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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

WISHFUL THINKING

João Gonçalves 2 Jan 08

«Penso que seria bom renascer em todos nós um pouco de ternura. Que a compaixão e a bondade não andassem por aí, desempregadas, e também elas tontas e aflitas, por tão sós. Que a felicidade fosse possível. Que tão poucos não tivessem tanto, e tantos não tivessem tão pouco. Que a paz interior não fosse, apenas, resultado da solidão, mas a certeza de uma verdade temporal. Que a necessidade de verdade se transformasse numa urgência diária. Que a sinceridade constituísse a vontade de se ser verdadeiro. Que a vida não se traduzisse uma infusão de falsos valores e de promessas de eternidade duvidosa, mas sim que o conhecimento tivesse a conformidade das exigências sociais e éticas.»

Baptista-Bastos, in Diário de Notícias: mesmo não concordando demasiadas vezes com ele, o B-B é do melhor que o DN tem para nos oferecer. É um sobrevivente dos tempos em que se sabia ler, escrever e "sentir" qualquer coisa.

LAICISMO E JACOBINISMO

João Gonçalves 2 Jan 08


O Filipe coloca uma questão "extremamente interessante", a da "inferioridade moral da direita religiosa" face a um jacobinismo renascido e bronco em nome do "progresso". Já vamos na mudança dos nomes da escolas por Agostinho ou António vir antecedido de "santo". Lá chegarão os hospitais, as ruas e outras toponímias. Venha a coragem para acabar com os "feriados religiosos", fechem-se as igrejas no "horário de expediente". À força de tanta transigência e promiscuidade com o poder "laico", a hierarquia da igreja católica praticamente não tem força - ética - para se pronunciar sobre isto não vá incomodar a "esquerda", sobretudo esta "moderna" e ridícula que nos pastoreia. Sócrates, que se benze nas inaugurações do regime, deixa passar tudo isto para sossegar a cãzoada, trivial, zelota e rasca da "elite". Não haverá quem lhes explique a diferença entre laicismo e jacobinismo puro e analfabeto?

CAVACO OPTIMISTA

João Gonçalves 2 Jan 08

Fora a "alfinetada" nas remunerações de certa gente quando comparadas com as do português que empobrece às mãos do regime dessa mesma gente, o discurso de ano novo do chefe de Estado ressumou um optimismo prudente. Cavaco apreciou muito a presidência europeia, apesar de o país de que falava estar pior do que há um ano. Cavaco salientou um "querer" nacional abstracto que não existe, uma retórica "vontade de vencer" que só dá vontade de vomitar. Cavaco preocupou-se com as pequenas e as médias empresas que o governo, com zelo, se encarrega de destruir. E quer mais "cidadania" nas estradas onde quase só se sentam gorilas no lugar dos condutores. Os nossos presidentes, sobretudo na fase do mandato em que se encontra agora Cavaco, cultivam a redundância. Falam de uma sociedade expectável e nunca da que existe, não vá o diabo tecê-las. Ainda deu pela falta de criancinhas e apelou a "políticas de natalidade", certamente contra o profeta Correia de Campos que foi o único directamente molestado pelas palavras presidenciais. Tal como a classe político-partidária, Cavaco não percebeu que o "futuro" é o que menos interessa aos mais novos. Cavaco dirige-se a um país por vir que nunca chegará a vir porque se está nas tintas para isto. Quando começar a pedir responsabilidades ao senhor com quem fala às quintas-feiras e aos que o pretendem substituir nessas conversas, então aí voltamos a falar.

SOARES PESSIMISTA

João Gonçalves 2 Jan 08

O dr. Soares terminou o ano com um artigo melancólico no El País. Segundo este ex-pai da pátria, 2008 não augura nada de bom. Em vez do habitual optimismo antropológico que o tem aguentado, Soares mostra-se negativo e pessimista acerca do futuro da humanidade. Todos sabemos que, mais tarde ou mais cedo, acabaremos com isto ou isto - o planeta que andamos a destruir com método, "ética" e proficiência - acabará connosco. É uma questão de mais umas quantas desgraçadas gerações. Aqui Soares, uma vez mais, não descobriu nada. Por isso era bom que "este" Soares escrevesse o mesmo sobre a situação doméstica em vez de arengar com a "globalização" e respectivas "ameaças". Logo ele que tanto se preocupa com a autenticidade em política, como é que consegue continuar conivente com o artefacto em vigor? É que já nem sequer há socialistas, como ele nos quer fazer crer que é. Agora são todos "liberais" (ou neo), enxutos e pragmáticos. Do que Soares se queixa lá fora, afinal, há demasiado cá dentro, mesmo em piroso ou pequenino. O "seu" inimigo, o "neoliberalismo", está entre nós, dr. Soares, e tão esgotado como as demais ideologias, vagueando entre o Estado e uns panhonhas da sociedade dita "civil" . Não gaste o missário lá fora.

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