeninos

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UM SOARES LATINO-AMERICANO

João Gonçalves 18 Jun 08


A RTP, certamente imbuída daquele extraordinário espírito de "serviço público" que a caracteriza, estreia um programa - mais um - do dr. Soares intitulado "Conversas de Mário Soares". Soares escolheu começar com o grande democrata Hugo Chávez, o seu querido amigo venezuelano, por quem nutre uma genuína admiração sobretudo depois de ele lhe ter dado uma réplica da espada de Bolívar. Portugal, graças a estas mútuas atenções, está transformado no "ponta-de-lança" de Chávez na Europa. É caso para perguntar se, entre a Irlanda e nós, quem é que representará melhor o "espírito europeu" e a "paixão inútil" pela condição humana. Na dúvida, dispenso este Soares latino-americano e prefiro recordar, com saudades, o europeu.

A DIREITA CENTRAL

João Gonçalves 18 Jun 08


Este artigo do Francisco Almeida Leite lança o anátema do "bloco central" à cabeça de Manuela Ferreira Leite. É previsível que, ao lado dela, depois de Guimarães e com a excepção de Santana Lopes, apareçam muitos dos que constituíram a "nova esperança" dos anos oitenta. Recordo que, para além de "rampa de lançamento" de Cavaco, na Figueira, a "nova esperança" representava a alergia interna ao "bloco central" então no governo. Por exemplo, o que pensará o comentador de futebol Marcelo Rebelo de Sousa (que fez parte da "nova esperança") dos "consensos alargados" da dra. Manuela, a "social" dra. Manuela, nas palavras do referido comentador que acumula o futebol com a política e a literatura infantil? É que falar em "consensos alargados" significa que Sócrates continua a mandar e que o PSD não disputa precisamente esse mando. Pelo contrário, até pode, a bem da nação, dar uma ajudinha. Quem é que falou em direita?
«As lideranças da direita continuam a fazer política como se a actual "crise" não fosse mais do que uma dificuldade temporária, feita à medida para as oposições se habilitarem à herança de S. Bento. Por isso, discutem se lhes convém ir pela "esquerda" ou pela "direita", serem mais "liberais" ou mais "sociais", na suposição de que essas coisas devem ser vistas como simples alavancas eleitorais, dispensando qualquer convicção. É esta leviandade justificada? Os portugueses estão a passar pelo mais prolongado período de divergência em relação à Europa desde a década de 1930. A Europa ameaça reencontrar os dilemas da inflação da década de 1970, com os decorrentes conflitos. Portugal, como os outros países europeus, precisa de orientações definidas com clareza e convicção. As nossas direitas não parece terem dado por nada. E arriscam-se a que os portugueses dêem por isso.»

Rui Ramos, in Público (nota: suponho que o articulista esteja longe de ser um neo-salazarista)

Nota, recorrendo a R. Aron:«[Parece-me] tão evidente a imprevisibilidade do futuro como a impossibilidade de manter o statu quo.»

A BELA E O MONSTRO

João Gonçalves 18 Jun 08

Em artigo no Público, Bénard da Costa apelida Isabel Pires de Lima de "ruim defunta". "Meta-se com gente do seu tamanho e haja respeitinho por quem não tem nem idade, nem percurso profissional, nem posição social para gastar mais cera com tão ruim defunta", escreve esta verdadeira figura de cera apascentada pelo "centrão". "Porque eu sou e ela foi", conclui delicadamente. Tudo a propósito de um pólo da Cinemateca Nacional (que Bénard dirige como um senhor feudal) no Porto, com conivências várias. Pires de Lima prova, afinal, do fel que, juntamente com todos os que a antecederam, ajudou a fermentar. Bénard "é" porque o regime, de Belém a São Bento, consente que ele seja. Existe um inexplicável temor reverencial pela criatura que lhe permite, ao arrepio do mais elementar bom senso, perpetuar-se e exigir, literalmente, "respeitinho". Inventaram-no e alimentaram-no. Agora aguentem-no.

O PROZAC DE BRUXELAS

João Gonçalves 18 Jun 08


Este cínico - a depressão encarnada - recomenda que a Europa tome uns ansiolíticos e prossiga com a sua gloriosa "reforma institucional". E também recomenda "solidariedade" com a Irlanda como se estivesse a falar de um país do terceiro-mundo. São pessoas como esta "honra nacional", forjada no "livrinho vermelho", que todos os dias "afundam" um bocadinho mais a Europa. Ele e o "directório" anónimo de responsabilidade ilimitada a quem ele obedece. Andam a brincar às escondidas com a democracia. Ainda se tramam.

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