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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

OS AMIGOS DE ALEX

João Gonçalves 2 Mar 08


O dr. Pinto Ribeiro, antes de ser ministro da Cultura, é sobretudo um homem com bons amigos. Desde que tomou posse, só se conhece dele aquilo que os amigos querem que se conheça. Depois de Fernanda Câncio, foi agora a vez de Alexandra Prado Coelho (Público, edição impressa) discorrer sobre Ribeiro à conta dos, mais ou menos, mesmos amigos a que Câncio já tinha recorrido. Da matéria de fundo - a cultura - nem um murmúrio do senhor ministro, porventura já a sentir a "melancolia" (Jorge Silva Melo) da falta de dinheiro e, quem sabe, da falta de ideias. Lá vem outra vez o percurso privilegiado deste "esquerda caviar" que, em pleno PREC, não largava as gravatas. Lá vem outra vez a presença de Ribeiro num café, numa peça, num encontro, sempre ao lado das pessoas certas, as mesmas que agora o "certificam" como o "fazedor" adequado, o homem sempre atento à sua circunstância e com os outros sempre atentos à forma como ele "diz" e se mexe. Lá vem outra vez a sublime "imagem" do grande homem que podia ser ministro de qualquer coisa mas que agora prefere não falar, deixando correr as lebres amigas. Aliás, este misterioso homem não se declara nunca, nestes artigos, na primeira pessoa. São apenas os seus incondicionais admiradores que falam por ele. Ele "estuda pastas e ouve criadores". Talvez este mês se arranque qualquer coisa deste prometedor ministro, assegura um assessor. Apesar deste duplo exercício encomiástico, fico com uma dúvida. Pinto Ribeiro existe e é ministro da Cultura ou trata-se somente de um fantasma - mais um - colocado prosaicamente na Ajuda para nada?
Está enganado, meu caro. Este país é mesmo para anónimos. Volte e verifique por si.

O SILÊNCIO DOS INOCENTES

João Gonçalves 2 Mar 08



Um dias destes, um homem saiu de casa para ir beber a "bica" da noite ao café habitual. Saiu de lá cadáver, com um tiro disparado à queima-roupa. Uma mulher preparava-se para estacionar o carro, ir para casa, começar o fim de semana e acabou morta à tiro enquanto falava ao telemóvel com uma amiga. Um rapaz de vinte anos fechou a loja num centro comercial e, quando se dirigiu ao carro, foi surpreendido por um tiro na cabeça que o deixou em coma. Um filho matou os pais esmagando-lhes a cabeça, suicidando-se de seguida. Na "noite", não é seguro ser "segurança". A possibilidade de terminar na morgue é elevada. E trabalhar numa bomba de gasolina também não conforta ninguém. Há muitas maneiras da "dissolução" social e do "mal-estar" difuso se manifestarem. As mais inofensivas são mesmo as manifestações onde, de tanto berrarem, as pessoas aliviam-se. Os actos descritos - avulsos e sem aparente relação entre si - mostram uma sociedade mais disposta a "descarregar" a sua frustração nos outros. É, também, o preço a pagar pela "mudança", pela "modernidade" e pela "globalização" vistas a partir da periferia. A esta gente silenciada pela violência gratuita resta-lhe a infeliz consolação de não ter de ouvir a retórica política produzida nestes momentos, a velha retórica da "confiança". Eu sou desconfiado por natureza. Por isso, pelo sim, pelo não, há por aí alguém que me venda uma arma, de preferência com silenciador?

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