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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

A ORIGEM DO MAL

João Gonçalves 29 Fev 08

O que é que leva Nuno Morais Sarmento a ressuscitar dos mortos para "explicar" a Mário Crespo, com um detalhe até agora nunca alcançado por nenhum dos "protagonistas", o assunto "casino de Lisboa"? O presidente da Comissão Europeia, a origem do actual estado moribundo da "direita"?

SONDADOS

João Gonçalves 29 Fev 08

Segundo as sondagens, Menezes é um anão comparado com Sócrates. Também de acordo com as mesmas sondagens, o PS ganha sempre, sem maioria absoluta, o PSD desce sempre e o governo está aquém das expectativas. Todavia, os que responderam às sondagens entendem que, em geral, o governo é mau, as perspectivas são más, os protagonistas são fracos. Sem as subtilezas dos comentadores e dos bloggers, os sondados olham para o país sem um módico de confiança e com relativo asco. Tudo somado, e à falta de melhor, Sócrates fica e Menezes claramente não presta, perdido no seu labirinto idiota sobre a publicidade na RTP. Os sondados estão resignados como gado a caminho do matadouro. Suportam Sócrates com o mesmo enfado inevitável com que Sócrates os suporta a eles. Razão tinha Herculano. Isto dá mesmo vontade de morrer.

«MAL-ESTAR DIFUSO»

João Gonçalves 29 Fev 08

«Alexandre Herculano, o maior "intelectual" do liberalismo, que passara pelo exílio e combatera no cerco do Porto, deixou, já em agonia, um último juízo sobre a Pátria: "Isto dá vontade de morrer." D. Carlos, que foi de facto o último rei e o último reformador da Monarquia, achava Portugal uma "piolheira" e os portugueses, fatalmente, uma "choldra". Os republicanos não estimavam nem o país, nem a República e acabaram, quase sem excepção, "desiludidos". Basta ler uma dúzia de páginas dos Discursos para constatar o infinito desprezo que Salazar tinha por nós. Do PREC ficou o absurdo cadáver do PC. E esta democracia anda agora a chorar abjectamente o seu fracasso. Verdade que a famosa frase de Herculano é apócrifa (inventada por Bulhão Pato) e que D. Carlos só em privado se alargava sobre o seu reino. De qualquer maneira, não há dúvida de que Portugal sempre gostou muito pouco de si próprio.Com uma certa razão, convém admitir. Desde o princípio do século XVIII que Portugal quis ser "como a Europa" e até hoje infelizmente não conseguiu. A cada revolução, a cada guerra civil, a cada regime, o indígena prestável, alfabeto e "modernizante" supunha que chegara "o dia". E "o dia" invariavelmente não chegava. A sociedade ia, como é óbvio, mudando: devagar, com dificuldade, aos sacões. Só que a distância que nos separava da Europa não diminuía. Os modelos não faltavam: ou modelo universal da França (até à República); ou os mais modestos modelos de países pequenos como a Bélgica no século XIX e a Suécia a seguir. O português copiava com devoção o que via "lá fora". Mas não saía da sua inferioridade e do seu atraso. No meio desta persistente desgraça, Portugal julgou três vezes que se aproximava da Europa: durante os primeiros tempos da "Regeneração", durante o "fontismo" e durante o "cavaquismo". Ao todo, trinta e tal anos de uma ordem política "civilizada" e de um crescimento económico razoável. Mesmo assim, os fundamentos destes raríssimos milagres não eram sólidos. Nos três casos (embora com um ligeiro atraso), uma crise financeira pôs fim à festa e voltou a velha angústia nacional, a que por aí se convencionou chamar "mal-estar difuso". O "mal-estar difuso" é simplesmente o regresso à realidade. Portugal não tem meios para o Estado-providência e a espécie de vida que os portugueses reclamam. E, como não tem, toda a gente se agita e ninguém faz nada com sentido. Esta fase também é conhecida.»

Vasco Pulido Valente, in Público

ESTE PAÍS NÃO É PARA VELHOS

João Gonçalves 29 Fev 08

Este post do Tomás Vasques é enternecedor. É evidente que, seja lá quem for o autor, toda a gente é livre de abrir um blogue. Desconheço se existem "assessores do governo" que sustentam blogues nem isso me interessa nada. Limito-me a avaliar os conteúdos da mesma forma que avaliam os meus. A diferença é que eu não telefono a ninguém - a não ser que conheça, como é o teu caso ou o do Eduardo - para "comentar" sem que, do outro lado, saibam perfeitamente quem eu sou e como é que ali cheguei. Não sou "anónimo" nem recorro a pseudónimo. Esse género de "liberdades" são adequadas a imaturos. Há, no entanto, para aí quem as tome sem mais. Isto sou eu a falar e sou velho. E este país não é para velhos.


Adenda: Quando eu quiser falar de mim, escrevo umas memórias. O blogue não é o meu "gabinete do utente" privativo. Não serve para exibir a minha gloriosa pessoa ou "obra" - não sou tal coisa nem possuo uma -, nem serve para falar daquilo que faço profissionalmente. I'm not my own subject.

SIMONE

João Gonçalves 29 Fev 08



Vi a entrevista de Simone de Oliveira na RTP. Gosto dela. É uma mulher com força, corajosa e livre. Por isso mesmo, podia ter-se poupado ao "momento anti-fascista" com que começou a entrevista. Simone começou e floresceu na "ditadura", uma "ditadura" que lhe permitiu ir a Espanha cantar Ary dos Santos e que a celebrou. Quando regressou, foi recebida em apoteose, em Santa Apolónia, provavelmente pelos mesmos que, cinco anos depois, esperaram Mário Soares vindo de Paris e que, dias antes da revolução, aplaudiram vibrantemente o então presidente do Conselho, Marcello Caetano, no Estádio Nacional. O nosso "povo" sempre foi assim: muito "patriota" com quem está. Simone, como explicou, vota PS, um PS que, agora no governo, se "esqueceu" dela nos cinquenta anos da sua carreira. Lembro-me de Simone, em 1980, na sede da recandidatura do General Eanes a cantar a canção do vídeo, um poema de Eugénio de Andrade. As coisas são o que são e foram o que foram. E a Simone é uma referência da música dita ligeira portuguesa, acima de qualquer regime. Não tem por que se arrepender de nada.

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