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portugal dos pequeninos

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UM PEDAÇO DA EUROPA

João Gonçalves 16 Fev 08


O desmembramento da Jugoslávia - um artifício decorrente do fim do império austro-húngaro que os vencedores de 45 aceitaram apesar da desconfiança da URSS em relação a Tito - permitiu a emergência de uns quantos "estadinhos" independentes. O minúsculo Kosovo proclama agora a sua sob a suspeita e o ódio "nacionalista" da Sérvia. Talvez Bruxelas e a UE, em geral, vejam nisto mais um "progresso" da "democracia". Não é. Aquele pedaço da Europa foi sempre um problema para a Europa. As piores convulsões do século passado, até bem dentro dos anos 90, ou começaram por lá, ou passaram por lá. Esta "independência", acarinhada pela correcção ocidental, pode custar-lhe cara. Talvez esteja, pois, na hora de reler o livrinho da foto. Devia aprender-se qualquer coisa com a história, quer para evitar tragédias, quer para evitar comédias. Todavia, com dirigentes europeus do calibre dos actuais, e apesar do inegável talento de muitos para a encenação, é de esperar o pior. Aquele pedaço da Europa nunca brincou em serviço.

A ANEDOTA REVISTEIRA

João Gonçalves 16 Fev 08


Em entrevista ao Expresso (Única), Cecília Supico Pinto, aos oitenta e seis anos, define muito bem o ser humano. Quando lhe perguntaram pelas pessoas que lhe viraram a cara depois do "25", Cilinha respondeu: "toda a espécie de pessoas, conhecidos e até algumas que me tinham pedido coisas." E rematou: "quem reage assim é um desgraçado." Quanto aos políticos de hoje, Soares é "um simpático aldrabão, engraçadíssimo", "Cavaco está a fazer um bom lugar como Presidente da República, e o Ramalho Eanes também foi muito sério." Todavia, para ela, "democracia em Portugal, e nos países latinos, é quase uma anedota revisteira..." Que certeira. Que Senhora.

A FATALIDADE NACIONAL

João Gonçalves 16 Fev 08

Numa entrevista a Mário Crespo - não se pode ser perfeito -, o dr. Mário Soares reclamou não haver alternativa a Sócrates. Nem no partido, nem fora. Ou seja, Soares transformou o senhor engenheiro numa fatalidade nacional. Mais uma. Nada que não soubéssemos já.

Adenda: Manuel Maria Carrilho continua a não ser dado a fatalidades. Pelo menos, entre 2000 e 2001, não se enganou acerca dessa outra grande fatalidade nacional chamada Guterres. Que dirão de Carrilho estes vigorosos e "elementares" críticos da "cultura política salazarista de pernas para o ar" ? Que também é pago pelo grupo SONAE, na inspirada versão regimental do dr. António Costa?

O TÚNEL

João Gonçalves 16 Fev 08

Gosto de imaginar Sócrates e Lino a trautear esta velha canção do tempo em que um ainda era só engenheiro técnico, projectista de casinhas onde músicas destas fazem muito sucesso, e o outro ainda estava no PC, ao lado do "povo".

O OBSTÁCULO E O TERAPEUTA

João Gonçalves 16 Fev 08


Cada vez que Jorge Sampaio abre a boca, fica-se com mais dúvidas acerca da realidade a que ele presidiu durante dez anos e, mais prosaicamente, sobre o que é que ele esteve lá a fazer. Sampaio foi a Serralves dizer, entre outras, esta coisa extraordinária: "vai ser necessário sério empenho em superar os obstáculos jurídicos e políticos que têm impedido, entre outras medidas, a consagração no nosso ordenamento legislativo de meio tão indispensável à corrupção como é a punição do enriquecimento ilícito dos agentes públicos." Sampaio pode ser moralista à vontade. É só mais um dos que "enriquecem" o regime com a sua douta opinião. Sucede que, no caso dele, há uma diferença não menosprezável. O homem foi chefe da banda duas vezes. Viu passarem-lhe pela frente governos do partido dele e de outros. Até derrubou misericordiosamente um. E nunca nos poupou à sua retórica vazia e redonda. Afinal, Sampaio foi o quê? Dez anos de "obstáculo político", para usar a sua própria expressão? Não nos bastavam os "protagonistas" actuais. Ainda vêm estas vozes do passado recente falar-nos da sua impotência e servir, frias, recomendações. Dedique-se à tuberculose, dr. Sampaio. Pode ser que tenha mais sorte do que teve quando não via passar-lhe à frente dos olhos a corrupção ou o "enriquecimento ilícito dos agentes públicos" que não começaram ontem.

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