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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

A CULTURA DO GATO

João Gonçalves 30 Jan 08


Para tentar encontrar um vestígio biográfico que ligasse o dr. Pinto Ribeiro, ministro da cultura, à dita, os jornais foram buscar a sua actividade profissional - advogado - e, dentro dela, seleccionaram o seu cliente, os Gato Fedorento. Também apareceu a Fundação Berardo, o conhecimento de inglês, alemão, francês e, suponho, espanhol, tudo, porém, sem o brilho da referência aos Fedorento. A cultura, porventura, também não exige mais.

PORTUGAL DOS PEQUENINOS

João Gonçalves 30 Jan 08

Não sou monárquico. Isso não invalida que entenda que o centenário do assassinato de um Chefe de Estado, na circunstância um rei, deve ser recordado. Passem os anos que passarem, é um dado histórico inelutável, porventura - a avaliar pelo que se seguiu - funesto e, seguramente, anti-patriótico. Os esquecíveis deputados de todos os partidos com representação parlamentar - ou seja, já não apenas os do BE - que integram a comissão de Defesa, exigiram, ao ministro da tutela, a retirada do Exército da cerimónia organizada para a hora do regicídio, no Terreiro do Paço, na próxima sexta-feira. Trata-se de um gesto simultaneamente imbecil e infantil. Os herdeiros pífios do dr. Afonso Costa imaginam que a história muda consoante o "correcto" do momento. Não muda. D. Carlos já lá está por direito próprio, com ou sem a banda do Exército. Pelo contrário, destes deputados pequeninos ninguém falará quando desaparecerem.

PROBLEMAS DE COMPREENSÃO

João Gonçalves 30 Jan 08

O 1º ministro diz que "compreendeu as preocupações das pessoas" a propósito da remoção de Correia de Campos. Consta que Campos - e alguns bloggers afirmam-no sem um dedo mindinho de dúvida - era um grande "reformador". E, até ontem, o mesmo 1º ministro que hoje "compreende" as preocupações de terceiros, também achava que Campos era um genial "reformador". Acontece, como não me canso de dizer, que não se "reforma" nada que os principais destinatários não queiram ver "reformado". Entre a alegada "reforma" de Campos e um sarilho, Sócrates escolheu "compreender", um eufemismo que confirma uma derrota política no "terreno". E se havia alguma "reforma" em curso na saúde, ela acabou no dia em que Cavaco disse que ela não se "compreendia". Acontece que, parece, estão em curso mais "reformas" que muita gente não "compreende". A começar pelo dito PR. Ainda vamos ouvir falar muito destes problemas de compreensão.

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O AUTORITÁRIO SEM CARISMA

João Gonçalves 30 Jan 08

O maior problema de Sócrates, perceptível nesta pequena mexida nas hostes, é ser um autoritário sem carisma. Não entusiasma ninguém, dentro ou fora do partido, e sobrevive graças ao absolutismo democrático onde, precisamente por não ter carisma, cedeu. Ninguém terá saudades dele quando acabar.

O QUE TEM SIDO ISTO

João Gonçalves 30 Jan 08

«Em que assentaram então os regimes políticos anteriores ao actual? Todos se propuseram modernizar o país. Mas uns tentaram chegar aí reservando o poder a um pequeno grupo iluminado, com exclusão dos demais, e outros através do envolvimento consensual do maior número e da alternância no poder. A monarquia constitucional, entre 1834 e 1910, esteve neste segundo caso. Havia vários partidos, que rodavam no poder de acordo com o rei. O regime caiu porque não podia funcionar sem se pôr em causa a si próprio. Era o rei quem, perante o desprestígio das eleições, accionava a alternância. Mas quando o fazia era invariavelmente discutido e contestado por uma classe política sem reverência dinástica. Mesmo assim, o regime durou mais do que qualquer outro regime nos últimos 200 anos, e assegurou a mais longa época de liberdade e pluralismo. Eis o que representa D. Carlos. A chamada I República, entre 1910 e 1926, e o Estado Novo, até 1974, tiveram isto em comum: chefes de Estado eleitos (directa ou indirectamente) e governantes determinados em usar a força para impedir qualquer alternância no poder. O Partido Republicano não precisou, como Salazar, de censura nem de proibir partidos: preferiu recorrer à "acção directa" de grupos paramilitares, protegidos pelas autoridades, para limitar a expressão e a acção dos adversários (foi a célebre "ditadura da rua"). De resto, excluiu a população do processo político, negando o direito de voto à maioria. Houve republicanos e salazaristas que quiseram outra coisa? Houve. Fizeram coisas benéficas para o país? Fizeram. Mas nenhum dos dois regimes foi capaz de deixar de ser o despotismo de um bando convencido de que tinha o monopólio da razão. A construção da actual democracia em Portugal foi feita não apenas contra o Estado Novo, mas também contra a I República. Dependeu de uma nova cultura política, em que se admitiu o princípio de que a validade das eleições dependia mais das instituições e procedimentos do que das "qualidades" da população. Dependeu também de se ter voltado a reconhecer novamente, como no tempo da monarquia constitucional, que a razão é algo distribuído a mais de uma opinião ou partido. Obteve-se assim um regime aberto a todos, e em que o voto de todos é a base da alternância no poder.Os exclusivismos, porém, deixaram herdeiros frustrados. Há quem ainda não tenha percebido por que é que não é dono desta democracia, tal como o PRP foi dono da I República ou os salazaristas do Estado Novo. Eis o que representam os contestatários da comemoração de D. Carlos.»
Rui Ramos, in Público

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