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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

NÃO É A CULTURA, ESTÚPIDO

João Gonçalves 1 Jan 08

Assisto ao concerto de ano novo da Filarmónica de Viena. Desta vez foram buscar o maravilhoso e já velhinho Georges Prêtre para dirigir as músicas da família Strauss. E leio o brilhante calhamaço de Littell. Associo uma coisa à outra e dou razão ao autor do calhamaço: a cultura não nos defende do que quer que seja. Imagino oficiais do III Reich a dançar ao som de Strauss, num sarau requintado após o Anschlüss, depois de mais um dia passado a pensar no que fazer com os Fremden. Ou Hitler em Bayreuth, a presidir a sucessivas récitas wagnerianas, estranhamente detestadas pelo autor de As Benevolentes. Os nazis queriam-se sofisticados e cosmopolitas, apesar do ódio ao "outro". Mais tarde, passariam dias a dar tiros na nuca junto a valas comuns e à noite, aqueles que possuíam o dom, executavam Bach num piano em casa. Sim, a cultura não nos defende de coisa alguma. Conheço muitas varinas e muitos arrivistas que se dizem "mulheres e homens de cultura". Apesar de passarem por democratas, não sei o que fariam com uma arma na mão. Não ponho as mãos ao lume por ninguém.

PANEM ET CIRCENSES

João Gonçalves 1 Jan 08


No ano que passou apenas se destacou um morto - o Doutor Salazar - manifestamente uma pobre mas significativa consolação. Terminado à meia-noite o circo da presidência europeia, Sócrates abre-nos o ano com um país mais agrilhoado, mais regulamentado, mais dado ao respeitinho obrigatório e, por consequência, um país mais pequenino, menos europeu, menos sofisticado. Daqui até ao fim da legislatura, é sempre a descer. Em todos os sentidos. Haverá outro género de circo - caseiro, "simplex", de efeito fácil - que se confundirá com a propaganda. Até o orçamento, em vigor desde hoje, já está desactualizado com o barril do crude a quase cem dólares. Vai ser preciso muito ginásio político, muita corridinha à volta de nenhures para aguentar a patranha. Sem nada nem ninguém pela frente, com uma sociedade embrutecida pelo comentarismo oficioso e mentiroso, Sócrates possui, apesar de tudo, uma margem invejável de manobra. Até quando?

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