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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

O "ALOJAMENTO LOCAL"

João Gonçalves 19 Jan 08


Na sua incessante fúria "reguladora" e "regulamentadora", o governo vai acabar com as pensões, motéis e quejandos para os transformar nuns insossos "alojamentos locais". As pensões e os motéis são lugares indispensáveis ao equilíbrio social. Porventura como fumar, para quem fuma. São locais onde se pode fugir por instantes às conveniências sociais e sexuais, pequenos e furtivos espaços onde os amantes sem abrigo constroem, em minutos, um paraíso à medida do tempo disponível. São espaços sem a fartura ou o fausto indiscretos de um hotel nos quais se pode apaixonadamente "comerciar" um amor qualquer sem compromissos e um compromisso qualquer sem amor. O governo do eng. Sócrates prefere "a vírgula maníaca/ do modo funcionário de viver", o "dia sórdido/canino/policial, o "dia que não vem da promessa/ puríssima da madrugada/ mas da miséria de uma noite gerada/ por um dia igual." O governo teme a "cidade aventureira", a "cidade onde o amor encontra as suas ruas/ e o cemitério ardente/ da sua morte." O governo gere, com método e a aprovação de meia dúzia de zelotas, toda esta "roda de náusea em que giramos/até à idiotia/esta pequena morte/e o seu minucioso e porco ritual/esta nossa razão absurda de ser."

(Nota: os extractos são do poema "Um Adeus Português" de Alexandre O'Neill.)

O DR. NUNES

João Gonçalves 19 Jan 08


Em Abril de 1962, o Doutor Salazar foi buscar o Major Silva Pais às "actividades económicas" e colocou-o à frente da PIDE. Ainda lá estava quando a coisa acabou, melancolicamente, em Abril de 74. O dr. Vara, antes de ser "dr.", foi buscar o dr. António Nunes a um lado qualquer e fê-lo membro do seu gabinete no primeiro governo de Guterres. Daí o dr. Nunes passou para cargos de direcção na administração pública - nos bombeiros e como director-geral de viação, por exemplo - dos quais a "direita", no seu derradeiro e curto interregno governativo, não o removeu. Agora o dr. Nunes é o "patrão" da polícia mais poderosa do regime, a ASAE. O ministro que o tutela, Manuel Pinho, pediu-lhe para ser "mais discreto". Não passa pela pobre cabeça de Pinho que, muito antes de ele aparecer, o dr. António Nunes já andava por aí. Com maior ou menor "discrição", uma coisa é certa. Imagino que ao longo dos anos o dr. Nunes tenha "armazenado" informação das mais diversas proveniências que lhe deve ser da maior utilidade nas presentes funções. Não é impunemente que se fuma uma cigarrilha em público, num local fechado, quando a sua polícia já possuia todas a prerrogativas para exigir a aplicação de uma lei entrada em vigor há apenas uma hora e meia. O dr. Nunes ficará para além de Pinho. Tão certo como o Major Silva Pais ter sobrevivido ao homem que o foi recolher ao anonimato administrativo onde vegetava.

O DR. CAMPOS

João Gonçalves 19 Jan 08

Correia de Campos é uma espécie de "ponte de Entre-os-Rios" deste governo. A diferença fundamental - e que pode impedir a tragédia - é que ele ainda está a tempo de fechar para obras ou de remoção total.

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