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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

NÃO É FÁCIL DIZER BEM - 11

João Gonçalves 16 Dez 06


Juro que não tenho nada de pessoal, tangível ou transmissível contra Frederico Lourenço, o tradutor-maravilha dos clássicos e autor de uma "trilogia" sobre gente mal fornicada que faz parte da mesinha de cabeceira de qualquer gay envergonhado que se preze. Acontece que, de quinze em quinze dias ou de mês a mês, nunca percebi bem, Lourenço abrilhanta uma página no suplemento "6ª" do DN, intitulada "arcadia", que é imperdível. Esta semana começa assim: "à subtileza da fragrância exalada pelas rosas debaixo da janela teria faltado outro universo de pujança para justificar comparações legítimas com os goivos de Charles Ryder". E acaba assim: "e debaixo da minha janela, as rosas, a que já aludi; as tais que o pendor literário do meu olhar metamorfoseia em goivos". Perante tamanha evanescência, valerá a pena ler o que está no meio? Ou, no limite, ler Frederico Lourenço?

O ESTIGMA

João Gonçalves 16 Dez 06

Quando estive a trabalhar para a Comissão Europeia na Guatemala e em El Salvador, lembro-me que os telejornais abriam invariavelmente com notícias e imagens de acções policiais. Era compreensível. Países com índices elevados de criminalidade, polícias com fama e proveito de corrupção, resquícios "revolucionários", guerras civis, gente armada, etc. etc., tudo isso justificava a insistência "pedagógica" na evidenciação da intervenção das novas "polícias democráticas" e das magistraturas. Por cá, nada justifica que, dia sim, dia não, os telejornais relatem o desempenho das forças policiais, de fiscalização e de inspecção como se se tratasse de uma extravagância. Fossem um ou quinhentos agentes, limitam-se a cumprir as suas funções. Não há meio de nos livrarmos do estigma latino-americano. Nem pelas boas nem pelas más razões.

DE FACTO

João Gonçalves 16 Dez 06


"Chegou a hora de o partido decidir se quer ser oposição ao PS, ao Governo e ao engenheiro Sócrates ou se quer fazer o jogo do PS, do Governo e do engenheiro Sócrates", disse Marques Mendes ao conselho nacional do PSD onde presumivelmente têm assento muitos dos inúteis que deixam o país indiferente às suas permanentes queixinhas. É, de facto, tão simples quanto isso.

O PARTIDO FÁLICO

João Gonçalves 16 Dez 06


Também reparei neste tropismo linguístico do ainda presidente do CDS/PP, como o Pedro Correia. A concorrência de tantos "falas-falos" dentro de tão pequena agremiação, ou acaba mal ou em orgia. Do mal, o menos.

COMBUSTÃO LENTA

João Gonçalves 16 Dez 06

A abjecta ERC (a da comunicação social) aparentemente está a implodir. É sinal de que, apesar de tudo, ainda alberga algumas formas de vida inteligente. As outras "entidades reguladoras" podiam seguir o exemplo.

DO MEC AO MNE

João Gonçalves 16 Dez 06



1. Há pessoas que imaginamos infantis uma vida inteira e que, num lance inesperado, desfazem essa suposição. Pelo contrário, existe uma estirpe que temos por adulta e que, irremediavelmente, subsiste infantil ao crepúsculo. No primeiro caso está o Miguel Esteves Cardoso. Nunca fui um "MECista" convicto como quase toda a geração a que pertenço foi. Nunca li os seus livros mas devo ter lido quase todas as suas crónicas de jornal dos "melhores tempos". A sua formação inglesa apurou-lhe o gosto pelo português - ao arrepio da escrita eternamente maricas de Frederico Lourenço - e MEC revelou-se um dos nossos grandes prosadores contemporâneos (prosador, não escritor, Carla). E irritou-me sempre, um pouco, a sua "oralidade", sobretudo a televisiva, em programas "moderados" pela voz mais insuportável da tv portuguesa, a Júlia Pinheiro. Foi, pois, com uma imensa ternura que li ontem à noite, na cama, a sua entrevista no suplemento 6ª do Diário de Notícias. MEC chegou aos cinquenta adulto e lúcido como nunca e, ao olhar para trás, constrói um auto-retrato agridoce que me impressionou. Aqueles para quem MEC era uma espécie de estátua viva à precocidade sobredotada e à graça inteligente de sapatilhas, poderão ver nesta entrevista o derrube dessa estátua pelo seu autor. Enganam-se. Nunca MEC foi tão azul, tão humano e tão bonito como nesta entrevista, qual ave de Minerva feita andorinha. A vida é fodida.
2. O caso oposto ao MEC é o de Freitas do Amaral. As suas primeiras memórias - "O antigo regime a e revolução" - são confrangedoramente infantis e politicamente nulas. Raramente percebeu - em toda a sua curta vida política, cuja "consciência" só adquiriu aos trinta e um anos, como revelou num famoso debate em 1986 contra Soares, percebeu pouca coisa - o que lhe ia acontecendo. Pelos vistos, e agora com este livrinho de "MNEmemórias", continua sem perceber. Freitas vive num planeta distante e Sócrates enganou-se quando o escolheu por ele ter cabelos brancos. As "revelações" cândidas e adolescentes que perpetra no livro, mostram-nos um político-homem que nunca amadureceu. Só neste país em diminutivo é que esta criança grande pôde ter estado a um passo de ter sido eleito presidente da República. Como diria o seu Mestre, o "Diogo" não foi feito para isto.

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