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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

MANUELA NAPOLEÓNICA

João Gonçalves 15 Jun 08


No editorial do Público escreve-se que «o que Manuela Ferreira Leite mostrou nos dias do bloqueio é a sua vocação para a frieza, a contenção e o calculismo.» O editorialista nem sequer tem dúvidas. «Muito mais do que um gesto táctico, o silêncio de Manuela Ferreira Leite nos dias duros do bloqueio dos camionistas foi um silêncio cínico.» Pacheco Pereira, aliás, que faz as despesas do "pensamento manuelino", produziu um longo artigo sobre "os camionistas", no mesmo jornal, onde "esclarece" o não-discurso da líder sem nunca dela falar. A coisa, porém, parece-me bem mais simples. Ferreira Leite, ao contemplar a triste figura de Sócrates, limitou-se a seguir o bom ensinamento de Napoleão: «se vires o teu inimigo a cometer um erro, nunca o interrompas.»

A GRANDE ILUSÃO

João Gonçalves 15 Jun 08


Na feira do livro, por menos de dois euros, adquiri O Ópio dos Intelectuais, de Raymond Aron, numa tradução da Coimbra Editora. Escrito em 1955, esta é uma segunda edição com um prefácio de Aron posterior ao "Maio de 68". Podia parecer datado por entretanto se terem sumido a URSS e os partidos "satélites" de que agora apenas sobram duas ou três agremiações entre as quais o nosso PC de rua. Ou ainda por, na altura, o maoísmo exercer uma "atracção fatal" junto dos intelectuais e a "esquerda" e a "direita" possuírem um sentido que nunca, verdadeiramente, deixaram de possuir. Aron escreve sobre os mitos que separam uma e outra e sobre a perpétua "alienação dos intelectuais". Como em todos os livros de Aron, por este perpassa a ironia e a não ilusão de um grande intelectual do século XX sobre os seus pares. Aron fala, no livro, em "sentido único" como nós hoje, por exemplo, a propósito da Europa dirigida pelos órfãos da tralha intelectual da esquerda europeia (incluo o centro-esquerda e os mais à direita porque, no fundamental, bebem do mesmo cálice), podemos falar de "pensamento único" insultando, com esta simplificação e de uma penada, todo o cânone ocidental. «O "sentido único" conduz, em política, à grande ilusão e o monoideísmo provoca desastres.» Tão actual agora como há cinquenta anos.

O «INCIDENTE»

João Gonçalves 15 Jun 08



Sarkozy, por quem este blogue tem um módico de consideração política, apelidou de "incidente" o "não" irlandês. Como se estivesse a falar de uma mulher sua, o presidente francês afirmou que a Europa não pode entrar em crise por causa do referido "incidente". Esta sobranceria vesga deu o mote para começarem a pensar em "obrigar" a Irlanda a repetir o referendo, presumivelmente até que o povo lhes dê o "sim". O dr. Barroso e o seu maoísmo congénito estão a fazer escola junto dos mandarins europeus. Em vez de "democratizarem" a Europa, estes efémeros dirigentes afastam-se cada vez mais dos respectivos cidadãos. O fundamental é que ninguém lhes estrague a Torre de Babel em que transformaram o "ideal" europeu e na qual apreciam masturbar-se. A menos que estejam, afinal, preocupados com a carreira política do colega português que forneceu a montra para o espectáculo. Ainda acabam todos esmagados debaixo do precioso articulado. Literalmente.

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