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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

DA HISTÓRIA DOS VENCIDOS

João Gonçalves 15 Dez 06


Passou despercebida a homenagem que a Faculdade de Direito de Lisboa prestou ao seu ilustre Professor Marcello Caetano. Por o ter encontrado ontem ao almoço, soube que o José Adelino Maltez se encarregou da conferência. Enquanto ele não colige em letra de forma essa conferência, deve ler-se este belo texto sobre universidades e as elites que não temos. "Os tempos que nos devoram exigem que a ideia de universidade passe a rimar com os homens livres (...) Ontem foi mais um dia de muitos outros onde não descobri o silêncio nem a falta de paraíso, com mais uma prova de doutoramento onde fui um dos arguentes e uma conferência em memória de um dos maiores professores universitários do século XX que, por acaso foi presidente mandador mor da nossa república. Um dos que viveu a angústia do conflito entre a ética da convicção, como deve ser a razão da Universidade, e a ética da responsabilidade, que faz submergir o humanismo no mar maquiavélico da chamada razão de Estado. E Marcello Caetano, é dele que estamos falando, não conseguiu conciliar o lume da dita racionalidade finalística (a Zweckrationalitat de Weber) com o lume da dita profecia (Padre António Vieira), equivalente à weberiana racionalidade valorativa (Wertrationalitat). Ficou-se pela angústia, pela fidelidade a uma certa ideia eterna de universidade e pelo sonho de um certo patriotismo científico. Faz hoje parte da nossa história dos vencidos e por isso continua eterno."

PSD

João Gonçalves 15 Dez 06

Paulo: embora não me apeteça falar do PSD, esclareço duas coisas. Conheço o Henrique Freitas há muitos anos. Foi um colega de curso que rumou, a meio, para outro. É amigo e é amável. Também é estruturalmente um "homem de partido" e, lá dentro, um "barrosista" que "passou" por Santana Lopes. Gosta da parafernália partidária. Ultimamente "deu-lhe" para o dr. Menezes, o de Gaia. O inábil dr. Marques Guedes e a CIA deram-lhe um pretexto. Não mais do que isso.

RAZÕES E CORAÇÕES

João Gonçalves 15 Dez 06

Como se diz no calão liceal, a Fernanda Câncio "esticou-se". Diria, aliás, que de tão progressista e "progressiva" que quer parecer, está cada vez mais reaccionária. Nesta nervoseira, como é que consegue chegar a Fevereiro bempostinha? O seu artigo no Diário de Notícias constitui um magnífico passo em frente para enterrar o melhor argumentário do lado do "sim" na lama. Mais valia ter estado quietinha com o computador. Eu, que a considero corajosa, altiva e, imagine, consequente na sua inconsequência, fiquei siderado com esta sua miserável prosa. Vamos por partes, embora me apeteça parar já nesta: "grande parte dos animais vivos tem um coração que bate - o que não faz ninguém reconhecê-los como pessoas". Escrever isto a propósito de um embrião vivo, comparando o incomparável - apesar de existirem animais que são bem mais "pessoas" do que muitas pessoas que eu conheço -, para além de demagógico, é intelectualmente desonesto e absolutamente fascisto-feminista, ou seja, obsoleto. Se, como diz a autora, os do "não" "apostam na ignorância", em que é que ela aposta com este disparate? Eu, que defendo a lei actual, não me recuso a falar nos "casos excepcionais" porque eles são de uma clareza cristalina na letra da lei. A mera exclusão da ilicitude não obriga ninguém a interromper a gravidez se algum dos "casos" se verificar. É uma faculdade, não é um direito. Pelo contrário, é um direito aquele que se pretende ver consagrado através da liberalização total do aborto desde que realizado até às dez semanas de gestação, por exclusiva vontade da mulher. Ora, na civilização em que eu vivo e pretendo continuar a viver, nenhum crime passa a direito par delicatesse ou para "justificar" filosoficamente qualquer arquétipo. Jean Genet, nos seus "romances", ergue constantemente o homicida à categoria de herói - e sensual ainda por cima. Todavia, é literatura apenas e em qualquer parte do mundo civilizado um homicida é mesmo um homicida, e não um herói ou uma "vítima". A constante apresentação da mulher como "vítima" - "a rejeição das mulheres" - para justificar o recurso ao aborto como um "direito" praticamente inalienável, em pleno século XXI, é pura demagogia sexista e pura má-fé. Acha a Fernanda que os milhares de mulheres que votam "não" desejam a sua própria "rejeição"? Ou que qualquer eleitor que o faça está pensar em apoucar alguém ou em diminui-lo enquanto cidadão e ser humano? Por amor de Deus. Finalmente, um coração é um coração desde que bata, fora ou dentro de outro corpo. Eu tenho um, a Fernanda tem outro. Não reconheço nenhum tipo de autoridade moral à Fernanda Câncio para determinar que tem "mais coração" do que eu. Ninguém tem o monopólio do coração. Experimente funcionar mais com a razão e menos com a emoção e vai ver que se dá melhor com a vida.

O ÓBVIO

João Gonçalves 15 Dez 06

"A acção penal deve ser um exclusivo do Ministério Público (tanto mais que a Constituição já permite ao poder político estabelecer prioridades quanto à acção penal). Ao Parlamento compete exercer a fiscalização política, e não intervir na justiça. Estado de direito quer dizer, também, separação e limitação de poderes."

Vital Moreira in Causa Nossa

O "BISINESSE" DEMOCRÁTICO

João Gonçalves 15 Dez 06


"Sucede que a corrupção no futebol é uma ínfima parte da corrupção geral do país. E serve sobretudo para a esconder."

Vasco Pulido Valente, in Público

A MÚSICA DE FUNDO

João Gonçalves 15 Dez 06


... é a mesma, os homens é que mudaram.

ATÉ À ETERNIDADE

João Gonçalves 15 Dez 06

Com grande surpresa da nação, o dr. Silva Lopes - um ilustre economista que nos acompanha desde o "antigamente" apesar de ser muito requisitado pelas esquerdas correctas, Padre Melícias incluído - foi reeleito presidente do Montepio Geral. Em França, "a pátria reconhecida", alberga os seus maiores no Panteão, na Rive Gauche. Nós, mais práticos, tratamos de os embalsamar em vida e de os deixar ficar até à eternidade na habitual meia dúzia de "instituições" que temos. Longa vida a estes beneméritos.

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