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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

DO DESPEITO

João Gonçalves 30 Jun 08


O sr. Pinto da Costa foi ilibado por um tribunal de instrução criminal num "caso" edificantemente conhecido por "da fruta". O Ministério Público da dra. Maria José Morgado quer recorrer. E porquê? No fundamental, porque a "equipa" da dra. Morgado acreditou num livro que até o PGR confessou que tinha "mandado ler". Quando isto começou, escrevi aqui que "usar o ressentimento e um desastre da vida pessoal como canais privilegiados de uma investigação, é, no mínimo, desagradável." Repito (e detesto a bola) : só num país pindérico como o nosso é que é possível constituir uma trama judicial em torno do despeito.

A SÍNDROME DO DEDINHO APONTADO

João Gonçalves 30 Jun 08

Não me parece que Cavaco Silva tivesse comprometido a independência entre o Estado e a Igreja por, após uma audiência com o Papa Ratzinger, ter-se declarado católico praticante. Anteriores chefes da Igreja católica receberam presidentes da República portuguesa que sempre exibiram, com imensa alegria, a sua condição de socialistas, laicos e republicanos sendo certo que nem o país nem o Papa se mostraram incomodados com essa exibição, nem Portugal se tornou mais vaidoso e próspero por os saber agnósticos ou do Sporting. Não vale a pena estender o manto diáfano do jacobinismo ao laicismo do Estado e, muito menos, cobrir o presidente com as suas vetustas vestes inquisitoriais e moralistas, limitando-lhe o direito a proclamar o que sempre foi sem quaisquer outras intenções.

GABRIELE D' ANNUNZIO

João Gonçalves 30 Jun 08



Por causa do sol, vítima da "inconveniência" humana, só chego à praia depois das seis da tarde para tomar banho até às oito. Às nove da noite de sábado, o dito sol ainda marcava a linha do horizonte envolta em neblina num areal finalmente deserto. Pierre Assouline dá notícia de uma edição bilingue (francês e italiano) de poesia de Gabriele d' Annunzio, Poemas de Amor e de Glória. D' Annunzio? «Héroïque mais aussi mégalomane, mondain, fanfaron, excentrique, scandaleux et nationaliste tenu pour pré-fasciste ; mais même ceux qui l’avaient réduit à son dandysme durent reconnaître qu’il était plus proche de Byron que de Wilde, bien qu’il se soit acharné à faire de sa vie une oeuvre d’art.» Foi isso que d' Annunzio prodigalizou: soube fazer da sua vida uma obra de arte. Certamente um belo livro para ler nesses breves instantes vistos a partir de um areal deserto e que precedem a noite e a solidão.

«Comme scorrea la calda sabbia lieve/ per entro il cavo della mano in ozio,/ il cor senti che il giorno era piu breve./ E un’ansia repentina il cor m’assalse/ per l’appressar dell’umido equinozio/ che offusca l’oro delle piagge salse./ Alla sabbia del Tempo urna la mano/ era, clessidra il cor mio palpitante,/ l’ombra crescente di ogni stelo vano/ quasi ombra d’ago in tacito quadrante».

(La Sabbia del Tempo)

Alguém disparou para cima de um pavilhão no Algarve onde Sócrates perorou meia hora antes para os seus camaradas do PS de Portimão. A jantarada continuou, imperturbável, sem dar pelos "impactos". Ao Tomás Vasques - cujo talento para ficcionista posso testemunhar através do seu "O General de todas as Estrelas foi-se Embora sem Ter Bebido um Trago de Havana Club", das Edições ASA - deu-lhe para a "teoria da conspiração" ou, para emprestar algum "realismo" à coisa, para o "terrorismo". Se alguém quisesse atacar o primeiro-ministro dificilmente se ia por a dar tiros para o telhado de um pavilhão meia hora depois da "vítima" ter saído. Há demasiado armamento espalhado pelas mãos erradas e que a "autoridade", que Sócrates representa, não consegue "recolher". Esta é a questão fundamental. O resto é com a investigação criminal e não com a ficção política.

DA DIGNIDADE

João Gonçalves 29 Jun 08

«Nelson Mandela tresanda a respeitabilidade e possui aqueles traços de fineza aristocrática, segurança e equilibrio que só os homens superiores conseguem preservar. »

Miguel Castelo-Branco, in Combustões

OS NEOCON

João Gonçalves 29 Jun 08


Segundo o Público, «a organização da marcha [gay pride "à portuguesa" que costuma juntar umas centenas de "activistas" e de compagnons de route "correctos" em concorrência com os "arraiais populares"] não se fez sem alguma controvérsia. A adesão ao desfile do recente grupo Poliamor - que defende o direito a formas diversificadas de relacionamento, incluindo as não monogâmicas, desde que assentes no respeito e na sinceridade - não foi bem acolhida por todos, revelando algum conservadorismo de um movimento que combate a discriminação.» Quem diria. Esta maricagem associativa mistura pseudo-intelectuais "chiques" com o "Lumpen" dos subúrbios. Ao pretender institucionalizar, impor e "folclorizar" relações que não possuem a menor relevância social ou cósmica, como são as que ocorrem entre "samesexers" ou outras quaisquer, emerge apenas como uma ridícula caricatura. E é, afinal, um produto neocon. Con de parvos, naturalmente.

