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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

GENTE DESTA

João Gonçalves 25 Mar 08

Esta miserável "conversa" do "número dois" de Maria de Lurdes Rodrigues revela a tremenda ilusão em que a criatura vive. "Psicólogos e mediadores de conflitos" para tratar de meros casos de polícia? "Territórios Educativos de Intervenção Prioritária" são os novos (velhíssimos) "laboratórios" para os referidos "psicólogos e mediadores de conflitos" testarem as suas "competências" enquanto a escola arde? Vale a pena gastar mais cuspo com gente desta?

UM ADMIRÁVEL MUNDO NOVO?

João Gonçalves 25 Mar 08

Este post do Tiago Barbosa Ribeiro parece ter sido escrito numa cave da 5 de Outubro por um membro obscuro de uma obscura comissão, uma daquelas que andam, há mais de trinta anos, a "reformar" o ensino em Portugal. O Tiago tem todo o direito a pertencer à brigada do optimismo antropológico que surpreende em cada aluno um aprendiz de democrata que a maldosa sociedade não deixa "despontar", em todo o seu esplendor, para a referida democracia. Daí, talvez, a concessão à extraordinária "mundivisão" que as "câmaras de vídeo, telemóveis ou YouTube" podem propiciar a esse menino da democracia que é suposto a nossa escola pública formatar. Tiago, sem se rir, fala-nos de uma geração que "é simplesmente produto do seu tempo, que é aliás bem mais admirável do que aquele Portugal cinzento e asfixiante do «antigamente», ou do país de todas as aprendizagens -- e todos os erros -- depois de 1974, num recanto isolado de uma Europa onde se multiplicavam em muros e fronteiras o que hoje existe em mobilidade, abertura e conhecimento para franjas cada vez mais novas da nossa população." Que raio de "admirável mundo novo" é este que o Tiago antevê? Um mundo em que o professor desaparece da sala de aula para dar lugar a um gnomo manipulável por monstros e monstras sem pescoço ou cabeça, porém "admiráveis" porque são "produto do seu tempo"? Um mundo em que, porque é necessário garantir o "multiculturalismo" medíocre da propaganda correcta, tudo é permitido sob pena de regresso ao infausto "Portugal cinzento e asfixiante"? O Tiago esquece-se que a maior parte das "franjas cada vez mais novas da nossa população" se está nas tintas para o país e para o seu "futuro". São perfeitos autistas sociais, criaturas amorais, ensimesmadas e narcisistas sem quaisquer referências ou interesses e que esticam - os que lá chegam - na universidade a sua imensa futilidade. Não têm história, não sabem nenhuma e nem lhes interessa ter uma. São meros "presencistas" precocemente esgotados pela sua própria inutilidade. Não dobre sinos por quem não merece.

RADIOGRAFIA DE UM GAJO PORREIRO

João Gonçalves 25 Mar 08


«Disse Durão Barroso: «Consideramos os jogos olímpicos não como um acontecimento político, mas como um grande acontecimento desportivo no qual milhares e milhares colocaram as suas esperanças». Está visto. Os Jogos Olímpicos são só desporto. É como a junção de um campeonato do mundo de atletismo, de natação e de hipismo. Nem mais. Os 137.000 km de percurso da tocha olímpica são uma mescla de maratona gigante com uma corrida de estafetas.E acrescentou o homem que nunca falou ao telefone com Valentim Loureiro: «Não estamos de forma alguma seguros que qualquer eventual boicote levasse a um maior respeito pela lei da China ou no Tibete. De forma alguma». Portanto o melhor é não fazer nada. Como de costume. Ser conivente. Cúmplice, quanto baste. Dizer que se é ‘contra o boicote’ mas a ‘favor dos Direitos Humanos’, contra a ‘repressão’ mas a favor do ‘desporto’. Nem sim nem não, antes pelo contrário. É muito, ainda, o antigo admirador da China no seu melhor. Sem dúvida, uma posição digna de um animal. Político.»


Carlos Abreu Amorim, in Blasfémias

OS RECOLECTORES

João Gonçalves 25 Mar 08

Na Índia existe uma espécie de infra-casta que é designada profissionalmente por recolectores. Os recolectores andam pelas ruas, com umas cabaças à cabeça, e dedicam-se a - como o nome indica - "recolher" os dejectos que as castas mais elevadas aliviam ao ar livre. Faça chuva ou sol, os recolectores lá vão, na sua azáfama diária, com aquilo com que ganham o ordenado e que, em dias de tempestade, acaba por lhes escorrer pela cara abaixo. O governo português e a Ordem dos Advogados criaram a sua pequena "casta" de recolectores, desta feita de multas. Depois de ter desbaratado a defunta DGV, o governo percebeu que andava a perder dinheiro com multas enfiadas em processos que pararam. Com o concurso da Ordem, trinta e dois advogados vão "separar um mínimo de 1000 processos por dia, e fazer pelo menos 30 propostas de decisão diárias", sendo cada proposta "paga a 1,67 euros e cada lote de processos separados vale 50 euros." Se um jurista recolector cumprir um daqueles objectivos ganha no fim do mês cerca de 1050 euros. Sobre isto incidem os habituais descontos legais. Candidataram-se a esta edificante tarefa, para já, cerca de setecentos advogados. Considero que a profissão de advogado possui uma dignidade específica, inconfundível com esta bizarra "missão", tipicamente estadual, de evitar que multas, cuja legalidade na sua emissão é muitas vezes duvidosa, prescrevam. Todavia, no país das "novas oportunidades", em que tudo está a ficar cada vez mais insuportável, tudo é possível. Por isso não admira que os "mais qualificados" acabem a apanhar a porcaria dos outros.

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