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portugal dos pequeninos

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UM NÃO TRIVIAL

João Gonçalves 8 Jun 08


Marcelo, agora em versão completa, isto é, que inclui o comentário futebolístico, não concorda com a hipótese do deputado Paulo Rangel à frente do grupo parlamentar do PSD. Porquê? Segundo Marcelo, Rangel é directo, incisivo, cáustico, se for necessário, e isso é mau para o alegado "objectivo: preocupações sociais" de Manuela Ferreira Leite. Marcelo prefere um songa-monga, de perfil burocrático e superficial, que debata banalmente com Sócrates. Mais. Rangel, por um azar de mercearia e para sorte dele, é formalmente um "independente". Espero que, até ao congresso, Manuela perceba que a "frente" parlamentar é fundamental e que Rangel - este, sim, sem vícios partidários adquiridos nas "jotas" ou nas secções - seria uma voz adequada nessa "frente". Nunca dei por nenhuma intervenção daquele deputado que fosse inoportuna. Pelo contrário, tem protagonizado algumas das intervenções mais inteligentes que brotaram de um grupo parlamentar que, na feliz expressão de Marques Mendes, foi escolhido numa noite de nevoeiro. É novo e é, pelo menos, um não trivial. Voto nele.

À ESPERA DA MAIORIA SILENCIOSA

João Gonçalves 8 Jun 08


O mundo aparentemente não nos interessa. Porém, há no mundo, e no mundo da política em particular, uma meia dúzia de figuras que nos devia interessar. Não para usar como "cópia" - o que seria impossível porque estes trinta anos não produziram elites políticas, antes uma ou outra criatura menos má do que as outras - mas para nos por a pensar. É o caso da senadora norte-americana Hillary Clinton. Desde sempre detestada pelas "extremas" e por alguns intelectuais (Norman Mailer, por exemplo), Clinton arrebatou dezoito milhões de eleitores durante a sua campanha presidencial. Fez em Washington, onde se despediu dessa campanha - não da eleição de Novembro - um discurso notável que recordou, aos EUA e ao mundo e para os EUA e para o mundo, o que representou o interregno W. Bush. O senador republicano que lhe pretende suceder não é muito melhor apesar de aparecer como um "heterodoxo" da direita norte-americana e dos respectivos interesses. Falou um dia destes sobre economia e mais valia ter ficado calado. Não sabemos o que se prepara porque não sabemos o que "pensa" a famosa "maioria silenciosa" do sr. Nixon. Hillary tem a vantagem do cérebro o que é um excelente princípio de conversa. Mesmo com Obama à frente - cada vez mais a ter de deixar-se de romantismos retóricos para poder falar como chefe da mais poderosa nação do mundo, como eu e outros desejamos que os EUA continuem a ser uma vez "desapoderados" do belicismo inútil e desastroso gerado pela mitologia "anti-terrorista" pós-Setembro de 2001 - os EUA têm um permanente "compromisso" com o mundo (com o "meu" mundo) que não pode ser desbaratado de novo. Entre a China, a Rússia e demais "poderes emergentes", é bom que a Europa saiba de que lado está. Hillary poderá ser, numa eventual administração Obama, o que ela quiser. Merece-o por inteiro.

A NAÇÃO BESTIALIZADA

João Gonçalves 8 Jun 08


Enquanto a selecção não regressar rapidamente da Suiça, o país andará um pouco mais bestializado do que o habitual. Os jornais não desportivos só se podem ler a partir do meio. Deve, por razões de higiene mental, omitir-se a primeira meia hora dos telejornais, dedicada ao futebol e ao medonho "povo" do futebol que vai desde as "figuras" do Estado ao primeiro "Zé das farturas", passando por bandos de fervorosas mamalhudas à mistura com os "intelectuais da bola". Lá fora, é certo, não é melhor. Só que as "condições" da vida lá fora são outras mesmo quando pioram, Aqui, quando tudo piora, é apenas para acrescentar mais excremento ao que já lá estava. É um nosso estado natural, o excrementício, e esta "suspensão" do pensamento - estou a ser generoso - durante uma futebolada convém imenso aos nossos pastores. A histeria colectiva "amacia" e permite a transferência de outras irritações para os estádios. Quando isto acabar - felizmente são só umas semanas esquecíveis - a realidade, tão bestializada como as suas "vítimas", estará de volta. Habituem-se.

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