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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

FAHRENHEIT 451

João Gonçalves 6 Jan 08


O sr. ASAE, o Beria do regime, acha que quem não concorda com "as medidas de higienização" em curso - uma coisa a que ele chama de "sociedade cada vez mais controlada" - pode sempre emigrar. Sócrates, por seu lado, promete um ano "ainda melhor" do que 2007 o que, na sua gramática, quer dizer uma sociedade mais previsível, mais acéfala, mais dependente, em suma, "mais controlada". Razão tem o António Barreto. «O primeiro-ministro José Sócrates é a mais séria ameaça contra a liberdade, contra a autonomia das iniciativas privadas e contra a independência pessoal que Portugal conheceu nas últimas três décadas. Temos de reconhecer: tão inquietante quanto esta tendência insaciável para o despotismo e a concentração de poder é a falta de reacção dos cidadãos. A passividade de tanta gente. Será anestesia? Resignação? Acordo? Só se for medo...» De facto, a graça (ou a desgraça disto) é o silêncio conivente de tantos homens e mulheres de "progresso e cultura", comodamente instalados nas suas vidinhas burguesas, nos seus artiguinhos fúteis ou nos seus blogues tagarelas. Sócrates está mais acompanhado do que se pensa. Nunca houve regimes de um homem só.

POBRES JANEIRAS

João Gonçalves 6 Jan 08


O ministro das finanças esteve em directo nos três canais generalistas a inventariar os "feitos" de 2007. O controlo do défice, o acerto das previsões de crescimento, a aposta na qualificação foram algumas das recordações do "dia de reis" do governo. Todavia, o rosto do ministro não deixava margem para dúvidas. No seu "id" pairavam, como abutres, o barril do crude, a economia alemã, a concorrência espanhola, a incerteza norte-americana, a nossa irremediável periferia, o nosso irrecuperável atraso, a margem estreita de tudo. O governo sabe que o inventário do próximo "dia de reis" será seguramente pior do que o de hoje. Pobres "janeiras".

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DA NECESSIDADE DE OUTRA COISA

João Gonçalves 6 Jan 08


«Nos últimos anos, passada a euforia e o unanimismo que coroaram o triunfo da democracia parlamentar face a formas de poder fundadas no arbítrio, na força e na usurpação, o Ocidente descobriu que o sistema político que melhor exprime a liberdade encerrava, afinal, sérias deficiências. Em meados da década de 90, já poucos duvidavam por essa Europa fora que a democracia pudesse sobreviver sem uma reforma profunda dos seus hábitos. Hoje, apresenta-se-nos como manifesta necessidade a substituição do acessório - isto é, dos partidos e das ideologias datadas - para garantir a sobrevivência da doutrina e da atitude democrática. Quanto mais tempo se passar sem essa reforma e substituição, maiores os perigos e maior a tentação por formas emocionais, primitivas e a-políticas da organização do Estado.»

Miguel Castelo-Branco, in Combustões

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Era no tempo em que a Feira do Livro de Lisboa estava viva. O Pacheco deambulava entre os pavilhões com um saco de plástico de onde tirava exemplares de uma edição - com um erro que ele fazia questão de emendar à mão - do seu Libertino que vendia directamente a quem quisesse. Descemos - eu, ele e o Vicente Batalha - até ao Marquês de Pombal onde ele desapareceu tão depressa como tinha aparecido. À medida que o tempo passa, e salvo duas ou três honrosas excepções, os meus mortos são os meus melhores vivos. Pacheco tem a vantagem, sobre outros mortos-vivos, dos livros e da polémica. Com o seu desaparecimento, contudo, é um pouco mais do conformismo, da complacência e da mediocridade do "meio" que avança. Toda a morte é uma inutilidade. Com a do Pacheco, num país entregue ao pior postiço em todos os lados, a sensação de inutilidade aumenta. Ficamos só um pouco mais bovinos do que já estávamos.

«Eu não te vou ensinar, eu ensino-te é a combater o meio... o pá, um tipo que quer fazer carreira, se não for parvo de todo e for um bocadinho filho da puta... é facílimo... O meio literário é de cortar à faca, é muito fácil de penetrar. Eu, que nasci em Lisboa, via-os chegar da província, os Namoras, os Amândios César, os Paço d’Arcos, etc., andavam por aí a borbulhar, a deslizar, a ver quem chega primeiro. É como os espermatozóides. Agora combater o meio, isso é que é difícil, é o mais difícil... a questão é esta, estúpidos, conformistas, cobardes, é a maioria da malta...»

«O autêntico convívio resulta de nos pronunciarmos como somos, rigorosamente pessoais, cruelmente duros para os hesitantes e para os oportunistas (que são a maioria), sem respeitos humanos nem silêncios falaciosos.»

«...do velho Salazar, que também não era tão mal como isso... não era tão mal como isso... era péssimo, mas enfim... era péssimo, mas também não era como estes merdas que há agora...»

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