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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

DO CONTRA

João Gonçalves 11 Jun 08


Este simpático "colega", dedicado a aniversários, lembrou-se do nosso. Parafraseando o Doutor Salazar, em Braga, por ocasião dos quarenta anos da Revolução de Maio, «eis um belo momento para pôr ponto» nos cinco anos «que levo feitos de amargurado" blogue. E continuava. «Só não me permito a mim próprio nem o gesto nem o propósito, porque, no estado de desvairo em que se encontra o mundo, tal acto seria tido como seguro sinal de alteração da política seguida» por aqui. A do contra.

À MÃO

João Gonçalves 11 Jun 08

A corja que se queixa da falta das alfaces e da gasolina para encher o pópó, é a mesma que anda por aí a buzinar por causa da bola. Nem um só rolo de papel higiénico devia sobrar nas prateleiras dos supermercados. Limpassem-se à mão.

A AUTORIDADE

João Gonçalves 11 Jun 08


O engraçado nesta história dos camionistas é que aqueles que, em 1994, andaram armados em heróis revolucionários a buzinar ("não pagamos", lembram-se?) na Ponte que une Lisboa a Almada, são os mesmos que hoje, em nome do Estado, só aceitam "dar a cara" depois de uma comissão qualquer de piquetes reunir na Batalha. Isto é que é uma verdadeira autoridade.

CONTRA O CLICHÉ

João Gonçalves 11 Jun 08


Os "intelectuais da tela" não apreciam o filme O Sexo e a Cidade. Preferem, naturalmente, a série. Apesar dos clichés e dos "finais felizes", ambos - o filme e a série - podem ser vistos como a grande metáfora da intimidade dos solteiros, independentemente das "opções" de cada um. São a versão moderna da "branca de neve e os sete anões", em que a "branca de neve" são quatro mulheres - podiam ser quatro homens - e em que os "anões" podem, num ou noutro caso raro, exceder a expectativa. Os solteiros são pessoas dadas a conviver com outros solteiros, ou casados, e que esperam secretamente por um cliché. No filme, só "Samantha", a mais libertina, se desfaz do cliché para entrar, livre, no seus formosos cinquenta anos. As outras nem à maternidade resistiram. Os solteiros são atraídos por pessoas que normalmente conseguem reunir num só ser a divindade e o lixo humanos. Mesmo em meia-hora. E, claro, pessoas para quem o sexo importa. Mesmo quando acontecem coisas como ficar "pendurado" num casamento ("Carrie"), ser avisado, numa escada de avião, à chegada, que daí para diante "não nos conhecemos" (eu), deitar fora uma reserva paga de avião e hotel em Paris por um cancelamento inapelável (eu) ou ocupar sozinho um quarto de hotel, junto à praia e à chuva, previsto para dois (eu), telefones desligados na cara, etc. etc. As protagonistas do filme divertem-se muito mais quando estão juntas de que quando andam com os "respectivos" apêndices. Nem com eles nem, contudo, sem eles. Sempre o mesmo querer e não querer o mesmo. Não acabar no cliché é um desafio melancólico que significa estar fundamentalmente sozinho. Acabar no cliché é a norma a que nem os argumentistas de O Sexo e a Cidade resistiram. Entretanto, venha esse diabo sem cauda - o sexo - que nos salve ou dane.

A MORTE ÍNTIMA

João Gonçalves 11 Jun 08


Li, antes de adormecer, o livro de Filipe Nunes Vicente, Educação para a Morte (Bertrand). Não se trata de blogue em forma de livro embora o autor recupere alguns posts de Mar Salgado. A partir da sua experiência profissional, Nunes Vicente "conta", em textos curtos, a "experiência" face a uma morte anunciada ou o que resta depois de uma morte consumada. Pelo meio há muitas citações que dão o "mote" a este curioso exercício sobre a antecipação "epistemológica" do luto. Marguerite Duras dizia que todo o amor é luto do amor. De certa forma, este livrinho é um repositório de algum "vivido" que antecipa o luto do amor em que consiste, tão só, a morte. Noutro livro com mais anos em cima, La Mort Intime, Marie de Hennezel, uma psicóloga clínica francesa, já tinha descrito a sua proximidade com situações terminais. No prefácio a esse livro, François Mitterrand - então a viver a sua pessoal "educação para a morte" - escreveu que «lors que la mort est si proche, que la tristesse et la souffrance dominent, il peut encore y avoir de la vie, de la joie, des mouvements d'âme d'une profondeur et d'une intensité parfois encore jamais vécues.» Nunes Vicente, sem ilusões e em poucas linhas, é disto que fala.

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NO PASA NADA

João Gonçalves 11 Jun 08

O Carlos Medina Ribeiro recordou, num comentário, a greve dos camionistas chilenos, em 1973. Allende não precisava, aliás, do "empurrão" da CIA para cair. Não há comparação possível. Isto não é o Chile e, sobretudo, não existe um Pinochet. No pasa nada.

AFORISMO VITAL

João Gonçalves 11 Jun 08

É tão divertido observar aqueles que, por cá, defenderam a tomada do Palácio de Inverno, clamarem agora pelo "uso da força pública para pôr fim ao império ilegal da força privada nas estradas".

AFORISMO TIR

João Gonçalves 11 Jun 08


A "paralisação" dos camionistas, cá e em Espanha, tem pelo menos o mérito de obrigar à moderação no uso do carro. No Algarve, aquele paraíso presumido da burguesia pátria, os veraneantes do interregno de Junho andam à rasca para fazer circular os seus jeeps. Que pena que eu tenho deles.

EXPLICAÇÕES

João Gonçalves 11 Jun 08

A cáfila do Bloco e alguma do PC esperam - sentados, naturalmente - "explicações" do Chefe de Estado. O país não tem, aliás, outra preocupação senão a questão semântica da "raça". Esta gente também possui todas as qualidades dos cães menos o pedigree. Vão ver a bola que isso passa.

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