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portugal dos pequeninos

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O "SÔ" ZÉ

João Gonçalves 7 Jun 08

O palerma do "Zé faz falta" - o vereador "friendly" de António Costa e do PS na Câmara Municipal de Lisboa, convém recordar aos socialistas mais "escandalizados" - permitiu um disparate na Praça das Flores, em Lisboa. O "Zé" entrou para a CML pela mão do BE que já não vê a hora de se ver livre dele. Desde o início que se percebeu que o "Zé" fora metido no bolso de trás das calças de Costa. Isso deu-lhe alguma folga cujas consequências estão agora bem ilustradas na dita Praça. Os bem pensantes que andaram com o "Zé" ao colo, de António Barreto ao arq. Ribeiro Telles, devem estar corados de vergonha. O PS que não se esqueça do "Zé" nas próximas eleições autárquicas, sim?

DE BOTTO A TRUMAN

João Gonçalves 7 Jun 08


Estive a folhear a bonita edição da Quasi das obras de António Botto, apresentadas pelo Eduardo Pitta. Botto fora funcionário público. Foi removido do Estado por ter perpetrado "actos imorais", leia-se, "coisas" com homens. Mandou imprimir uns cartões de visita onde, por baixo do nome, se apresentava como "pederasta oficial". Porquê? Porque o motivo da demissão veio publicado no "Diário do Governo" de então, explicava o poeta. Meia realidade ou meia fantasia, esta "história" leva-me à releitura que comecei ontem à noite a fazer de Súplicas Atendidas, de Truman Capote, na tradução da ASA, que comprei há quinze anos. Também por causa do Eduardo Pitta que "leu" a nova edição da Dom Quixote. Truman era uma figura fisicamente detestável. Não o seria menos "eticamente", porém não me parece que se possa recorrer a esse chicote para vergastar um autor com o seu talento. Quando morreu, Gore Vidal comentou que tinha sido um grande passo em frente na sua carreira (de Capote) : «a good career move». O sucesso praticamente simultâneo das "primeiras obras" dos dois, com ligeira vantagem para a ficção de Capote, foi decisivo neste ódio de estimação. Súplicas é de rir à gargalhada. Por causa dele, Truman foi posto definitivamente de "quarentena social" pelos seus amigos. "Preferia perder mil amigos a perder um dito sobre eles". E perdeu. Para Truman, a "celebridade" equivalia a uma tartaruga virada de barriga para cima. «Gostaria que alguém escrevesse o que significa realmente ser uma celebridade; serve apenas para que, numa aldeia, aceitem um cheque passado por nós. Os famosos transformam-se às vezes em tartatugas de barriga para cima. Toda a gente acossa a tartaruga: os meios de comunicação, pretensos amantes, toda a gente, e ela não consegue defender-se. Implica um enorme esforço dar a volta ao seu ser.» Truman - quiçá Botto também- morreu sem a conseguir dar.

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UMA BOLA NO LUGAR DA CABEÇA

João Gonçalves 7 Jun 08


«Não é por acaso que a televisão que é paga com o dinheiro dos contribuintes para fazer uma coisa inefável que é o “serviço público”, ou seja ter outras prioridades que não sejam as audiências, é a que mais (ou uma das que mais) mergulharam na visão do país como um enorme campo de futebol e dos telespectadores como tendo uma bola na cabeça e o cachecol da “selecção”, com horas e horas de directos, semi-directos e pseudo-notícias sobre trivialidades, de tal maneira que Portugal, o mundo, os problemas, as notícias, ficam soterradas a um canto do delírio patriótico com o futebol. O governo, num dos piores momentos de sempre, agradece. Os romanos reconhecer-se-iam no Portugal de hoje, com o imperador a dar circo e gladiadores, para esconder que a guerra corre mal na Germânia e que não há dinheiro no tesouro para pagar o trigo do Egipto.»

José Pacheco Pereira, in Abrupto

A CINEMATECA BENARDIANA

João Gonçalves 7 Jun 08


Isabel Pires de Lima é seguramente melhor deputada do que foi ministra. E cumpre melhor como deputada do que Pinto Ribeiro como ministro. Primeiro, por causa do "acordo ortográfico". E, agora, num artigo no Público, sobre Bénard da Costa e as "dúvidas" do "only one" sobre a criação de um "pólo de programação da Cinemateca" no Porto. É bem feito para Isabel. Aquando da procissão a favor da continuação daquele director-geral em funções para além do legal limite de idade, Pires de Lima, então ministra, "cedeu" à pressão da vasta confraria "benardiana". Bénard, graças ao raro privilégio de que goza no regime, trata a Cinemateca não como nacional mas como coisa sua. A "confraria", aliás, não admitiria outro propósito. Desconheço a intenção de Pinto Ribeiro em colocar Pedro Mexia como "número dois" de Bénard. Espero que não tenha sido para o envelhecer precocemente e, pior do que isso, no mesmo sentido do seu vitalício director. Não convinha que Mexia estivesse já a pensar na Cinemateca como uma futura coutada pessoal, seguindo o mau exemplo do benemérito e venerando Bénard. A Cinemateca existe para prestar serviço nacional. Não é só de Lisboa. Nem, sobretudo, é só de Bénard.

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