UMA HUMANIDADE CADA VEZ MAIS UNIDIMENSIONAL

João Gonçalves 29 Jun 08


«O desporto condiciona hoje em todo o planeta o imaginário dos povos, impondo-lhes um conjunto uniforme de representações a partir das quais eles concebem quase toda a sua existência. Como diz um dos mais finos intérpretes deste fenómeno, Robert Redeker, é no desporto que se concentram em mais alto grau os factores de uma tal uniformização: consumo desenfreado, fetichismo das marcas, pressão publicitária, culto dos ídolos, submissão aos média, sloganização da linguagem, histerização das multidões, fanatismo da performance. E aqui, nesta convergência, começa mesmo talvez uma nova era, em que o desporto se torna no catalizador de uma humanidade cada vez mais unidimensional – a do homo sportivus

Manuel Maria Carrilho, in Contingências

OS MENINOS DE OURO

João Gonçalves 29 Jun 08


A jornalista da Antena 1, Eduarda Maio, escreveu a "biografia autorizada" do secretário-geral do PS e primeiro-ministro, intitulada Sócrates, o Menino de Ouro do PS (Esfera dos Livros). Quem consegue arrancar uma "biografia" a este homem sem qualidades de maior - ou seja, Sócrates é apenas mais um dirigente mediano na política do século XXI cheia de dirigentes medianos espalhados por todo o mundo -, merece, só por isso, aplauso. Se me der na telha - e se alguém me oferecer - lerei o livro com a maior atenção e darei aqui conta dele. Para já, apenas registo que a obra já propiciou um "momento centrão" a seguir com interesse. Apresentam a obra os drs. Vitorino, do PS, e Dias Loureiro, do PSD. Este último, para variar, não apareceu no congresso do partido nem foi visto ou ouvido a apoiar alguém. Politicamente é uma eminência cinzenta que Cavaco colocou no Conselho de Estado. De resto, é um puro homem de negócios. Amigo íntimo de Jorge Coelho - outro ex-membro do CE e outro grande homem de negócios -, Loureiro de certeza que não participa nesta "charla" por gostar de ler. Num momento de afirmação de uma liderança "nova" no seu partido, Dias Loureiro estaria a tomar por parvos aqueles que vissem nesta apresentação conjunta um gesto inocente. Como aqui tem sido repetido à exaustão, o regime tem manhas que a razão desconhece. Apresentar uma biografia de Sócrates não é um acto de cultura. É uma atitude política reveladora. De quê? De que o regime sobrevive fora do púlpito dos congressos e dos jantares com entusiasmos partidários ensaiados. À falta de uma elite digna desse nome, existem homenzinhos que, ao longo deste trinta e tal anos, foram tratando da vida dos partidos a que aderiram e, por essa via, tratando da vida deles. O que Vitorino e Loureiro celebram em conjunto (menos do que Sócrates, naturalmente, que a prazo deixará de contar) é essa cumplicidade "regimental" que os une. Muito depois de Sócrates ou Ferreira Leite desaparecerem de cena, eles continuarão por aí, com estes ou outros nomes. Porque são eles os verdadeiros meninos de ouro do regime. Ao pé deles, Sócrates é um mero menino de coro.

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O MATA-MATA

João Gonçalves 28 Jun 08

Se bem me lembro, e certamente por mera coincidência, Vale e Azevedo só foi demandado pela PJ, à saida de um restaurante, quando já não era presidente do Benfica. Enquanto dirigiu o sublime clube desportivo - há quem lhe chame mesmo uma "nação" - Vale nunca foi incomodado. Scolari, que até há quinze dias atrás era um herói nacional, estava, afinal, a ser investigado por alegada prática de crime fiscal. Todavia, só agora foi divulgado. Em Portugal, o "mata-mata" já fazia escola antes do brasileiro malcriado aterrar na Portela. É para que veja.

JESSYE NORMAN

João Gonçalves 28 Jun 08




Fora de horas - é uma da manhã - a RTP2 passa um documentário com a cantora Jessye Norman. A entrevista, em inglês e em alemão, é absolutamente notável. No vídeo, Norman canta o Liebestod de Tristan und Isolde, de Wagner, no Festival de Salzburgo de 1987, com a Orquestra Filarmónica de Berlim dirigida por Herbert von Karajan.

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