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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

PONTE MÁRIO LINO

João Gonçalves 12 Fev 08

A nova travessia do Tejo tem dado azo às mais desvairadas e desencontradas posições "oficiais". É tanta a mediocridade política na gestão desta matéria que até dói. O que é que Lino tem ou sabe que o mantém?

CILINHA

João Gonçalves 12 Fev 08


O livro do João Amaral - que se lê de um fôlego - explica, como Marcelo notou, que não foi nenhum republicano excitado quem varreu definitivamente a hipótese monárquica. Foi Salazar. Salazar achava que a monarquia era uma instituição e não propriamente um regime. Por isso preferiu "roubar" a instituição, dissolvendo-a no regime. Um pouco como D. Carlos (que dizia mandar numa monarquia sem monárquicos), Salazar desprezava os monárquicos de serviço a quem apelidava de "os nossos pobres meios monárquicos" e a quem acusava, tipicamente, de "insensatez". Nesta matéria, de facto, não mudaram muito como pude constatar recentemente. Nunca mereceram D. Carlos. Defensor de que não valia a pena a nação dividir-se por causa do que não interessava - república ou monarquia -, Salazar meteu a "instituição" no bolso. Fez bem. Não se fala, pois, mais nisso. Mas de Salazar fala seguramente o livro da foto, sobre a mítica "Cilinha" Supico Pinto, uma mulher literalmente "de armas" e, já nessa altura, aberta à modernidade, como diria o dr. Soares. Fernando Dacosta apresenta, às 18.30, na Sociedade de Geografia, ao lado do Coliseu.

Adenda: O "Estado Novo" nunca teve propriamente uma "primeira-dama". Maria do Carmo Carmona, Berta Lopes e Gertrudes Tomáz eram personagens secundárias ao lado dos também secundários maridos. O presidente do Conselho era celibatário e Marcello, quando lhe sucedeu, vivia a tragédia da doença da mulher, aparecendo publicamente com a filha. Cecília Supico Pinto foi, a partir de 1961, a verdadeira e única "primeira-dama" do regime. Era bonita, elegante, de boas famílias, católica, salazarista, patriota e acreditava genuinamente na política colonial em vigor. Até hoje, para Cecília, a África que foi portuguesa designa-se por "províncias ultramarinas". Nunca foi, por isso, incoerente nem nunca enganou ninguém. Dirigiu, até à extinção, em Junho de 1974, o Movimento Nacional Feminino e acreditou ingenuamente que as "suas" forças armadas iam continuar a acarinhá-la. Como aconteceu a muita coisa no PREC, os ficheiros do Movimento desapareceram. Apesar de ter dirigido um movimento de mulheres, Cecília odiava, como lhe competia, feministas que apelidava de "mulheres feias e mal vestidas". Dizia piadas a Salazar e permitia-se fumar diante dele. Conhecê-la, através deste livro, é conhecer uma parte da nossa história contemporânea, a que coincide com a derradeira guerra colonial de um país que foi, durante quinhentos anos, um "império". Não é nostalgia. É memória.

O OVO E O PINTO

João Gonçalves 12 Fev 08

Esse fantástico ministro da Cultura que "pode ser o que ele quiser", na prosa irreprimida de uma sua admiradora incondicional, ainda não disse o que quer. Não disse, nem provavelmente vai dizer. A Cultura - ministério - é uma questão de mercearia e não uma questão de cultura propriamente dita. Alguém, de certeza, já mostrou as "contas" a Pinto Ribeiro. E ele deve-se ter lembrado da sua frase de há um ano, na louca cruzada abortista, repleta de bom-gosto: "um ovo não é igual a um pinto, um ovo não tem os mesmos direitos do que um frango." Aprenda consigo mesmo, dr. Ribeiro. A "sua" Cultura é um ovo que nunca chega a pinto, quanto mais a frango. Nem tem os mesmos "direitos" dos outros. Pergunte ao seu chefe porquê.

DEMOCRACIA ANÃ

João Gonçalves 12 Fev 08

A Justiça - o modo como ela é concedida ou negada, na forma e na substância - "mede" um regime. A "sra. dra." Campos Ferreira e os "srs. drs." que derramam sobre "justiça", na RTP, revelam-nos apenas uma democracia anã.

A D. INÊS

João Gonçalves 12 Fev 08


Sou suspeito. Gosto e sou amigo do Francisco. Não gosto nem sou amigo da D. Inês Pedrosa. Não a aprecio, nem como escritora, nem como cronista. É um mito da "literatura portuguesa contemporânea" e, como mandam os costumes, uma "mulher de esquerda". Todavia, a D. Inês apoiou o dr. Costa em Lisboa. Não só apoiou como - lembram-se? - queria punir exemplarmente os abstencionistas que permitiram que ele fosse eleito apenas com menos de sessenta mil votos. A D. Inês, sessenta vezes mais democrata do que eu, escreveu na altura, no Expresso, que os vilões que não votam deviam ser, por exemplo, excluídos dos empregos públicos e impedidos de se candidatarem a "bolsas". Fugiu-lhe logo o pé para aquilo que ela, e muitos como ela, melhor conhece: a prebenda, o premiozinho da treta sempre esmolado ao Estado, a distinção pública e política por meia dúzia de parágrafos mal esgalhados. Pois aí está. A senhora é a nova directora da Casa Fernando Pessoa, justamente escolhida pela vereação do dr. Costa. Parabéns à prima.

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